BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result
No Result
View All Result
BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result

Desfecho da COP30 reforça dilemas ambientais do governo Lula às vésperas da votação sobre vetos ao PL do licenciamento

BRCOM by BRCOM
novembro 26, 2025
in News
0
Ibama concedeu licença de perfuração na Bacia da Foz do Amazonas em outubro — Foto: Divulgação Foresea

Para além da frustração de entidades pelo documento final esvaziado, o desfecho da COP30 na semana passada também reforçou o dilema ambiental enfrentado pelo governo federal. A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta — às vésperas da votação sobre os vetos do petista ao projeto de lei que flexibiliza o licenciamento ambiental, prevista para esta quinta-feira no Congresso — conciliar uma agenda política de preservação, defendida pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ao prosseguimento de empreendimentos criticados por pesquisadores. Se, em Belém, a presidência brasileira da conferência anunciou a elaboração de um mapa do caminho para acabar com combustíveis fósseis, o Ibama concedeu uma licença de perfuração na Bacia da Foz do Amazonas em outubro, após pressão pública de Lula, o que foi lembrado negativamente por diversas vezes durante o encontro na capital paraense.

  • Em meio a atrito com governo: Alcolumbre marca sessão para avaliar vetos de Lula ao PL do Licenciamento Ambiental
  • Após COP30: Justiça manda governo federal e do Amazonas criarem plano de desintrusão para Terra Indígena Tenharim

A expectativa da Petrobras é que a perfuração seja concluída no prazo de cinco meses. O bloco está localizado em águas profundas do Amapá, a 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas e a 175 quilômetros da costa, na Margem Equatorial brasileira. Na avaliação de Mariana Andrade, coordenadora de Oceanos do Greenpeace Brasil, a autorização representa uma “contradição” com a proposta do “mapa do caminho”.

Ibama concedeu licença de perfuração na Bacia da Foz do Amazonas em outubro — Foto: Divulgação Foresea

— Além do Bloco 59, que recebeu a licença de perfuração recentemente, outros 19 blocos foram leiloados na Foz do Amazonas em 2025, e pelo menos outros 28 estão em negociação para retornarem a leilão em 2026. Qualquer avanço exploratório na região é arriscado, sobretudo com a possível flexibilização de licenciamentos — aponta.

Com a exploração na Bacia da Foz do Amazonas, o Brasil pode ficar entre os quatro maiores produtores globais de petróleo na próxima década. Analistas avaliam que o país pode ultrapassar a marca de 5 milhões de barris diários de produção a partir de 2030, ultrapassando Canadá e China, e atrás apenas de Estados Unidos, Arábia Saudita e Rússia. A licença da Petrobras foi concedida após meses de pressão pública de Lula, que, em fevereiro, criticou o que chamou de “lenga-lenga” do Ibama.

— Essa pressão é amplamente prejudicial para o país. O tipo de fala do presidente Lula é muito comum, tendo sido utilizado por diversos presidentes brasileiros, no sentido de tentar pressionar o Ibama a emitir logo uma licença do seu desejo. Mas o licenciamento ambiental é um processo técnico, que não pode sofrer ingerência política. Ele deve respeitar as fases internas do Ibama, e as análises técnicas dos servidores especializados — diz Mauricio Guetta, diretor de Políticas Públicas e Direito da Avaaz e professor de Direito Ambiental.

A pressão pela licença também partiu do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), que é do Amapá e afirmou, em novembro do ano passado, que havia um “claro boicote” do Ibama em relação à Foz do Amazonas. Alcolumbre marcou para quinta-feira uma sessão para votar os vetos de Lula ao projeto de lei que flexibiliza as regras do licenciamento ambiental, em meio a um momento de tensão entre o senador e o governo federal. Com a flexibilização, como a presente na Licença Ambiental Especial (LAE), proposta pelo presidente do Senado, projetos como a exploração de petróleo na Amazônia teriam o licenciamento simplificado, o que é visto com preocupação por cientistas, que temem impactos ambientais.

Outra contradição destacada por especialistas ocorreu pouco mais de 48 horas após o fim da COP30. O governo Lula sancionou uma lei que mantém estímulos a usinas termelétricas a carvão, a mais poluente das fontes de energia, até 2040. Os gases do efeito estufa intensificam o aquecimento global, justamente uma das principais pautas debatidas durante a conferência. Os negociadores buscaram soluções para que o planeta consiga manter a temperatura abaixo do limite de 1,5°C acima da média do período pré-industrial, estabelecido no Acordo de Paris como máximo tolerável.

