Desde que foi tricampeão da Libertadores em 2022, o Flamengo não conseguiu mais voltar a uma semifinal. Muito porque falhou na hora de “pagar o pedágio” diante de camisas pesadas do continente, e foi eliminado, casos de Olimpia (2023) e Peñarol (2024). A bola da vez é o Estudiantes, contra quem o time de Filipe Luís abre hoje, às 21h30, no Maracanã, o confronto das quartas de final, e inicia uma trilha de argentinos que o separa da decisão, em Lima, no Peru. Apesar do favoritismo evidente, o alerta precisa estar ligado.
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A equipe de La Plata traz um contexto bem parecido, por ser tetracampeã da Libertadores — mais títulos que qualquer brasileiro —, mas hoje com poder de investimento muito menor ao dos clubes daqui, em especial o Flamengo. No campo, porém, o que conta é apresentar uma postura à altura destas fases agudas.
Há dois anos, o rubro-negro venceu o Olimpia no Maracanã por 1 a 0 nas oitavas, mas, mesmo abrindo o placar em Assunção, teve um apagão e sofreu a virada por 3 a 1. Na última edição, o problema foi perder em casa para o Peñarol por 1 a 0, em uma atuação apática que encerrou uma sequência invicta de cinco anos e 28 jogos como mandante. Em Montevidéu, um empate sem gols resultou em eliminação nas quartas.
Contratado em 2023, Rossi estava no elenco nas duas ocasiões e era o titular na última, e pediu concentração geral para que não se repitam:
— O que aconteceu, já passou. Na fase de grupos, tivemos alguns altos e baixos, no Brasileiro sempre mantivemos a força do grupo. Fizemos um grande Mundial e hoje viemos de uma boa sequência também. A gente não perdeu o foco, sabemos que cada jogo é uma final, como vai ser na quinta e depois no domingo (contra o Vasco, pelo Brasileiro), e assim até o final do ano — ponderou o argentino em coletiva na terça-feira. — Mas sabemos que dependemos de nós, de fazer um bom trabalho e entrar concentrados. Esses jogos são decididos nos detalhes e isso vai fazer a diferença na reta final.
Últimas campanhas do Flamengo na Libertadores
| Ano | Resultado |
| 2019 | Campeão |
| 2020 | Oitavas (eliminado pelo Racing) |
| 2021 | Vice-campeão (eliminado pelo Palmeiras) |
| 2022 | Campeão |
| 2023 | Oitavas (eliminado pelo Olimpia) |
| 2024 | Quartas (eliminado pelo Peñarol) |
Líder do Brasileirão, o Flamengo repetiu o roteiro dos últimos dois anos na Libertadores e se classificou em segundo em seu grupo. Assim, precisa decidir os confrontos fora de casa, como aconteceu diante do Internacional, nas oitavas. O jogo de volta contra o Estudiantes será em La Plata na próxima quinta, às 21h30.
— É o jogo mais importante do ano — garantiu Filipe Luís no último domingo. — Dado o valor das quartas da Libertadores contra o Estudiantes. Depois de uma temporada incrível que estamos fazendo, claro que é o jogo mais importante do ano. Sem dúvida, é um grande adversário, principalmente por ser uma das equipes argentinas que competem tão bem. Temos aí o exemplo do Central Córdoba na fase de grupos.
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A derrota por 2 a 1 em abril para o modesto adversário argentino, no Maracanã, serve de exemplo para a equipe, que também sofreu para vencer o Deportivo Táchira (1 a 0) no grupo. Especialmente porque será importante levar boa vantagem para a segunda partida.
As boas notícias de hoje para Filipe são as voltas de Bruno Henrique e Varela. Na vitória contra o Juventude por 2 a 0, o atacante ficou fora por controle de carga e o lateral por um quadro de pubalgia, mas ambos treinaram normalmente ontem. O uruguaio disputa posição com Emerson Royal. Fora isso, Léo Ortiz deve voltar ao time titular após ter cumprido suspensão. De la Cruz e Plata também têm chances de iniciar o jogo.
Jorginho e Alex Sandro ainda são dúvidas: fizeram apenas exercícios de condicionamento físico, acompanhados por fisioterapeutas.
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O Estudiantes também tem seus problemas. Sétimo colocado no Clausura do Campeonato Argentino, amargou duas derrotas seguidas, para Central Córdoba (2 a 0) e River Plate (2 a 1). Neste último jogo, em casa, ainda viu saírem machucados o lateral-esquerdo Leandro González Pirez e o atacante Edwuin Cetré — ambos desfalques hoje. Mesmo assim, não faltará confiança para o treinador Eduardo Domínguez no Maracanã.
— Sabemos a história que esse estádio tem e é bom enfrentar isso, mas somos 11 contra 11. Nós entendemos como temos que jogar fora de casa porque já fizemos isso nesta Libertadores. É entender o funcionamento do rival e para onde queremos levá-lo: para o desconforto. Temos que ser fortes, não apenas fisicamente, mas também mentalmente — projetou.
Na semifinal, o vencedor do confronto entre Flamengo e Estudiantes também será argentino. Na terça, o Racing deu passo importante ao bater o Vélez fora de casa por 1 a 0, no jogo de ida.