“O agente secreto” chegou aos cinemas de Nova York nesta quarta-feira, 26 de novembro, e a crítica do principal jornal da cidade americana é só elogios ao longa de Kleber Mendonça Filho. O New York Times chamou o filme brasileiro, que tenta uma indicação ao Oscar 2026, de “arrebatador”. Já a atuação de Wagner Moura foi descrita como “bela” pela principal crítica de cinema do jornal americano, Manohla Dargis, que deu ao longa o selo “NYT Critic’s Pick”, um sinal de distinção concedido pela publicação.
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“Em sua mais recente obra arrebatadora, “O Agente Secreto”, o cineasta brasileiro Kleber Mendonça Filho abraça uma sensibilidade irreverente e encontra humor em meio ao terror. Ambientado em 1977, durante a ditadura militar, o filme evita em grande parte os corredores do poder político e, em vez disso, se passa ao sol, no chão, onde as pessoas vivem o aqui e agora. Alguns celebram o carnaval descalços, dançando alegremente na poeira, enquanto outros tombam pela violência, seu sangue infiltrando-se na terra”, escreve Dargis.
Sobre Wagner Moura, que tem sido cotado pela imprensa americana como um possível indicado ao Oscar de Melhor Ator, a crítica do New York Times diz que “há um ar de desespero em Marcelo, um melancólico belamente interpretado por Wagner Moura, quando ele dirige rumo à cidade do Recife logo após o início do filme.”
Dargis lembra que Recife já foi cenário de outros filmes de Kleber Mendonça Filho, e que o diretor pontua a história por “choques de comédia tão absurdos que fazem o espectador engasgar de tanto rir”. Por fim, ela diz que o diretor brasileiro é “um glorioso inconformista”:
“Aqui, como em outros filmes seus, ele ignora convenções e hierarquias de gênero, mistura o elevado e o vulgar, combinando o refinado com o rude — uma abordagem estética e ética. Aqui, a vida pode ser brutalizante, mas também há amor, música, sol quente, cerveja gelada e, claro, carnaval.”
Escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para concorrer a uma indicação ao Oscar 2026, “O agente secreto” tem mais de 20 prêmios em diversos festivais internacionais, incluindo os de melhor ator e melhor direção recebidos no Festival de Cannes, em maio.
O britânico “The Guardian” deu a cotação máxima de cinco estrelas para o longa, afirmando ser “uma análise extraordinária e quase novelesca da corrupção em todos os níveis”. O jornal diz ainda que o filme é ainda “mais ambicioso, complexo e enigmático” que “Ainda estou aqui”, de Walter Salles.
Para a revista “Variety”, o filme é um “fantástico thriller” e um “deslumbrante drama de época”. A revista destaca o trabalho de Mendonça Filho, que faz uma “robusta imersão sensorial e mnemônica nas imagens, sons e clima sufocante — tanto político quanto meteorológico” no Recife de 1977.
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O “The Hollywood Reporter” destaca o trabalho de Wagner Moura, que nos últimos anos se dedicou à Hollywood (como no filme “Guerra civil” e nas séries “Iluminadas” e “Ladrão de drogas”). “Marcelo é interpretado com olhar profundo e um manto de melancolia e mágoa por Wagner Moura, em um retorno estelar ao cinema brasileiro após vários anos de ausência. Ele sempre foi um bom ator, mas Mendonça Filho o transforma em uma estrela de cinema”, diz a revista.
Para a “BBC”, que relembra o teor sensível de “Ainda estou aqui”, “o thriller político estiloso e vibrante de Kleber Mendonça Filho compensa a falta de sutileza com uma ação eletrizante”.

