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Museu Metropolitano de Arte de Nova York devolve pintura budista levada de tempo durante a Guerra da Coreia

BRCOM by BRCOM
novembro 18, 2025
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Museu Metropolitano de Nova Iorque — Foto: Divulgação

O Museu Metropolitano de Arte de Nova York (Met) anunciou a devolução de uma pintura budista de 227 anos a um templo na Coreia do Sul. Segundo autoridades, a obra teria sido levada do templo durante e Guerra da Coreia (1950-1953), quando o país esteve sob o controle do Exército dos EUA. Intitulada “O Décimo Rei do Inferno”, a pintura é um dos dez pergaminhos retirados do Templo Sinheungsa, na cidade de Sokcho, no nordeste da Coreia do Sul, a aproximadamente 48 quilômetros da fronteira com a Coreia do Norte.

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A repatriação, marcada por uma cerimônia em Seul, ocorre mais de sete décadas após o fim da Guerra da Coreia, em 1953. Um comunicado de imprensa do Met informou que o retorno foi resultado de uma investigação conduzida pelo museu, representantes do templo e o Comitê Sokcho para o Retorno do Patrimônio Cultural, um grupo ativista sul-coreano.

Max Hollein, presidente-executivo do Met, disse no comunicado à imprensa que o museu se sentiu honrado em fazer a parceria com o comitê e o templo para devolver “O Décimo Rei do Inferno”. “O Met tem uma longa história de trabalho com colegas e instituições na Coreia, e esperamos continuar nossos esforços colaborativos para aprimorar a compreensão e a apreciação mundial das artes coreanas”, disse ele.

O Met adquiriu a obra em 2007, e ela foi exibida em exposições de arte coreana no museu em 2008 e 2012. De acordo com o site do museu, o Met comprou a pintura de um colecionador em Los Angeles por meio do marchand de arte Michael C. Hughes. Não ficou claro como o colecionador adquiriu a pintura.

Nas tradições budistas, os Dez Reis do Inferno julgam os falecidos para determinar seu destino. No centro da pintura restaurada, encontra-se o Décimo Rei, rodeado por assistentes e outras figuras do submundo. Os mortos, recebendo punições por suas transgressões, preenchem a metade inferior da obra.

Uma inscrição escrita em hanja, os caracteres chineses tradicionais usados ​​para escrever em coreano, diz: “O Décimo Grande Rei dos Cinco Caminhos e da Lei Correta, no inferno mais escuro, pintado no ano cíclico muo”, uma época que corresponde ao ano de 1798.

Não ficou claro quando exatamente “O Décimo Rei do Inferno” foi removido do templo. Funcionários do Museu Metropolitano disseram apenas que a obra havia sido levada “durante a Guerra da Coreia”.

Em 2020, o Museu de Arte do Condado de Los Angeles devolveu seis dos dez pergaminhos do templo, adquiridos na década de 1990. Na época, representantes do museu afirmaram que uma fotografia do templo tirada por um militar dos EUA no início de 1954 mostrava as pinturas intactas — a guerra já havia acabado, mas o Exército americano ainda controlava a área. Quando um oficial da Marinha dos EUA tirou uma segunda foto alguns meses depois, as pinturas haviam desaparecido.

A devolução da pintura pelo Met significa que sete dos dez pergaminhos já retornaram à Coreia do Sul. Não se sabe ao certo onde estão os três restantes.

Museu Metropolitano de Nova Iorque — Foto: Divulgação

Sunglim Kim, professor associado do Dartmouth College e especialista em arte coreana e história cultural, afirmou que, durante a Guerra da Coreia, templos, sítios culturais e até mesmo residências particulares foram frequentemente danificados, evacuados ou utilizados para fins militares.

“Em inúmeros casos documentados, os itens trazidos para os Estados Unidos por soldados não faziam parte de nenhuma diretriz oficial”, disse ela. “Muitas vezes, eles eram levados porque pareciam ter sido deixados para trás em prédios destruídos ou abandonados”.

Kim afirmou que reconhecer esse contexto não se tratava de atribuir culpa, mas sim de admitir que tais itens faziam parte de uma “categoria distinta de perda cultural”.

Jinyoung Jin, autora de “Arte, Guerra e Exílio na Coreia Moderna”, afirmou que a devolução da pintura foi significativa por reconhecer a vulnerabilidade que o patrimônio cultural pode alcançar durante conflitos armados. Segundo Jin, a repatriação de obras como “O Décimo Rei do Inferno” incentiva as instituições a confrontarem as histórias mais profundas de guerra, ocupação e deslocamento que ainda moldam a forma como a arte coreana é compreendida e preservada.

Em 2023, sob escrutínio de acadêmicos, autoridades policiais e outras entidades, o Met iniciou um esforço para revisar seu acervo e trabalhar na devolução de itens que considerava terem históricos problemáticos. No ano seguinte, o museu nomeou Lucian Simmons, ex-executivo da Sotheby’s, para um cargo recém-criado de chefe de pesquisa de procedência.

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