O psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) inicia a autobiografia “Memórias, sonhos e reflexões”, publicada postumamente, dizendo que “minha vida é a história de um inconsciente que se realizou”. As teorias deste colaborador de Sigmund Freud (1856-1939), com quem rompeu, ganham interpretações artísticas no Museu da Imagem de Som (MIS) de São Paulo, na exposição “A alma humana, você e o universo de Jung”. A mostra inaugurada nesta quinta (20) propõe ao visitante se analisar.
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— Em um mundo com violências, negacionismos e destruição ambiental, Jung provoca a busca por uma consciência maior sobre a própria vida e pela autonomia — diz Waldemar Magaldi Filho, curador da mostra e fundador do Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa (Ijep).
Os 550 metros quadrados do museu localizado na Zona Oeste da capital paulista se tornaram um percurso pela psique humana. O conceito de sintoma guia o processo de investigação pessoal da mostra. Para Jung, tudo que está no inconsciente se manifesta de alguma forma, pelos sonhos, pelas sincronicidades ou dos sintomas (físicos, psíquicos, sociais e ambientais). Assim, o público atravessa a primeira sala depois de escolher se seguirá o percurso encarando ou evitando esses sinais.
— Estamos em um contexto social tão sintomático e adoecido que achamos que a melhor proposta era começar pelos sintomas — diz Luciana Branco, idealizadora da mostra com Flavio Vieira e Camila Whitaker.
Para cada conceito fundamental da psicologia junguiana, um artista foi convidado a criar uma obra que proponha interpretações. Há esculturas, pinturas, vídeos, áudios e dispositivos interativos.
No trecho dedicado ao inconsciente, são diferenciadas as perspectivas de Jung e de Freud sobre o conceito (para o suíço, origem de tudo, até da consciência; para o fundador da psicanálise, detentor de aspectos reprimidos da personalidade). Na parte sobre mitos, telas de Tania Sassioto, feitas com a analista junguiana Daniela Euzébio, retratam manifestações simbólicas coletivas, de Exu a Ganesha.
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O percurso segue por instalações como “Sombras”, que para Jung são aspectos inconscientes negativos e projetados criticamente diante dos outros. Uma grande e colorida obra de Moara Tupinambá ilustra o fenômeno. Os complexos, tidos como bases da psique, são representados por uma videodança. A instalação “Persona” traz mais de mil máscaras de gesso produzidas pelos estudantes do Ijep. Segundo Waldemar, são as “máscaras sociais” usadas para nos adaptarmos a diferentes contextos sociais.
A sala Explicações Simbólicas contempla o trabalho realizado entre Jung e a psiquiatra brasileira Nise da Silveira, com obras cedidas pelo Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio. Nise foi uma das pioneiras na utilização da arte como terapia e se correspondia com Jung.