Usinas termelétricas — Foto: Pixabay
Usinas termelétricas — Foto: Pixabay

A sanção opõe-se à recomendação de veto feita pelo Ministério do Meio Ambiente, que, em manifestação enviada à Casa Civil, afirmou que a medida “contraria a Política Nacional de Mudança do Clima, a Política Nacional de Qualidade do Ar e compromete as metas brasileiras de neutralidade climática até 2050, assumidas em acordos internacionais e estabelecidas no Plano Clima”.

— Os combustíveis fósseis, como carvão, gás e petróleo, são o centro do problema da mudança climática, e o Brasil está incentivando a sua expansão — critica Guetta.

A presidência da COP30 também prometeu criar um mapa do caminho para combate ao desmatamento. O respeito aos direitos dos povos indígenas foi outra pauta contemplada na conferência. No entanto, o licenciamento de duas obras presentes no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi judicializado justamente sob a justificativa de que caminham na direção contrária a esses preceitos.

Em julho, a Justiça Federal determinou a retomada da validade da suspensão das obras de asfaltamento e reconstrução do trecho do meio da rodovia BR-319. Com pouco mais de 850 quilômetros de extensão, a via conecta Manaus, no coração da Floresta Amazônica, a Porto Velho, no arco do desmatamento. A decisão ocorre após uma ação civil pública movida pelo Observatório do Clima pedir a anulação da licença prévia concedida pelo Ibama no último ano do governo Bolsonaro.

Rodovia BR-319, no Amazonas. — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Rodovia BR-319, no Amazonas. — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

A estrada é a única ligação terrestre entre Manaus e o restante do país. A pavimentação dela é apoiada por Lula, pelo governo do Amazonas e por parlamentares da região, mas preocupa pesquisadores da área ambiental pelos elevados impactos, sobretudo o desmatamento, que o asfaltamento pode causar em uma das partes mais bem preservadas do bioma amazônico — que compreende 13 municípios, 42 Unidades de Conservação e 69 Terras Indígenas.

— O asfaltamento do trecho do meio da BR-319, por exemplo, aumentará muito o desmatamento na região, como reconhecem vários documentos constantes no próprio processo de licenciamento do Ibama. Com o aumento do desmatamento, crescem também as emissões de gases de efeito estufa — aponta Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima.

A construção da Ferrogrão também é contestada judicialmente. Os defensores da obra apontam que ela poderá reforçar a infraestrutura de escoamento da produção de grãos, barateando o frete. Lideranças indígenas, por outro lado, apontam que os municípios afetados pelos impactos da via férrea concentram 9,8 milhões de hectares de florestas e savanas ainda intactas. Os povos originários temem que essas terras sejam convertidas em lavouras, fragilizando o equilíbrio das bacias dos rios Xingu e Tapajós.

Ferrogrão: ferrovia de quase mil quilômetros corta Mato Grosso no sentido sul a norte até o Pará — Foto: Tina Coêlho/Terra Imagem
Ferrogrão: ferrovia de quase mil quilômetros corta Mato Grosso no sentido sul a norte até o Pará — Foto: Tina Coêlho/Terra Imagem

Em outubro, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o julgamento sobre a legalidade da construção da ferrovia, após o pedido de vista do ministro Flávio Dino. O caso chegou à Corte por meio de uma ação protocolada pelo PSOL. A sigla alega que as medidas ambientais no processo do licenciamento não foram cumpridas e que o traço da via pode trazer prejuízos às comunidades indígenas próxima ao Parque Nacional do Jamanxim, no Pará.

— A Ferrogrão interfere em áreas protegidas e terras indígenas. Nos preocupa bastante nesses grandes empreendimentos de infraestrutura as alterações que estão sendo feitas pelo Congresso Nacional na legislação do licenciamento ambiental. A LAE, defendida pelo próprio governo, simplificará muito o processo de empreendimentos altamente impactantes e impulsionará desmatamento, degradação e problemas climáticos — afirma Araújo.

Desfecho da COP30 reforça dilemas ambientais do governo Lula às vésperas da votação sobre vetos ao PL do licenciamento

Previous Post

das três questões já anuladas às novas suspeitas, veja quais são as 11 perguntas com indícios de vazamento

Next Post

físico detalha estudo que coloca Cabral chegando ao Brasil pelo RN, não na Bahia

Next Post
O Monte Pascoal, em Porto Seguro, na Bahia: supostamente lembrado na carta de Pero Vaz de Caminha — Foto: Heris Luiz Cordeiro Rocha/Wikimedia Commons

físico detalha estudo que coloca Cabral chegando ao Brasil pelo RN, não na Bahia

  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.

No Result
View All Result
  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.