Após o anúncio oficial sobre o recuo do Exército de Israel com o início do cessar-fogo, milhares de palestinos começaram a caminhar rumo ao norte da Faixa de Gaza nesta sexta-feira. A retirada das tropas israelenses ocorre horas depois do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aprovar a primeira fase do acordo de paz selado com o grupo terrorista Hamas, que deve libertar os 20 reféns ainda vivos no enclave, além da devolução de 28 corpos, dentro de um prazo de 72 horas.
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Uma multidão de palestinos deslocados para o sul de Gaza começaram a voltar para as suas casas, caminhando quilômetros, em meio à poeira e aos escombros, em direção à Cidade de Gaza, a maior área urbana do enclave, que havia sido palco de uma das maiores ofensivas de Israel na guerra. Quase meio milhão de palestinos que viviam no norte foram deslocados pela operação israelense.
— Graças a Deus, minha casa ainda está de pé — disse Ismail Zayda, de 40 anos, em entrevista à agência Reuters na Cidade de Gaza. — Mas o lugar está destruído, as casas dos meus vizinhos estão destruídas e bairros inteiros desapareceram.
Milhares de palestinos retornam ao norte de Gaza com início de cessar-fogo
Muitos dos que retornam caminham mais de 20 quilômetros, levando nas costas o que restou de seus pertences. Os que ainda têm algum dinheiro pagam caro para alugar carroças puxadas por burros ou pequenos caminhões, na tentativa de encurtar a dura travessia rumo ao norte.
O comunicado do Exército israelense especificou, no entanto, que “as tropas do Comando Sul (…) continuarão eliminando qualquer ameaça imediata” e alertou que algumas áreas ainda são “extremamente perigosas” para a população.
“As tropas começaram a se posicionar ao longo das linhas de retirada, em preparação para o acordo de cessar-fogo e para o retorno dos reféns”, acrescentou o informe.
Segundo o jornal britânico Guardian,o porta-voz militar israelense de língua árabe, Avichay Adraee, disse que os moradores de Gaza poderiam retornar ao norte por rotas específicas, mas os alertou para se afastarem de áreas como Beit Hanoun e a passagem de fronteira de Rafah, onde as tropas permaneceram.
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O cessar-fogo e a libertação dos reféns e de prisioneiros palestinos estão previstos no acordo aprovado na quinta-feira pelo governo de Netanyahu, após quatro dias de negociações indiretas no Egito entre Hamas e Israel. O acordo baseia-se em um plano de 20 pontos anunciado no final de setembro pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que planeja viajar ao Oriente Médio no próximo domingo.
— As forças israelenses retiraram-se de várias zonas da Cidade de Gaza — afirmou Mohamed al Mughayyir, da Defesa Civil, acrescentando que veículos do Exército também se retiraram de várias partes da cidade de Khan Yunis, no sul.
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A porta-voz do governo israelense, Shosh Bedrosian, afirmou que as tropas recuarão até a “Linha Amarela”, a uma distância de entre 1,5 e 3,5 km das fronteiras do território palestino, como parte do plano proposto por Trump. Durante esta primeira parte do processo de retirada, o Exército controlará aproximadamente 53% da Faixa de Gaza.
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Ainda de acordo com a Reuters, no campo de Nusseirat, no centro do enclave, alguns soldados israelenses deixaram suas posições e seguiram para o leste, em direção à fronteira com Israel, embora outras tropas tenham permanecido na área.
— Assim que ouvimos a notícia da trégua e do cessar-fogo, ficamos muito felizes e nos preparamos para voltar para a Cidade de Gaza, para nossas casas. É claro que não há casas, pois foram destruídas — contou o palestino Mahdi Saqla, de 40 anos. — Mas estamos felizes simplesmente por retornar para onde estávamos, mesmo sobre os escombros.
Pelas estradas costeiras estreitas e esburacadas, alguns levantam bandeiras palestinas e fazem sinais de vitória. No entanto, o clima geral é de exaustão. Após meses de fuga, fome e medo, a maioria parece debilitada e desnutrida.

