O Exército de Israel solicitou ao governo do Estado judeu a suspensão de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, nesta quinta-feira, após o motorista de um caminhão que transportava ajuda para o enclave palestino abrir fogo e matar dois israelenses em uma passagem de fronteira entre a Cisjordânia e a Jordânia. O atirador foi morto no local do atentado.
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“O chefe do Estado-Maior, general Eyal Zamir (…), aconselhou a cúpula política a suspender a entrada de ajuda humanitária proveniente da Jordânia até a conclusão da investigação do incidente e a implementação de procedimentos revisados de triagem para motoristas jordanianos”, informaram os militares em um comunicado.
O agressor, identificado como Abdul Mutaleb al-Qaisi, de 57 anos, chegou ao posto fronteiriço vindo da Jordânia, dirigindo um caminhão que transportava ajuda humanitária. O Ministério das Relações Exteriores jordaniano afirmou que ele era um civil que trabalhou por três meses como motorista em comboios humanitários.
Qaisi desceu do veículo e disparou contra pessoas que estavam no local, segundo o relato do Exército, continuando a agressão com uma faca. Ele acabou morto por forças de segurança israelenses. O caso foi apontado como terrorismo por Israel.
“Hoje, um jordaniano que deveria dirigir um caminhão de ajuda humanitária para Gaza assassinou dois israelenses na passagem de fronteira de Allenby”, publicou o Ministério das Relações Exteriores de Israel em uma publicação no X. “Este é mais um resultado da vil incitação na Jordânia. Este é o resultado da repetição da campanha de mentiras do Hamas. Isso precisa acabar.”
A Jordânia condenou o ataque e anunciou que estava abrindo uma investigação sobre o incidente. Em um comunicado a parte, o Ministério das Relações Exteriores jordaniano dosse que o ataque era “uma ameaça aos interesses do reino e à sua capacidade de entregar ajuda humanitária à Faixa de Gaza”.
Apesar da supremacia militar nas frentes de batalha ativas no Oriente Médio, Israel tem sofrido baixas militares e civis com o prolongamento da guerra em Gaza. O Exército confirmou as mortes de quatro militares no sul do enclave palestino nesta quinta-feira. Na semana passada, seis civis morreram em um ataque a tiros em Jerusalém.
As vítimas do atentado desta quinta-feira eram homens, de 20 e 60 anos, respectivamente. Eles foram socorridos pelo Magen David Adom, o equivalente israelense da Cruz Vermelha, mas foram declarados mortos em seguida.
Em setembro de 2024, um jordaniano atirou e matou três guardas israelenses na mesma passagem de fronteira antes de ser morto. (Com AFP)