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Imagens aéreas de comunidades costeiras da Jamaica mostram a extensão dos estragos. Em Black River, no oeste do país, praticamente nenhuma casa ficou intacta, e áreas rurais estão inundadas.
— A cidade inteira de Black River está devastada — disse o prefeito da cidade, Richard Solomon, em declarações ao jornal britânico Guardian — E essa devastação é tão catastrófica que o primeiro-ministro classificou esta área como epicentro do desastre.
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Com cerca de 130 estradas bloqueadas, de acordo com o Ministério da Infraestrutura, a entrega de ajuda às comunidades isoladas é uma tarefa complexa. Há cerca de 25 mil turistas presos no país, e os aeroportos, especialmente o da capital, Kingston, começam a retomar as operações. Países como o Reino Unido anunciaram que mandarão aeronaves para repatriar seus cidadãos nos próximos dias.
— Acho que a Jamaica inteira está realmente arrasada por causa do que aconteceu — disse a ministra da Informação, Dana Morris Dixon, em entrevista coletiva. — Mas continuamos resilientes.
Furacão Melissa deixa rastro de destruição no sudoeste da Jamaica
Melissa atingiu a Jamaica como um furacão de categoria 5, a mais elevada da escala Saffir-Simpson, com ventos de quase 300km/h, e em questão de horas devastou boa parte da infraestrutura do país caribenho. Cidades e vilarejos ficaram sem eletricidade, sem acesso ao mundo exterior e, em muitos casos, debaixo d’água.
— Em determinado momento, vejo a água na minha cintura e, depois de cerca de 10 minutos, ela está em meu pescoço, e só aí consigo escapar — afirmou à agência Reuters Alfred Hynes, morador de Montego Bay.
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De acordo com o ministro do Governo Local, Desmond McKenzie, que está à frente da operação de gestão de crise, a dificuldade de contato com as áreas mais distantes e isoladas impede uma avaliação do impacto humano da tempestade — em entrevista coletiva em Kingston, nesta quinta-feira, disse não ser possível fornecer “uma atualização adequada sobre o número de mortes até o momento”. Pelo último balanço, cinco pessoas morreram no país.
— Mas o que posso dizer é que houve vítimas e, com base em nossas informações, prevemos que haverá mais — completou.
Em declarações à agência Bloomberg, Chuck Watson, especialista em análise de desastres da Enki Research afirmou que estimativas iniciais apontam para perdas de quase US$ 8 bilhões, equivalente a quase 35% do PIB da ilha caribenha.
— A destruição foi generalizada — afirmou Watson, afirmando que, por ser uma tempestade lenta e com muita chuva, causou bem mais estragos do que tormentas anteriores.
Outro país duramente impactado foi Cuba, onde as autoridades retiraram 735 mil pessoas de áreas de risco nas províncias de Santiago de Cuba, Holguín e Guantánamo. De acordo com o presidente, Miguel Díaz-Canel, o país sofreu “danos consideráveis”, com casas destruídas e ruas inundadas.

Veja imagens do olho do furacão Melissa feitas por avião da Força Aérea dos EUA
Em um raro sinal de diálogo entre Havana e Washington no governo de Donald Trump, o Departamento de Estado afirmou, através de uma declaração, que estava pronto para fornecer ajuda “diretamente e através de parceiros locais que possam entregá-la aos que precisam”. O departamento é comandado por Marco Rubio, filho de cubanos que fugiram da após a Revolução de 1959, mas ele destacou nesta quinta-feira que as leis americanas têm exceções humanitárias ao embargo comercial imposto à ilha. Em resposta, o vice-chanceler cubano, Carlos Fernández de Cossio, afirmou em suas redes sociais que está em contato com o Departamento de Estado e que aguarda instruções.
A Marinha americana anunciou que enviou uma equipe de engenheiros para a Base Naval de Guantánamo, confirmando que Melissa deixou feridos e causou estragos em algumas estruturas, como a torre de controle da pista de pouso usada pela instalação, localizada em solo cubano.
Embora não tenha sido diretamente atingido pelo furacão, 25 pessoas morreram no Haiti, incluindo 10 crianças — 12 pessoas estão desaparecidas. A cidade mais impactada foi Petit-Goave, a 60 km da capital, Porto Príncipe, onde um rio transbordou devido às fortes chuvas e inundou as ruas e estradas. Mais de mil casas foram destruídas, e 12 mil pessoas estão em abrigos. Com o país virtualmente sem governo, envolto em uma série sem fim de crises econômicas e políticas e diante de uma guerra de gangues, o ritmo de envio de ajuda aos afetados é lento, e a catástrofe climática lança ainda mais dúvidas sobre o futuro.
— Se o furacão vier e agravar todos os problemas que já temos, simplesmente morreremos — afirmou Fortune Vital, morador de Les Cayes, em declarações à agência Reuters.
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Segundo estimativas do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância, Melissa impactou as vidas de 700 mil crianças no Caribe. A agência afirma que já está enviando ajuda à Jamaica, Cuba e Haiti, mas que será necessário fazer mais.
“Na sequência das inundações implacáveis que assolaram o Caribe, centenas de milhares de crianças viram suas vidas repentinamente viradas de cabeça para baixo. Essas crianças precisam urgentemente de alimentos, água potável e saneamento básico, acesso a serviços de saúde e nutrição e um caminho de volta à educação”, afirmou, em comunicado, Roberto Benes, diretor regional do Unicef para a região.
As Ilhas Bermudas devem ser atingidas pelo furacão Melissa na noite desta quinta-feira, com a tempestade já em categoria 2. O Centro Nacional de Furacões dos EUA estima ventos de até 165 km/h e uma “rápida deterioração” das condições climáticas antes da passagem da tormenta.
