Homenageada pelo Império Serrano no próximo carnaval, a escritora Conceição Evaristo pediu à escola que o enredo — batizado de “Ponciá Evaristo, Flor do Mulungu” — não fosse somente biográfico. Para ela, sua vida não é diferente da de outras mulheres de sua cor: por isso, o carnavalesco Renato Esteves se inspira nas “escrevivências”, termo criado por ela para definir a escrita a partir da experiência de mulheres negras, para montar o desfile. Neste Dia da Consciência Negra, o Reizinho de Madureira divulga um ensaio fotográfico realizado na quadra da agremiação, em que a homenageada posa com a fantasia que será usada pela ala das baianas, para celebrar a ancestralidade.
- Sapateiro favorito das musas e rainhas: Homem aclamado como Mago das Sandálias no Rio já costurou calçado até para Virgínia Fonseca
- Após se despedir do microfone da Beija-Flor, Neguinho surge em vídeo cantando samba da escola para 2026; veja
— Para mim, foi uma alegria muito grande, uma honra. Nunca vesti uma roupa de baiana, e (a primeira vez foi) justamente uma roupa de baiana no Império Serrano, uma escola de tradição, de raiz. E a ala das baianas é justamente uma das alas mais tradicionais da escola. O giro da baiana, de certa forma, segundo a professora Leda Martins, simboliza o tempo africano — observa Conceição sobre o ensaio. — Foi uma experiência que, sem sombra de dúvidas, me traz toda uma memória ancestral.
Com detalhes em verde e dourado, a roupa é inspirada na fantasia usada por outra lenda da cultura brasileira, a imperiana Dona Ivone Lara, no desfile de 1983, em que o enredo do Império foi “Mãe Baiana Mãe”. As fantasias já foram enviadas para o ateliê. A escritora homenageada em 2026, por sua vez, desfilará em cima do carro abre-alas, com outra vestimenta, ainda mantida em segredo.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/C/1/Ms391BTNKAGzd0LrAJ6g/39914616-1302.1983-cromo-sebastiao-marinho-jb-zn-desfile-das-escolas-de-samba-imperio-se.jpg)
Assim como Conceição, outra escritora será enredo neste carnaval. Maria Carolina de Jesus, do clássico “Quarto de despejo”, inspira o desfile da Unidos da Tijuca, no Grupo Especial. Para a homenageada do Império Serrano, esse é um momento de afirmação:
— A gente afirma de ter a literatura como direito de todos e democratiza essa ideia, de que todas as pessoas têm direito ao livro e à escrita.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/D/H/epXzhZQG6XDwYMzwI6nQ/img-8268-2-.jpg)
Presente em quatro das cinco etapas na disputa de samba enredo, Conceição Evaristo acompanha toda a rotina da escola de perto: vai ao ateliê mensalmente, participa das feijoadas e até fez a leitura da sinopse para os compositores. Isso a faz confiante para que a escola, atualmente na Série Ouro, consiga vencer este carnaval, para retornar à elite da folia.
— Acho que a gente vai subir. Está uma alegria muito grande, um bom astral muito grande. Acho que essa positividade e essa alegria, sem sombra de dúvidas, vamos levar para o desfile — completa.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/A/B/MGy6cGRm29w941X35U5Q/img-8344-2-.jpg)

