O governo de Trinidad e Tobago anunciou nesta sexta-feira a realização de manobras militares com os Estados Unidos, previstas para começarem no domingo, e ao menos oficialmente ligadas ao combate ao crime no país. O anúncio veio um dia depois do Departamento da Guerra (antigo Departamento de Defesa) americano lançar a operação “Lança do Sul”, que tem como alvo o narcotráfico, e que pode marcar um novo salto na presença militar na América Latina.
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Em entrevista coletiva na capital, Porto Espanha, o chanceler Sean Sobers disse que as manobras começarão no domingo e se estenderão até a sexta-feira da semana que vem. Sem mencionar os planos americanos ou a crescente inimizade com a Venezuela, ele disse que o treinamento ocorrerá em ambientes urbanos e rurais, com luz natural e à noite, e envolverá equipamentos de transporte, como helicópteros.
Ao justificar as manobras, ele falou da crescente violência armada: em 2024, a taxa de homicídios chegou a 45,7 casos a cada grupo de 100 mil habitantes, sendo que 80% dos assassinatos foram cometidos com armas de fogo, e 44% estão associados às gangues que atuam na república caribenha. Para Sobers, além de demonstrar a “sólida aliança com os EUA”, os exercícios confirmam o compromisso do governo em garantir que as forças de segurança estejam bem treinadas e equipadas.
— Quando comparamos essas estatísticas com as de outros países da região do Caribe, que registram, às vezes, quatro homicídios por mês e mais de 40 por ano, e que estão enfrentando uma onda de crimes, podemos entender por que estamos em uma categoria totalmente diferente — disse Sobers em entrevista coletiva, citado pelo jornal Trinidad & Tobago Guardian, acrescentando que deseja tornar o país “uma zona de paz”.
Na véspera, o procurador-geral de Trinidad e Tobago, John Jeremie, declarou ao jornal Financial Times que os americanos devem intensificar os exercícios no país, dando pistas sobre os treinamentos previstos para começar domingo.
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Segundo o Trinidad & Tobago Guardian, moradores da região norte da ilha de Trinidad — a maior do país — avistaram drones militares. As autoridades não comentaram, mas um relatório publicado na semana passada afirmou que drones do tipo MQ-9A Reaper, de fabricação americana e usado em funções de vigilância, monitoramento e ataque, sobrevoaram a região recentemente.
— Precisamos de uma resposta adequada para isso, porque se algo der errado ou alguém decidir lançar uma bomba, seremos os primeiros a ser afetados. Pessoas tomando decisões, e nós temos que ficar de braços cruzados e simplesmente aceitar? Que absurdo — disse um pescador ouvido pela publicação trinitária.
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Localizada a cerca de 10 km da costa venezuelana, Trinidad e Tobago tornou-se uma importante coadjuvante na operação militar dos EUA no Caribe, oficialmente voltada aos cartéis do narcotráfico na região, mas que alguns veem como a etapa inicial de um plano para derrubar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
O Departamento de Estado oferece uma recompensa de US$ 50 milhões por sua captura, e o presidente Donald Trump autorizou que a CIA, a principal agência de inteligência americana, realize operações dentro da Venezuela. Maduro, afirma Washington, é o chefe de uma organização criminosa conhecida como Cartel dos Sóis, ligada ao narcotráfico. Desde setembro, 20 embarcações supostamente ligadas a carteis foram destruídas no Caribe e Pacífico, deixando mais de 70 mortos e deixando um rastro de questões legais e militares no ar.
No mês passado, um navio de guerra, o USS Gravely, aportou no país para treinamentos conjuntos com as forças locais, causando protestos emCaracas: a primeira ministra, Kamla Persad-Bissessar, eleita com uma plataforma de combate ao crime e aproximação com os EUA, foi declarada persona non-grata pelos venezuelanos, mas não pareceu preocupada.
— Por que eles achariam que eu gostaria de ir para a Venezuela? — disse a jornalistas, no mês passado, acrescentando que, se depender de seu governo, as operações militares entre as duas nações serão mais frequentes.
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Na quinta-feira,o ministro da Guerra, Pete Hegseth, lançou a operação “Lança do Sul”, cujo objetivo é combater grupos denominados “narcoterroristas” na América Latina e intensificar ações que “protejam o país das drogas”. O anúncio coincidiu com a chegada do porta-aviões USS Gerald Ford, o maior navio de guerra americano, ao Caribe, e ao crescente posicionamento de forças do país na região. Em resposta, a Venezuela também incrementou seu estado de preparação para um possível ataque, mas em entrevista à rede CNN, Maduro fez um apelo para que o povo dos EUA se una pela “paz no continente”.
— Chega de guerras intermináveis. Chega de guerras injustas. Chega de Líbia. Chega de Afeganistão — disse Maduro.

