O Museu Histórico Nacional volta a respirar história. Depois de meses de obras, o espaço reabre parcialmente, no dia 13 de novembro, com “Para além da escravidão: construindo a liberdade negra no mundo”. A exposição, que reúne acervos de seis países e mais de 350 peças e imagens, propõe um diálogo entre passado e presente para refletir sobre o legado da escravidão e a resistência negra, em sintonia com o Mês da Consciência Negra, celebrada no próximo dia 20. A entrada é franca.
Após a estreia global em Washington (EUA), em dezembro de 2024, a exposição chega ao Rio, onde poderá ser visitada até 1º de março de 2026. Depois, ela embarca em uma turnê internacional com paradas na Cidade do Cabo (África do Sul), Dakar (Senegal) e Liverpool (Inglaterra).
Fechado há quase um ano para uma obra elétrica – a primeira nos mais de 100 anos de existência – o MHN começou uma corrida contra o tempo para abrigar a mostra.
Toda a área que circula o Pátio de Canhões, com três grandes galerias no térreo do museu, foi totalmente revitalizada para receber a mostra. Já a parte superior do espaço, que abriga o acervo fixo, continua fechado para obras.
Organizada em seis seções temáticas, “Para além da escravidão” propõe um mergulho no impacto do tráfico de pessoas africanas na formação das sociedades modernas. Entre os destaques, estão peças arqueológicas inéditas retiradas do Cais do Valongo, como contas e fragmentos de cachimbos, expostas pela primeira vez ao público.
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Para o diretor do museu, Cícero de Almeida, esses objetos simbolizam e ajudam a compreender como as desigualdades atuais são heranças diretas da escravidão.
– Essa população que foi sequestrada da África para o resto do mundo resistiu o tempo inteiro. Ela resistiu usando a violência, usando a incorporação, a transformação dos locais, das culturas. E o Brasil tem destaque: vamos da Revolta dos Alfaiates [durante o período colonial] à Marielle Franco. A exposição, o tempo inteiro, quer nos confrontar com esse passado que não passou.
Além de olhar para o passado, a exposição propõe conexões com o presente e o futuro. Um dos núcleos coloca, lado a lado, correntes que um dia prenderam pessoas escravizadas e algemas usadas atualmente em presídios do mundo inteiro, ambas fabricadas pela mesma empresa até hoje.
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A mostra traz ainda a instalação “Canções de liberdade”, com músicas de artistas como Nina Simone, Gilberto Gil, Miriam Makeba e Margareth Menezes, que ecoam a luta e a emancipação negra ao longo do tempo.
Museu renovado e voltado para a cidade
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Para a reabertura — que inclui todo o térreo, com Sala das Carruagens e o Pátio dos Canhões — , o jardim lateral terá foodtrucks. É um ensaio para uma nova fase do MHN. Com sistema elétrico totalmente renovado, o museu prepara-se para receber outras grandes exposições internacionais em 2026.
Novidades incluirão um novo auditório, café e lanchonete. Já a exposição de longa duração do Museu, constituída por módulos, passará por uma “revisão conceitual”, segundo Almeida.
Segundo o diretor, o museu passa a se voltar para o entorno histórico, no Centro da cidade, em um projeto que busca conectar o espaço a uma área que abriga pontos como a Ladeira da Misericórdia, a Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso, o Paço Imperial e o Museu Naval.
– O museu agora vai se conectar com a cidade a partir da sua lateral, onde tem um jardim muito aprazível. Vamos virar para uma área histórica do Rio, e estamos combinando com a Prefeitura de criar uma energia nesse corredor – conta.
Paralelamente à exposição no MHN, há outras três mostras.
- Arquivo Nacional (Praça da República): Recebe “Senhora Liberdade: mulheres desafiam a escravidão” a partir de 14 de novembro. A mostra traz documentos, fotografias e vídeos do acervo da instituição. A visitação também é gratuita, com permanência até 30 de abril de 2026. Seg a sex (exceto feriados), das 8h às 19h. Grátis.
- Instituto Pretos Novos (Gamboa): A partir de 15 de novembro, o local sedia “Conversas inacabadas”, com depoimentos sobre escravidão, memória e resistência. O acervo fica em cartaz até 15 de dezembro. Ter a sex, das 10h às 16h. Sáb, das 10h às 13h. R$ 20. Às terças, grátis para brasileiros.
- Museu do Samba (Mangueira): O ritmo e a arte ganham destaque com “Arte delas: heranças ancestrais”, que entra em cartaz em 15 de novembro e pode ser conferida até o fim de fevereiro de 2026. Ter a sáb, das 10h às 17h. R$ 20 (inteira).

