O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), indicou para a presidência do Banco de Brasília (BRB) Nelson de Souza, ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo de Michel Temer. Ele assume a vaga de Paulo Henrique Costa, que comandava a instituição desde 2019 e foi afastado do cargo por decisão judicial, no bojo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que resultou na prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
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A mudança ocorreu menos de 24 horas após a assessoria do governador informar que o BRB seria comandado por Celso Eloi Cavalhero, superintendente da Caixa em Brasília. Com a mudança, o superintendente agora deve ocupar uma diretoria da instituição.
Em nota divulgada ontem a assessoria do governo do Distrito Federal diz que o nome de Nelson foi privilegiado devido ao perfil técnico.
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“O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, indicou Nelson Souza para assumir a presidência do Banco de Brasília (BRB). A escolha do ex-presidente da Caixa Econômica Federal (CEF) para o cargo tem um caráter técnico, pois o escolhido conta com mais de 45 anos de experiência no setor financeiro e bancário”, diz a nota do governo do DF.
A gestão de Ibaneis diz ainda que Souza “encaminhará os documentos necessários ao Banco Central (BC). Depois disso, o nome dele ainda precisa ser aprovado na Câmara Legislativa do Distrito Federal”.
As relações entre o BRB e o Banco Master entraram no radar da Polícia Federal desde que o banco público que tem comando indicado pelo governo do DF anunciou a intenção de comprar o Master ou 58% da instituição, em março, por cerca de R$ 2 bilhões. A investigação revelou indícios de operações inconsistentes entre as duas instituições.
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De acordo com as informações coletadas pela PF, o Master teria vendido carteiras de crédito (principalmente consignado) falsas ao BRB. O tamanho da fraude é estimado pela PF em R$ 12,2 bilhões. Na prática, o BRB pagou por algo pelo qual não receberia nada adiante.
Para realizar essa operação, o Master teria comprado carteiras de crédito de uma empresa de um ex-funcionário sem fazer qualquer pagamento por elas. Essa ausência de fluxo financeiro entre as partes da transação foi detectada pelo Banco Central, que precisava dar seu aval à tentativa de união entre Master e BRB, o que acabou sendo vetado em setembro.
O afastamento de Paulo Henrique Costa ocorreu porque ele participou das decisões internas relacionadas à compra dos ativos do Master. A Justiça entendeu que a permanência no cargo poderia interferir no avanço das investigações.
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Após a revelação do caso, o BRB decidiu contratar uma auditoria externa especializada para apurar transações mencionadas pela Operação Compliance Zero. A decisão foi tomada pelo conselho de administração do banco na noite de terça-feira e comunicada ao mercado ontem, por meio de um comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
De acordo com o comunicado do BRB, a auditoria deve apurar a compra das carteiras de crédito do Master, procedimentos internos usados pelo BRB para aprovar esses negócios, eventuais falhas de governança ou controles internos.
O banco afirmou que mantém compromisso com transparência, governança e comunicação com o mercado.
Documentos internos da área de Supervisão do Banco Central (BC) apontam que o BRB teve de fazer “registros contábeis sem respaldo documental”, ou seja, teve de lançar transações financeiras sem documentos que comprovassem essa movimentação, para se manter dentro das regras definidas para o setor financeiro, depois de comprar carteiras de crédito do Banco Master.
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A suspeita de irregularidades por meio da venda, pelo Master, de carteiras de crédito falsas ao BRB está no cerne da Operação Compliance Zero, que apura as relações entre Master e BRB e resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro na segunda-feira.
Apenas entre julho de 2024 e outubro de 2025, foram transferidos ao grupo Master o correspondente a R$ 16,7 bilhões pelo BRB, de acordo com investigadores.
A área técnica do Banco Central apontou, em documentos internos, que o “elevado apetite por aquisições” gerou impactos operacionais no banco estatal.
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Todos os bancos precisam manter certa quantidade de capital próprio para cobrir os riscos que assumem ao emprestar dinheiro. Isso é medido por um índice, que varia de acordo com o porte da instituição, mas que precisa ser seguido pelos bancos.
Os técnicos do BC constataram, porém, que os índices do BRB já vinham perto do limite mínimo, principalmente em decorrência da aquisição dos ativos do Master, e passaram a ser negativos no início deste ano, em janeiro e fevereiro de 2025.
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“Para não desenquadrar, o BRB realizou registros contábeis sem respaldo documental, baseando-se em contrato de venda da participação societária da BRB Financeira, celebrado apenas em março de 2025”, afirma o documento do BC.
Outro ponto levantado é que dificuldades na internalização das carteiras adquiridas têm gerado “falhas adicionais nos controles internos e na governança” na estatal.
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Em nota divulgada na terça-feira, o BRB disse que “sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência, prestando regularmente informações ao Ministério Público Federal e ao Banco Central do Brasil sobre todas as operações relacionadas ao Banco Master”.
A assessoria de Daniel Vorcaro disse que ele tinha plano de voo a Dubai para se encontrar com os compradores da instituição. “No mesmo dia, advogados, por ele e pelo Banco Master, colocaram-se, como já haviam feito antes, à disposição para cooperar com as autoridades, prover informações, participar de audiências, inclusive com a presença de Vorcaro”.
CVM torna governo do DF réu
O governo do Distrito Federal e a chefe de gabinete do governador Ibaneis Rocha, Juliana Monici, estão sendo acusados em um processo sancionador (isto é, com acusação formulada e que vai a julgamento) da Comissão de Valores Mobiliários (CVM, órgão regulador do mercado) que envolve o BRB.
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Juliana é processada na qualidade de membro do conselho fiscal do BRB, cujo controle é detido justamente pelo governo do Distrito Federal, no qual a executiva ocupa um dos cargos mais importantes.
Os detalhes do processo da CVM não são públicos, mas a nomeação de Juliana para o cargo de conselheira fiscal foi motivo de uma ação popular movida este ano na Justiça do DF e que ainda está em tramitação.
No processo, é questionada a posse de Juliana sob a alegação de que haveria conflito de interesse e de que sua capacidade de fiscalizar os atos do banco controlado pelo governo do DF estaria prejudicada. Não houve, porém, decisão que a removesse do cargo.

