Na tarde deste sábado (22), o Renascença Clube, no Andaraí, será tomado por mais de cem mulheres que fazem o samba atravessar gerações e fronteiras. A partir das 15h, cantoras, compositoras, instrumentistas e produtoras se reúnem para o 8º Encontro Nacional e Internacional de Mulheres na Roda de Samba — movimento criado por Dorina para ampliar o protagonismo feminino e fortalecer redes de apoio em um cenário onde elas historicamente enfrentam barreiras. Com ingressos a um real, a roda — realizada ao mesmo tempo em outras 24 cidades do Brasil e do exterior —, presta homenagem a duas referências do gênero: Dona Ivone Lara, in memoriam, e Nilze Carvalho, presente desde a primeira edição. Antes delas, já foram celebrados nomes como Beth Carvalho, Elza Soares, Alcione, Teresa Cristina, Áurea Martins e Leci Brandão.
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Sob apresentação da cantora e jornalista Bia Aparecida e direção musical de Ana Paula Cruz e Roberta Nistra, o encontro no Rio terá seis horas de samba. Além de Nilze, estão confirmadas artistas como Ana Costa, Dayse do Banjo, Lu Oliveira, Lazir Sinval, Patricia Mellodi, Dorina e dezenas de outras vozes que formam a rede Mulheres na Roda de Samba. Grupos como Herdeiras do Samba, Matriarcas do Samba e Mulheres da Pequena África também integram a programação.
A proposta vai além do palco. O evento promove acessibilidade com intérpretes de Libras e inclui uma feira com empreendedoras de moda e artesanato. Haverá ainda homenagens a mulheres que se destacam na cultura e no movimento negro, entre elas Conceição Evaristo, Sueli Carneiro, Camille Siston, Rose Maciel, Karynna Spinelli e Andrea Mello.
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Dorina, idealizadora do projeto, destaca que o movimento cresceu porque atendeu a um desejo coletivo:
— Muitas mulheres queriam participar, mas não tinham formação musical ou experiência em rodas. As oficinas gratuitas foram essenciais para abrir portas. Hoje, já somos quase cinco mil mulheres envolvidas.
O encontro também oferece capacitação. Em novembro e dezembro, oficinas de pandeiro e partido-alto, ministradas por Mari Araujo e Gabrielzinho de Irajá, ajudam novas artistas a se inserirem nesse universo. Para Maury Cattermol, diretor de produção, o evento representa transformação.
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— O que começou como resistência virou celeiro de talentos. Mulheres criam projetos, formam grupos, cruzam fronteiras. O peso dessa construção é imenso — diz.
Mais informações no site www.mulheresnarodadesammba.com.br.

