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Alta cúpula da Fast Shop atuava de forma ‘estruturada’ em esquema bilionário de propina na Fazenda de SP; entenda

BRCOM by BRCOM
setembro 9, 2025
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O auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto e sacos de esmeralda que foram apreendidos durante a Operação Ícaro — Foto: Reprodução/Divulgação-MPSP

Embora Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, concentre a atenção pública, o diretor estatutário da Fast Shop, Mário Otávio Gomes, aparece em documento obtido pelo GLOBO como peça-chave na engrenagem que conecta a varejista à fraude bilionária descoberta na Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP).

Um dos pontos mais fortes da investigação é o volume de comunicação entre o diretor e o auditor. A troca de mais de 200 mensagens entre 2022 e 2024, além de dezenas de e-mails apenas no ano da decisão.

  • Leia mais: Novos documentos mostram que ex-fiscal do ICMS queria ‘nacionalizar’ operação e prometeu fraudes em outros estados
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Mário era o responsável dentro da empresa por tratar do contrato com a Smart Tax, escritório que funcionava como intermediário no pagamento das propinas. Em decisão judicial recente, ele, Artur e Sidney são apontados como o núcleo central do esquema, todos descritos como figuras de “elevado poder econômico” e com capacidade de intervir nas apurações em curso para eliminar provas e acobertar a atuação criminosa.

O auditor fiscal Artur Neto foi preso em 12 de agosto, juntamente com o empresário Sidney Oliveira, dono da rede de farmácias Ultrafarma, e Mário Otávio Gomes. Segundo o MP, a relação do auditor com a varejista era a mais longa apurada pela investigação. Ambos os empresários se encontram soltos, graças a habeas corpus que suspenderam a cobrança de fianças.

O auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto e sacos de esmeralda que foram apreendidos durante a Operação Ícaro — Foto: Reprodução/Divulgação-MPSP

O modo de operação para a Fast Shop e outras empresas era basicamente o mesmo: o auditor prestava consultoria nas duas pontas, tanto no início do processo, de envio de documentação, até o no final, quando assinava pessoalmente os reembolsos na Sefaz. Segundo as contas dos investigadores, o esquema ilegal de Artur e as empresas teria movimentado R$ 1 bilhão em pelo menos cinco anos.

As investigações mostram que Mário também se comunicava diretamente com Agnaldo de Campos, contador da Smart Tax, a quem informou que a Fast Shop havia compensado mais de R$ 8 milhões em tributos.

Para garantir essa “prestação de serviços”, Artur Neto recebia pagamento de propina a título de consultoria prestada pela Smart Tax, que estava registrada no nome da mãe de Silva Neto. O salto no patrimônio da empresa, que passou de R$ 411 mil em 2021 para R$ 2 bilhões em 2023 foi justamente o que despertou a atenção dos investigadores.

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Outro aspecto que chamou a atenção dos investigadores foi uma “inversão de papéis”. Em vez de ser fiscalizada, a Fast Shop entregava a Artur notificações oficiais da Delegacia Regional Tributária (DRT) de Osasco, para que o auditor as “resolvesse”. O relatório aponta que o servidor público atuava, na prática, como se fosse funcionário da própria empresa.

Em um dos casos, ele repassou o documento a outro auditor, Marcelo de Almeida Gouveia, responsável direto por liberar benefícios fiscais à companhia. Artur também remetia a Marcelo outras solicitações da Fast Shop, como informações sobre filiais para cálculo de ressarcimento de créditos.

As investigações apontam ainda que o esquema na Fast Shop não era isolado, mas articulado em diferentes níveis hierárquicos. Além de Mário, descrito como “articulador principal”, outros integrantes da área fiscal também participavam direta ou indiretamente das tratativas.

No auge do esquema na Fast Shop, Caroline Camargo Godoy ocupava a posição de coordenadora fiscal e teve sua participação descrita como relevante nos documentos. Na prática, ela era a única colaboradora da Fast que tinha acesso direto e presencial ao auditor fiscal Artur Neto através de reuniões.

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Essas reuniões tinham como objeto o acerto do pagamento da vantagem indevida ao fiscal. Nesse contexto, Caroline também assumia a responsabilidade pela operacionalização e certificação dos pagamentos efetuados pela Fast Shop à Smart Tax, comprovada, segundo as investigações, por diversas trocas de mensagens e e-mails desde de dezembro de 2024.

Já Ellen Franciane Pereira Silva, analista fiscal, figura como uma das interlocutoras da Fast Shop junto ao auditor tributário. Ela mantinha contato direto com Artur para o envio de arquivos sobre créditos de ICMS-ST, usados como base para as fraudes. Ela também integrou o rol de destinatários de comunicações sobre as fraudes, além de ser informada sobre as decisões favoráveis do auditor.

Outro coordenador da Fast, Felipe Signorelli Reis, também é citado nas investigações pois participou de reuniões virtuais de alinhamento com o auditor e integrava a lista de destinatários de decisões que deferiram as cessões de crédito irregulares. A ex-gerente fiscal Juliana Gonzaga Ruzsicska também aparecia nas comunicações, sendo informada das liberações.

Segundo os documentos, a rede funcionava de forma estruturada, com papéis definidos entre os integrantes. Ou seja, enquanto Mário e Caroline conduziam as negociações e pagamentos, Ellen e Felipe atuavam na parte operacional e no fluxo de informações.

Já Artur usava sua posição dentro da Secretaria da Fazenda para dar celeridade aos processos de ressarcimento e garantir vantagens indevidas à varejista. Em relatórios mais recentes, os investigadores destacam que as práticas criminosas seguiram ativas em 2025, com 65 e-mails trocados entre Mário e Artur apenas neste ano.

Em nota enviada ao GLOBO, a Fast Shop afirmou que está colaborando integralmente com as autoridades.

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