Acabo de retornar de uma viagem para Minas Gerais, onde visitei Inhotim, um dos maiores museus a céu aberto do mundo. A experiência impressiona, não só pelas instalações com obras de arte contemporâneas de artistas brasileiros e internacionais, mas pelo convite à imersão.
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Durante o passeio, ouvi turistas falando baixinho entre si algo como “não entendi nada” ou “mas qual o sentido disso?”. E a pergunta que me fiz ao final do dia foi: será que o objetivo é compreender? Cada vez mais percebo a necessidade de tentarmos racionalizar tudo o que consumimos. O problema é que a arte caminha na direção contrária, como um freio contra a pressa de entender e, sobretudo, contra a dificuldade de sentir.
É isso: sentir. As pessoas não se incomodam com aquilo que não sentem, mas com o que não entendem de forma instantânea.
Pesquisas indicam que visitantes de museus passam, em média, oito segundos diante de uma obra. E a maior parte desse curto tempo não é dedicado ao observar, mas à busca por uma foto com o celular ou à leitura de um texto explicativo. Não é à toa que a Tate Modern e outras instituições criaram um guia para promover o “slow looking” (olhar devagar), um convite para permanecer um pouco mais, um olhar sem pressa e sem a necessidade de registrar para o outro.
A arte contemporânea, como a que se vê em Inhotim, desafia ainda mais a necessidade de compreensão imediata. Ela não se explica tão rápido quanto o nosso tempo exige e, muitas vezes, causa estranhamento. E, hoje, a paciência para sentir equivale quase a um luxo. Queremos tudo mastigado.
E aquilo que chega pronto vem incompleto. Uma obra explicada de antemão reduz o espaço de interpretação, que é justamente onde está a experiência. Sem esse espaço, há apenas o consumo. A arte deixa de ser encontro e se torna informação. E informação, por mais útil que seja, não substitui aquilo que só acontece quando nos permitimos sentir.
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O mesmo acontece com a poesia, esse gênero literário que é tão pouco consumido — e grande parte pelo receio de “não entender”. Mas poesia não é sobre decifrar. Em vez de questionar o que o autor quis dizer com esse texto, eu deveria me deixar afetar pela imagem, pelo ritmo, pela respiração do texto.
Ou seja, talvez o problema não esteja na arte, mas nesta tendência contemporânea de transformar tudo em informação — instantânea, explicada e já interpretada por alguém. A questão é a ordem que colocamos nas coisas. A gente desaprendeu a experimentar antes de buscar respostas.
A arte, seja uma obra de museu ou um poema, relembra o contrário: o sentir é a própria experiência. Não precisa vir com justificativa. Não precisa ser traduzido. Não há certo. Talvez estejamos desaprendendo algo essencial, tão simples quanto entrar numa sala e apenas observar ou ler um poema sem pressa de concluir. Talvez “o que isto quer dizer?” deveria dar lugar ao desconforto — e à liberdade — de não saber.

