De todas os izakayas da cidade — e de uns tempos para cá abriram muitos espaços com esse perfil de cozinha japa, que se equipara aos nossos botecos— o KoBa é o mais fiel deles, da comida que serve ao ambiente, no andar de cima do Maria e o Boi, em Ipanema. A escada meio camuflada na lateral com letras em néon nos leva ao espaço de pouco espaço (acomoda 26 pessoas), de pouca luz também e com uma decoração que só se encontra aqui, ali. Ou lá, no Japão.
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Esse diferencial se deve a um ritual cumprido pelos sócios, e são seis, que a cada um ano e meio fazem juntos uma investida pelo Japão profundo, visitam mercados, restaurantes, izakayas, “fuxicam” as internas. O chef Luiz Petit voltou agora, viagem solo, turbinou o cardápio e aplicou macetes simples, como um aperto mais leve com as mãos na hora de moldar o arroz. Fica mais soltinho. E gostoso.
Gosto muito dessa cozinha mais quente dos izakayas, onde combinados, harumakis, teriyakis e que tais não entram na roda. Tako nomiyaki é uma panqueca recheada de polvo, legumes, molho tonkatsu, maionese japa (adoro, como até com ricota), picles e um croque de katsuobushi, o atum sequinho que parece um farelo (R$ 59). Karaage de berinjela é um tipo de empanado servido ali supercrocante, ponto para o chef: quando encontro em outro lugar, chega molengo. Veio com molho agridoce de missô (R$ 24). Já o hamachi kama é bochecha de peixe grelhada (R$ 90), que comi lá para trás, nos áureos tempos do Azumi.
As vieiras são envoltas em algas com gema de ovo de codorna (R$ 39, a dupla); o katsusando, pão brioche com fatias largas de lombo de porco empanado, vem com molho tonkatsu (tipo um barbecue picante), repolho e maionese (R$ 49). E os kobuns, os pães no vapor, podem ter quatro versões de recheio (R$ 38). Fomos de ebi tempura, o camarão crocante. Todos trazem maionese, cebolinha e conservas. Entre os principais, provei pargo grelhado com manteiga de missô, limão e nori (R$ 36) e um corte bovino (gyu donburi) em peça generosa, que ganhou uma manteiga à base da costela de boi, mais um toque de katsuobushi, gema e porção de ikura, as ovas laranjas que estalam na boca (R$ 99). Só provando.
Servem, em copinhos de vidro, bons saquês que podem custar de R$ 37 a R$ 88, dependendo da dose e do rótulo. Cuidado só com a escada. Sobremesas, em casas japonesas, se não for mochi (doce de feijão), dispenso e pulo para o chá. Nada ali é reprodução ou de inspiração à distância. Tem aprendizado in loco, e isso muda tudo.
Rua Maria Quitéria 111, 2º andar, Ipanema (3502-4637). Diariamente, das 12h às 23h.

