Fomentar negócios compatíveis com a manutenção da floresta em pé e com as metas brasileiras de clima e biodiversidade é o objetivo da Green Bridge Facility (GBF), iniciativa do Instituto Igarapé que será lançada durante a COP 30, em novembro, em Belém. A proposta é destravar investimentos verdes, oferecendo a empreendedores interessados em apostar nas chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SbN) um mapa de riscos e oportunidades, disponível gratuitamente na plataforma KYT-e (Know Your Territory). A ferramenta reúne dados de todos os municípios brasileiros, com foco especial em oportunidades de investimento em SbN nos setores de floresta e uso da terra.
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A plataforma KYT-e dá acesso ao Índice KYT, que considera mais de 70 indicadores para calcular o nível de oportunidade e risco territorial de cada município. Segundo os dados, 72% dos municípios do bioma Mata Atlântica apresentam alta oportunidade para esse tipo de negócio. Na Amazônia, esse percentual é de 47%.
Ilona Szabó, presidente do Instituto Igarapé e fundadora da GBF, explica que o instituto atua na interseção entre segurança, natureza e clima. Um dos principais focos, diz ela, é compreender o escopo, a escala e a dinâmica do crime ambiental e, a partir disso, desenvolver políticas públicas que fortaleçam os mecanismos de comando e controle. Ela conta que foi a partir desse trabalho que surgiu o interesse de empresas e investidores dispostos a apoiar projetos de Soluções Baseadas na Natureza, mas que não sabiam por onde começar ou como garantir segurança em investimentos como restauração florestal ou agroflorestas na Amazônia.
—Nosso objetivo é ajudar empreendedores e investidores a ‘aterrissar’ nos territórios, permanecer e gerar impactos positivos. Isso está alinhado à meta institucional do Igarapé de apoiar a NDC brasileira a atingir desmatamento zero e restaurar 12 milhões de hectares até 2030. Para chegar lá, é fundamental reduzir riscos territoriais e apoiar quem deseja se estabelecer com segurança e responsabilidade na Amazônia e em outros biomas — afirma Ilona.
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Ela acrescenta que o instituto já tem projetos em parceria com redes de empreendedores e financiadores, como o Nature Investment Lab e o Amazon Investor Coalition, além de trabalhar pela integridade das finanças públicas e privadas junto a instituições como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Há também projetos de grande porte voltados à criação de corredores ecológicos na Mata Atlântica e na Amazônia.
O empreendedor que acessa a plataforma pode seguir duas rotas: se já tiver um município de interesse, basta selecioná-lo no painel territorial; caso contrário, pode usar filtros (como nível de oportunidade e risco, bioma, região, estado ou perfil rural/urbano) para identificar localidades que atendam aos seus critérios.
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Ilona ressalta que risco e oportunidade podem coexistir no mesmo território:
— Um território com capital natural abundante, mas governança fraca, pode ter alta oportunidade e alto risco. Segundo o método KYT, risco e oportunidade são medidos por indicadores distintos. Acreditamos que as novas economias — baseadas na natureza e no clima — geram bens públicos por meio de impacto positivo para a natureza e para as pessoas. Esse modelo econômico é capaz de ocupar o espaço das economias ilícitas —, explica a executiva.
A análise de oportunidade e risco territorial disponível na plataforma KYT-e abrange mais de 70 indicadores de fontes públicas confiáveis, organizados em seis dimensões, permitindo uma visão detalhada do potencial de cada município brasileiro.
- Gestão do Uso da Terra: Avalia como a terra é alocada, conservada e regulamentada. Reflete a qualidade da governança ambiental e da segurança jurídica ao revelar onde a fiscalização é eficaz, a posse da terra é regularizada e onde conflitos ou descumprimento podem ser relevantes para iniciativas de SbN.
- Clima e Natureza: Avalia a linha de base ambiental e as dinâmicas climáticas que moldam a segurança hídrica, a aptidão agrícola, a resiliência dos ecossistemas e o potencial de carbono. Ilumina tanto a estabilidade quanto a volatilidade para revelar como as forças naturais apoiam ou ameaçam o desenvolvimento local.
- Contexto Econômico: Captura a capacidade local de criar e manter valor, baseada na base produtiva local, conectividade de mercado, capital humano, inovação e acesso a financiamento.
- Tecido Social: Examina as condições que favorecem ou dificultam a capacidade de comunidades locais participarem e se beneficiarem do desenvolvimento sustentável.
- Presença Institucional: Analisa o alcance e a confiabilidade de serviços essenciais como saúde, educação e saneamento; bem como indicadores de transparência e gestão fiscal.
- Segurança: Destaca a violência, os conflitos e os acidentes que perturbam a vida cotidiana e a logística, desestimulam investimentos, elevam os custos de compliance e corroem a confiança social.

