Morreu nesta segunda-feira o cantor e compositor Jards Macalé, que tinha 82 anos. Nas redes sociais, diversos perfis lamentaram a perda do artista. O músico estava internado em hospital na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio de Janeiro, tratando uma broncopneumonia. Ele sofreu uma parada cardíaca.
- ‘A música é o meu bálsamo, minha fonte de juventude’: disse Jards Macalé em última entrevista ao GLOBO
A notícia da morte de Jards, publicada no perfil dele, recebeu diversas manifestações de luto, como do ator Caio Manhente, que lamentou a perda de “mais um mestre”.
“Jards Macalé foi um dos maiores da história da nossa música, muito pouco reconhecido. Essa música especialmente [Sem essa] faz parte da trilha sonora da minha vida. Nem sei quantas dezenas de vezes me emocionei com ela”, disse Caio.
O ator Matheus Nachtergaele lembrou que Jards “chegou a acordar de uma cirurgia cantando ‘Meu Nome é Gal’, com toda a energia e bom humor que sempre teve”.
Outro que prestou uma homenagem nas redes sociais foi o escritor Fernando Morais, que definiu Jards como um de seus ídolos e disse ser “uma pena que tenha ido embora”.
A deputada federal Fernanda Melchionna (Psol-RS) disse que o artista tem um “legado é incomparável” e classificou o artista como “ícone atemporal da música brasileira, um dos grandes nomes da Tropicália” e “artista incansável”.
O senador Humberto Costa (PT-PE) classificou Macalé como ” um dos artistas mais inventivos da música brasileira”.
Nascido em 3 de março de 1943 no tradicional bairro da Tijuca, na Zona Norte do Rio, Jards Anet da Silva cresceu em uma família em que a música era uma atividade cotidiana. Quando criança, tinha na vizinhança grandes nomes do rádio de sua época, como Vicente Celestino e Gilda de Abreu. E mesmo em casa tinha as valsas e modinhas frequentemente tocadas pela mãe, Lígia, ao piano, e pelo pai, que costumava empunhar seu acordeom durante as festas. E elas não eram poucas.
Em 60 anos de carreira, fez um pouco de tudo, trafegando com desenvoltura pelas mais diversas áreas: música, cinema, televisão, teatro e artes plásticas. No cinema, por exemplo, atuou e fez trilha sonora em filme de Nelson Pereira dos Santos.
Multiartista, compôs para exibições de Helio Oiticica, Xico Chaves e Lygia Clark. Dirigiu Maria Bethânia e Gal Costa. Foi parceiro de Waly Salomão, Vinicius de Moraes e José Carlos Capinam. Produziu “Transa” (1972), obra-prima do período de Caetano Veloso no exílio, em Londres.

