Depois de um período de reclusão para cuidar da saúde mental, Aline Rosa retorna com um projeto que reflete autoconhecimento, energia e uma nova fase criativa. O álbum de inéditas, que marca a estreia da artista como produtora ao lado de um diretor musical, será lançado em duas partes: a primeira chega no fim de novembro, com músicas mais leves e relax, enquanto a segunda, prevista para dezembro, traz faixas dançantes e carnavalescas, já de olho na folia de 2026. O primeiro single foi lançado nesta quinta-feira (14).
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“Tive um momento de reclusão, de olhar para dentro, e quando comecei a voltar à vida, quis mostrar um pouco das minhas vivências, do que escuto e das minhas referências. Foi daí que surgiu a ideia de um álbum de inéditas. Pela primeira vez, todas as composições são minhas e também estou produzindo, então está sendo uma delícia ver cada detalhe que estava na minha cabeça ganhando forma no estúdio”, conta ao GLOBO.
Aline ressalta que o trabalho reflete não apenas suas experiências pessoais, mas também uma busca por leveza e identificação com o público. “É um álbum sobre o que passei, mas não se resume a isso. Quis fazer de um jeito que não fosse piegas, com o qual as pessoas se identificassem, e canto sobre autoconhecimento, autocuidado e amor-próprio de uma forma que acredito ser leve”, afirma.
Conhecida pelo axé e pela energia do trio elétrico, a cantora agora explora novas sonoridades, como samba-pop e reggae, sem perder a essência da música baiana.
“O que me inspirou foi a vontade de reunir todas as coisas diferentes que eu escuto em um único trabalho. Ouço desde música mineira até música coreana e japonesa, tenho referências diversas ao redor do mundo. Todas me influenciam de alguma forma, e estava tudo guardado”, explica. Ela garante que a segunda parte do álbum trará cinco faixas mais carnavalescas, perfeitas para a folia de Salvador e do Brasil.
Uma das faixas já divulgadas se chama “Wagner Moura”, em homenagem ao ator baiano e à essência da cidade.
“Wagner é um super orgulho para nós, baianos, e para os brasileiros no geral, né? Um belo dia eu estava rolando a tela e vi uma notícia dele, e me veio o pensamento: ‘E se eu fizesse uma música com o nome de Wagner Moura?’. Comecei a mergulhar na história dele, pesquisei tudo, onde ele nasceu, as falas dos filmes. Eu queria uma letra que falasse dele, mas também sobre o molho baiano, essa essência de Salvador que você perguntou e que ele tem de sobra. Fiz a música em uma noite, levei para os meus parceiros e falei: ‘Me digam se estou louca ou se essa música é boa? (risos)’. E todo mundo amou”, relata.
O álbum representa também um marco na carreira de Aline, que assume o papel de produtora e acompanha de perto cada detalhe criativo.
“Nossa, foram tantas lições, tantas camadas. Estou muito realizada nesse papel, porque estou vivendo a música por inteiro. Esse processo tem sido uma delícia e me traz muita autoconfiança, ao criar as músicas do zero. Eu nunca tinha vivido isso dessa forma. Durmo pensando e acordo fazendo; está sendo incrível”, exclama.
Para o verão e o carnaval de 2026, a cantora promete alegria e celebração: “A segunda parte é toda de celebração, de alegria, para se divertir, tanto no carnaval de Salvador quanto no carnaval do Brasil. A agenda é muito corrida, mas é um momento especial para a gente. Nos reconectamos com o público, nos emocionamos. Tenho o meu bloco, o Bloco do Vale, que todo ano sai esgotado, além dos trios de pipoca e dos camarotes. São 21 anos dessa história, e acredito que, com essas músicas, vamos criar muitas memórias especiais de cima do trio.”
Vulnerabilidade e empoderamento
Aline sempre foi aberta sobre os desafios que enfrentou, especialmente a depressão, e vê a vulnerabilidade como ferramenta artística.
“Como pessoa, antes de ser artista, eu me considero muito vulnerável. E gosto de ser assim. Gosto de relações profundas, de me conectar de fato com quem estou conversando. Na música, é do mesmo jeito. Depois que abri o coração para falar sobre saúde mental, me senti muito abraçada pelos fãs. Eles entenderam por que eu não estava tão presente, o meu ‘sumiço’. Acredito que a vulnerabilidade conecta mesmo, é quase um abraço à distância”, avalia.
O projeto também reforça a conexão com os fãs, trazendo uma sonoridade solar e leve, com mensagens de empoderamento e cuidado.
“Eu tenho um público muito fiel, que me acompanha há muitos anos, e também uma galera nova chegando, porque se identifica com a minha história e minhas ideias. Acredito que esse álbum será uma celebração e que eles vão compreender o que quis transmitir, assim como entenderam quando lancei ‘Acredite no Seu Axé’, no início do ano, que aborda saúde mental. Recebi muitas mensagens de pessoas dizendo como essa música as ajudou de alguma forma. Acredito profundamente na transformação que a música pode trazer, e é com esse pensamento que estou lançando este trabalho”, destaca.
Representatividade feminina
Firme em seu propósito de inspirar mulheres e celebrar a força feminina, Aline diz: “Eu fico muito orgulhosa de ver tantas artistas e mulheres fortes brilhando, cada vez mais poderosas e fazendo o que desejam da sua vida e carreira. Eu só quero dar o nome. Tem uma música nesse álbum chamada ‘Cuide-se Bem’, que representa minha criança interior, minha menina, falando comigo, me lembrando de me cuidar e mostrando orgulho de mim. Precisamos olhar para nossa menina interior e dialogar com ela, porque muitas vezes esquecemos, né? Por isso, acredito que meu álbum é uma grande manifestação, e me sinto uma super mulher por ter produzido, escrito e dedicado tanto a esse trabalho.”
Autenticidade em cada nota
Mesmo ao transitar por ritmos variados e experimentar diferentes sonoridades, a autenticidade permanece como fio condutor.
“Não adianta fugir do que somos. Acho que isso não funciona. Não me sinto bem fazendo algo que não gosto, por isso me sinto muito autêntica. Se estou transitando por outros gêneros, é porque, de alguma forma, me identifico com eles”, pontua Aline.
Equilíbrio e motivação
Neste momento, Aline celebra o início de uma fase cheia de possibilidades, criatividade e liberdade de expressão.
“O momento que estou vivendo, de tanta força que há muito tempo não sentia, tem me mantido motivada. Respiro música o tempo todo, estou sempre anotando e rascunhando ideias. Parece que estou no início da carreira, começando do zero, com aquele olhar cheio de infinitas possibilidades. Minha rede de apoio é sólida e me ajuda a organizar o que fazer e o que não fazer, porque o ‘não fazer’ também é importante para manter meu equilíbrio. Às vezes a empolgação é tanta que queremos fazer tudo, e é aí que a rede de apoio se torna essencial”, conclui.

