Uma proposta em tramitação na Câmara Municipal do Rio para que o Dia de Corpus Christi seja declarado feriado municipal criou um impasse entre os vereadores. Por lei federal, cada município só pode ter quatro feriados locais, sendo que obrigatoriamente um deles é a Sexta-Feira Santa. Como o Rio já comemora os dias de São Sebastião, padroeiro da cidade (20 de janeiro), e de São Jorge (23 de abril), só resta uma data disponível, que poderia ser Corpus Christi.
- Tragédia: ‘Aliviado por terem encontrado o corpo e triste por enterrar meu filho de 15 anos’, diz pai de adolescente que se afogou no Leme
- Pequena África: edital do BNDES destina R$ 5 milhões a 11 projetos voltados a cultura e educação
Mas é neste ponto que surge uma divergência. No Palácio Pedro Ernesto, comenta-se que, em algum momento, pode ser proposto outro projeto para que o quarto feriado municipal seja o Dia do Evangélico, como forma de ‘‘equilibrar’’. No Rio, essa data é comemorada em 31 de outubro. Mas não existe um padrão. Em Brasília, onde já é feriado, o Dia do Evangélico é em 30 de novembro.
Há algumas semanas, a discussão sobre uma data para o Corpus Christi ganhou mais espaço, com o assunto sendo debatido em plenário. Ontem, quando a matéria voltaria a entrar em pauta, a sessão caiu.
O prefeito Eduardo Paes (PSD) diz ser contra a decretação de um novo feriado na cidade, seja qual for o motivo. Mas vereadores da base comentam que uma eventual sanção de um novo feriado religioso desagradaria ao segmento que não foi atendido. E que Paes quer evitar o desgaste com qualquer segmento, ainda mais se realmente deixar a prefeitura em abril de 2026 para concorrer ao governo do estado. Além disso, a proposta não tem apoio do setor produtivo, que teria custos adicionais com as folhas de pagamento, caso um novo feriado fosse criado.
- Praia da Reserva: o que falta esclarecer sobre a morte do empresário e paraquedista Gabriel Farrel
Apesar dos comentários nos corredores da Câmara, pelo menos oficialmente, integrantes da bancada evangélica negam a hipótese de propor feriado no Dia do Evangélico.
— Nós somos minoria na Casa para conseguir aprovar um projeto de feriado. O debate que se tem hoje é sobre Corpus Christi. Mas não há consenso — disse Inaldo Silva (Republicanos), que é bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e que, em primeira discussão, votou favoravelmente ao projeto.
Líder do governo na Câmara, Márcio Ribeiro (PSD) argumenta que não vê motivo para se criar mais um dia de folga:
- ‘Entrei no avião e só pensava nele’, diz instrutor de salto amigo de empresário morto em acidente de paraquedas
— Essa discussão tem que ser feita com muito cuidado. Só existe uma data no calendário e é preciso que o tema seja bem debatido. E, neste caso, nada mudaria, porque, tradicionalmente, o prefeito já decreta ponto facultativo no dia de Corpus Christi, mesmo não sendo feriado.
O projeto do novo feriado é de iniciativa de três vereadores católicos: Rogério Amorim (PL), Vera Lins (Progressistas) e Márcio Santos (PV), licenciado porque é secretário de Economia Solidária. Da bancada de oposição a Paes, Amorim critica os colegas por ainda não terem se posicionado em plenário, com votação nominal:
— Os governistas não querem ficar mal com qualquer eleitorado. Propus esse projeto porque sou um católico praticante. E acho que, pelo significado para os católicos, essa data merece ser feriado.