Um dia após o comandante do Exército de Israel, Eyal Zamir, anunciar a destituição de três generais e punições contra uma série de outros militares de alta patente pelas falhas de defesa que permitiram o atentado terrorista lançado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, determinou o congelamento das nomeações para cargos militares e uma revisão sobre a apuração feita pelo Exército — medida que reforçou as críticas da sociedade israelense sobre tentativas do governo de interferir em uma investigação que tentou evitar por meses, levantando questões sobre o interesse de manter a responsabilização longe do comando político.
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O chefe do Estado-maior israelense anunciou no domingo as destituições dos generais Aharon Haliva (então chefe de inteligência militar), Oded Basyuk (comandante de operações) e Yaron Finkelman (comandante da região militar sul de Israel) pelas falhas de segurança. Os três foram considerados responsáveis após a apresentação das conclusões de uma investigação sistêmica determinada por Zamir há semanas. Haliva e Finkelman já haviam renunciado e assumindo culpa, enquanto Basyuk se aposentou após a guerra contra o Irã em junho.
Embora o governo israelense tenha afirmado por meses que as investigações para responsabilização de culpados pelo atentado só deveriam ser realizadas após a guerra, Katz ordenou nesta segunda-feira que uma equipe formada por integrantes do Ministério da Defesa investigue um relatório não-oficial de autoria de militares da reserva, que revisaram as investigações internas conduzidas pelo Exército. Entre as alegações do grupo, afirmações de que a investigação oficial não foi realizada adequadamente.
Katz tem medido forças com o comando militar desde que assumiu a pasta da Defesa, em 2024. O ministro cancelou nomeações de oficiais superiores indicados por Zamir e por seu antecessor, Herzi Halevi, e atrasou a promoção de oficiais — incluindo dezenas de coronéis e generais, afirmando não ter sido consultado pelo atual comandante do Exército. Oficiais militares ouvidos pelo Times of Israel alertaram que Katz tenta politizar as Forças Armadas ao assumir o controle das nomeações para altos cargos.
Setores da sociedade israelense acusam o governo Netanyahu de tentar se afastar das falhas que permitiram o atentado, que matou 1,2 mil pessoas em Israel, e deu início à guerra que matou quase 70 mil pessoas em Gaza. Na semana passada, após anos negando a necessidade de indicar culpados antes do fim da guerra, o gabinete do premier nomeou um comitê ministerial especial para decidir sobre a composição e o mandato de uma “comissão de inquérito independente” sobre o ataque do Hamas.
Apesar da maioria da população do Estado judeu ser favorável a uma investigação ampla, esse tipo de comissão costuma ser nomeada pelo presidente da Suprema Corte, e não pelos ministros de governo, cujos atos terão que ser revisados pelos integrantes. O anúncio da comissão acabou por irritar, em vez de apaziguar, os críticos.
Dezenas de milhares de manifestantes se reuniram em Tel Aviv no sábado para protestar contra a indicação da comissão pelo governo — defendida por Netanyahu, que diz que a atribuição de qualquer outro tipo de nomeação deixaria metade do país descontente.
— O governo de Israel falhou em sua missão central: proteger seus filhos — disse um organizador do protesto, Rafi Ben Shitrit, que perdeu seu filho soldado durante o ataque do Hamas, em entrevista ao Financial Times.
Líderes das principais facções de oposição se reuniram publicamente pela primeira vez durante o protesto, incluindo os ex-premiers Naftali Bennett e Yair Lapid, o ex-ministro da Defesa Benny Gantz e os generais aposentados Gadi Eisenkot e Yair Golan. Líder do partido Azul e Branco, uma das principais forças políticas na centro-direita israelense, Gantz disse declarou apoio a Zamir, destacando a decisão difícil de punir companheiros de farda.
A destituição dos generais e sanções contra os comandantes da Marinha e da Aeronáutica, além de medidas disciplinares contra outros quatro generais e vários oficiais de alta patente do Exército, foi a ação mais abrangente e punitiva contra membros das Forças Armadas israelenses em mais de dois anos de guerra.
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No início do mês, um comitê de especialistas designado por Zamir publicou um relatório, que marcou o fim das investigações internas do Exército sobre as deficiências que levaram ao atentado. As investigações iniciais foram apresentadas pelos militares como um esforço para aprender com aquele dia brutal e evitar a repetição dos mesmos erros.
O documento final destaca uma “deficiência sistêmica e organizacional de longa data” dentro do aparato militar, e também enfatizou uma “falha de inteligência” e a “incapacidade para emitir um alerta” sobre os ataques, mesmo quando o Exército tinha “informações excepcionais e de alta qualidade”.
Ainda critica os “processos deficientes de tomada de decisão” e a “mobilização inadequada de forças durante a noite de 7 de outubro de 2023”, assim como falhas em toda a cadeia de comando militar. (Com AFP e NYT)

