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Quem matou Odete Roitman? O final de ‘Vale Tudo’ no Bar da Portuguesa, que, há gerações, mantém clima de sofá de casa

BRCOM by BRCOM
setembro 18, 2025
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Ambiente caseiro no Bar da Portuguesa, em Ramos — Foto: Gabriel de Paiva/22-11-2024

Sexta-feira, 6 de janeiro de 1989. Último capítulo de uma das novelas mais emblemáticas da dramaturgia brasileira: “Vale tudo”. Desde a véspera do Natal, o assunto era um só: quem matou Odete Roitman? Tinha bolão, teoria da conspiração e até finais alternativos escritos só para despistar jornalistas e elenco. Todo mundo tinha um palpite sobre quem teria tirado a vida da vilã favorita da TV brasileira — pelo menos, para mim.

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Tão quente quanto as discussões dos telespectadores da trama de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères era o verão carioca. Era proibitivo ficar em casa no calor escaldante do Rio de Janeiro. O jeito foi ir para o bar.

Ambiente caseiro no Bar da Portuguesa, em Ramos — Foto: Gabriel de Paiva/22-11-2024

Cerveja gelada e sardinha frita a postos, os vizinhos do Bar da Portuguesa, em Ramos, esperaram ansiosos pelo boa-noite de Celso Freitas, no Jornal Nacional, todos vidrados na televisão pendurada na parede. Na hora exata em que o assassino seria revelado: puf! A TV apagou. Até poderia ter sido falta de luz, coisa comum na região. Só que não. Foi traquinagem do Paulinho, filho de Donzília Gomes, a Dondon, dona do bar. O moleque pegou o controle remoto e saiu em carreira. Levou uma bronca daquelas, mas o castigo durou pouco, e o episódio virou história para contar.

Décadas depois, o clima de sofá de casa ainda resiste naquela esquina que parece parada no tempo. As pessoas passam por lá antes mesmo de o bar abrir para filar um cafezinho com canela e pedir a bênção à dona da casa. Quando tem jogo do Vasco, a chopeira termina o segundo tempo cansada. Mas é nos almoços de fim de semana que a arena lota, e fica cheia de clientes que já são da família há mais de uma geração.

Mas nem sempre foi assim. O bar já tinha tradição, é verdade. Era lugar que Pixinguinha ia de pijamas tomar uns biricuticos e contar umas mentiras. Só que até ficar viúva, no fim da década de 1980, Dondon não sabia o que se passava por ali. O negócio não valia nada. Estava falido. Ninguém pagava a conta, era tudo no caderninho.

Numa cena tão simbólica quanto a da tia Celina, na novela, impedindo os fregueses de um restaurante de comer maionese estragada, Dondon, com a força de quem tem 1,53m, decretou o fim da venda da cachaça a metro no balcão, dando um basta às brigas e confusões — e deixando muito marmanjo injuriado.

Na nova fase, ela assumiu o protagonismo da trama, criou três filhos com um olho no petisco e outro na criança. O ovo colorido deu lugar a um dos bolinhos de bacalhau mais famosos da cidade, e a fartura dos pratos ocupou o espaço nos estômagos antes anestesiados pela pinga. Hoje, ela é quase tão prestigiada quanto a estátua de seu cliente mais famoso — Pixinguinha, o mestre do choro —, que ocupa a esquina da Rua Custódio Nunes, e o bar ostenta a placa azul de Patrimônio Cultural do Rio.

Já com os dias contados para o fim (o último capítulo está previsto para o dia 17 de outubro), a novela homônima de Manuela Dias não deve parar o Brasil, muito menos Ramos. Nada contra a trama. Acompanho regularmente como os antigos faziam, no horário em que ela passa na TV. Mas os tempos são outros. Desta vez, Paulinho promete não repetir a travessura e aposta em Maria de Fátima como assassina da vilã. Já eu tenho a certeza de que foi o mordomo, Eugênio, com água que passarinho não bebe, saborizada, claro.

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