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Chega de nostalgia, seu tempo é agora

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novembro 24, 2025
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Giovani de Oliveira, psicólogo — Foto: Divulgação

Há um tipo de saudade que se disfarça de sabedoria. Ela aparece em frases como “no meu tempo era melhor” ou “antigamente era diferente”, e carrega, por trás da aparente nostalgia, uma recusa silenciosa ao novo. Viver olhando pelo retrovisor pode parecer inofensivo, mas flerta com o perigo de se afastar do aqui e agora.

— A nostalgia é natural e até saudável. Lembrar do que nos trouxe até aqui é uma forma de reconhecer nossa história. O problema é quando o passado ganha um poder exagerado. A gente começa a idealizá-lo e, sem perceber, coloca o presente em segundo plano — explica o psicólogo Giovani de Oliveira.

Para ele, essa tendência de supervalorizar o que já foi funciona como um mecanismo de defesa emocional. A lembrança, editada e seletiva, apaga dores e ressalta apenas o que conforta. Enquanto as dificuldades do presente parecem ter um tamanho muito maior.

— O cérebro guarda o que traz segurança. O passado parece melhor porque já foi vivido, os problemas não eram menores, apenas foram resolvidos. Mas nosso tempo de ação é o agora. É nele que as mudanças e descobertas acontecem — afirma o psicólogo.

Giovani de Oliveira, psicólogo — Foto: Divulgação

Lembrar do que nos trouxe até aqui é uma forma de reconhecer nossa história. O problema é quando o passado ganha um poder exagerado. A gente começa a idealizá-lo e, sem perceber, coloca o presente em segundo plano”

— Giovani de Oliveira, psicólogo

Essa leitura, observa, é especialmente importante na maturidade.

— Depois de certa idade, é comum a sensação de que o melhor já passou. Mas o presente pode ser o momento mais potente da vida: é quando há autonomia, liberdade, clareza sobre o que se quer e o que já não faz sentido — aponta.

A vida nunca para de correr

Para ilustrar, Giovani cita Heráclito, filósofo pré-socrático que dizia que ninguém se banha duas vezes no mesmo rio.

— O rio muda e nós mudamos também. Porque a vida está em movimento. Quando nos fixamos demais no que passou, perdemos a oportunidade de desfrutar o que está acontecendo agora.

Criador de conteúdo sobre viagens e saúde, Dimas Moura, de 68 anos, fez dessa fluidez um estilo de vida. Em seus vídeos na internet, ele fala diretamente a um público maduro, incentivando-o a descobrir o prazer de desfrutar o hoje.

— Viajar é um exercício de presença. Cada lugar novo me convida a sentir o agora e me lembra que a vida continua cheia de possibilidades, independentemente da idade — diz.

Aos 59, Dimas viajou de moto pela Rota 66, na Califórnia. Aos 60, fez o primeiro mochilão. No mês passado, pilotou pela Costa Amalfitana.

– Quero mostrar que envelhecer não é se recolher, é continuar curioso. Tenho amigos que vivem dizendo que o passado era melhor. Eu prefiro acreditar que o melhor tempo é este.

Mesmo reconhecendo o valor das lembranças, ele evita se prender a elas.

— As memórias são parte da minha história, claro. Mas são cicatrizes, marcas que me fizeram quem eu sou. Não quero morar nelas. Quero continuar colecionando experiências novas.

Dimas Moura, produtor de conteúdo — Foto: Divulgação
Dimas Moura, produtor de conteúdo — Foto: Divulgação

As memórias são parte da minha história, claro. Mas são cicatrizes, marcas que me fizeram quem eu sou. Não quero morar nelas. Quero continuar colecionando experiências novas”

— Dimas Moura, produtor de conteúdo

Perder o prazer de estar viva é o risco que, segundo Giovani, a pessoa que se ancora demais no passado corre. Isso pode gerar um sentimento de vazio ou até sintomas depressivos. A saída para isso, explica, é reconectar-se com o cotidiano.

— A felicidade raramente está em grandes eventos. Ela se constrói nas pequenas coisas: o café com a vizinha, o almoço sem pressa, a caminhada no fim do dia. É nisso que mora a sensação de continuidade, de pertencimento. E há muita coisa a ser explorada nessa nova fase.

— O segredo é continuar se movendo, estudando, conhecendo lugares, pessoas, ideias. Cada sonho realizado é combustível para o próximo — emenda Dimas.

Ele lembra de uma cena recente que, para ele, resume essa filosofia.

— Numa viagem, conheci uma senhora sueca de 78 anos. Em cada parada, ela tirava um caderno e desenhava o que via. Nada de celular, nada de foto. Aquele era seu jeito de guardar o momento. É sobre isso que se trata a vida, sobre aproveitar o presente de um jeito que faça sentido para você.

E isso não significa apagar o passado, mas entender que a vida, como o rio de Heráclito, nunca para de correr. O que passou moldou quem somos; o que está diante de nós é o único tempo que temos para agir, desfrutar e transformar o hoje em memórias futuras.

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