Do alto de um mirante se avista a chegada de centenas de golfinhos à baía do arquipélago de Fernando de Noronha, paraíso turístico localizado a 545km de Recife, em Pernambuco. Ao menos em 90% dos dias do ano, cerca de 250 animais rodeiam a costa, por três horas, para se alimentar e reproduzir. Além do ponto alto da Baía dos Golfinhos, onde se pode observar a passagem dos bichos — uma atividade clássica de quem visita Noronha — os turistas também podem vê-los de perto durante um passeio de barco, prática que, nos últimos anos, vem crescendo no arquipélago.
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Os saltos e giros que os golfinhos-rotadores dão sobre a água, movimentos característicos desta espécie, são como um show artístico onde o palco é o mar. Mas essa aproximação das pessoas com os golfinhos param por aí. É proibido alimentar, muito menos mergulhar com os bichos, que são protegidos por uma legislação rigorosa. Para manter a preservação da espécie, a ONG Projeto Golfinho Rotador monitora os animais, além de cumprir o papel de educar quem visita Noronha.
— É fundamental essa relação entre turismo e preservação. Para conhecer os golfinhos não precisa tocar ou mergulhar com eles. Podemos vê-los do barco ou do mirante, onde sempre vai ter um pesquisador do Projeto Golfinho Rotador para emprestar um binóculo, informar e tirar as dúvidas — afirma José Martins, oceanógrafo e coordenador do projeto, que é patrocinado pela Petrobras e completou 35 anos em agosto.
O número de visitantes em Noronha tem crescido nos últimos anos, principalmente devido à visibilidade que famosos e influenciadores dão nas redes sociais ao compartilhar fotos de paisagens paradisíacas do arquipélago. Nomes como Bruno Gagliasso, Grazi Massafera e Paulo Vilhena sempre passam por lá. Com o número de turistas aumentando, a preocupação com a preservação dos golfinhos também cresce. A expansão do tráfego de embarcações e o volume maior de tubarões-tigre, principal predador dos golfinhos, são ameaças para os animais.
— Quando o turista não vê o golfinho num passeio de barco é muito frustrante. O visitante quer ver de perto os animais. É como as pessoas que têm ansiedade de invadir o palco quando o artista está cantando. O grande desafio da gente é achar o meio-termo, onde o visitante fique feliz com a experiência e sensibilizado para a conservação da natureza — destaca Martins.
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O preço de um passeio de barco compartilhado para ver os golfinhos varia entre R$ 250 e R$ 350. Já as embarcações privativas podem chegar a R$ 1.800. Várias empresas fazem essa atividade partindo do porto de Santo Antônio. O tour em alto-mar tem duração de três horas e meia a seis horas, passando também por outros pontos da ilha.
A preocupação com o meio ambiente não está só no mar. O Projeto Golfinho Rotador tem o programa de sustentabilidade que leva para empreendimentos da região práticas ambientalmente responsáveis, como a destinação correta do lixo e a redução do consumo de água.
Muitas pousadas e restaurantes se engajam na luta pela preservação e sustentabilidade, sem abrir mão do conforto do hóspede. A Pousada Pedras Secas (diárias a partir de R$ 704) tem uma vista inspiradora para o mar no horizonte. O destaque é o atendimento ao hóspede, desde a recepção até a limpeza impecável.
Já a Vila Sal (diárias a partir de R$ 1.388), a queridinha dos famosos, o bem-estar e o consumo consciente andam de mãos dadas. É comum ver nas instalações recados que lembram o visitante de respeitar a natureza. Depois de um café da manhã reforçado, o hóspede ainda pode mergulhar em uma piscina.
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Alguns restaurantes também adotam práticas de sustentabilidade em suas atividades. É o caso do Varanda, que, além da preocupação ambiental, tem um dos melhores cardápios com frutos do mar da ilha. O destaque é o risoto de camarão bobo, um dos carros-chefes da casa.
No charmoso Cacimba o que chama atenção é o ambiente acolhedor e, ao mesmo tempo, descolado. Cada detalhe da decoração remete à magia do mar, um deleite para quem busca locais instagramáveis por Noronha. Garantia de boas fotos.
O Xica da Silva se destaca pela variedade do cardápio, que vai de frutos do mar a cortes de carne suculentos. O restaurante é muito bem localizado, bem próximo à esquina da Rodovia Miguel Arraes de Alencar, a principal via da ilha.
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Merece destaque também o Benedita Cozinha Afetiva. Situado no coração da Vila dos Remédios, serve pratos preparados na brasa e forno a lenha.
Além do avistamento de golfinhos-rotadores, seja na alvorada no mirante ou embarcado, o turista que visita Noronha tem outras opções de passeios. Um dos mais procurados é o Ilha Tour, que passa pelos principais pontos turísticos e praias do destino.
O programa inclui visita à Praia do Leão, onde a preservação é total. O banho não é permitido devido à reprodução das tartarugas que ali acontece. Já na Praia do Sueste, entrar na água é proibido devido ao histórico de ataques de tubarão-tigre que já ocorreram no local. Cenário oposto ao da Praia da Conceição, uma das mais badaladas, onde guarda-sóis, cadeiras, bebidas e petiscos são oferecidos aos banhistas.
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Outro ponto muito procurado é a praia do Sancho, onde há prática de mergulho com cilindro de oxigênio ou snorkel. Por lá, os visitantes podem observar diferentes espécies de peixes e, quem sabe, encontrar um tubarão-limão, que não oferece riscos para o ser humano.
A praia Cacimba do Padre é o ponto para fotos clássicas com o Morro Dois Irmãos, formação rochosa com dois montes similares que é o principal cartão-postal de Noronha. Depois de registros no alto de um mirante, é só descer e curtir um pôr do sol que certamente ficará na memória de cada viajante.
Thomaz Rocha viajou a convite do Projeto Golfinho Rotador.