O apelo do secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, por mais civilidade nos céus se resume a um pedido simples: não use pijamas em público. Mas e se o seu pijama for um brinde de primeira classe oferecido pela companhia aérea?
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Afinal, um dos muitos privilégios de estar na parte da frente do avião é receber uma roupa aconchegante e com a marca da empresa, feita para embalar o viajante premium exausto em um sono protegido.
Alguns passageiros colecionam esses pijamas, fóruns on-line debatem acaloradamente qual companhia oferece o melhor conjunto, e clientes desfilam com eles pelo corredor como um símbolo de distinção que os separa das massas espremidas atrás da cortina.
O pedido de Duffy desencadeou um debate público sobre os padrões aceitáveis de vestuário — e sobre os limites do que um governo pode dizer aos seus cidadãos para fazer. Alguns podem achar que sua visão ignora um ponto importante: as viagens aéreas se tornaram quase universalmente horríveis, então por que se esforçar mais?
Outros — provavelmente incluindo o próprio Duffy — argumentarão que, embora sejamos mais do que aquilo que vestimos, as roupas que escolhemos são uma expressão de quem aspiramos ser.
— Não estou tentando culpar ninguém, só estou pedindo que todos sejamos melhores e façamos melhor, e todos teremos uma experiência mais agradável — disse Duffy a repórteres nesta semana. — Vamos tentar não usar chinelos e pijamas ao entrar no aeroporto.
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O governo Trump tem se mostrado estranhamente focado em “parecer bem na fita” — seja o secretário de Defesa, Pete Hegseth, exigindo preparo físico de seus guerreiros de rosto bem barbeado ou o próprio presidente Donald Trump redecorando o Salão Oval com detalhes dourados até onde a vista alcança.
É nesse mesmo espírito que Duffy prometeu reviver a “Era de Ouro das Viagens”, com um anúncio recente, repleto de nostalgia, que faz referência a uma época mais civilizada — muito antes de as companhias aéreas de baixo custo terem sido inventadas e de passageiros brigões viralizarem nas redes sociais.
Mas, para muitos viajantes atormentados, o apelo de Duffy à civilidade vai na contramão das deficiências óbvias das viagens aéreas modernas: aeroportos lotados, atrasos de voos, espaços apertados na cabine e serviço de bordo mínimo.
Além disso, nem todos os pijamas são iguais. Os brindes de primeira classe da Delta Airlines, por exemplo, são vendidos por até US$ 100 (cerca de R$ 536) no eBay, e algumas companhias aéreas fizeram parcerias com marcas como a fabricante suíça de roupas íntimas de luxo Zimmerli ou a camiseira Van Laack para criar roupas de descanso para voos.
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A Emirates, por sua vez, se orgulha de oferecer “sleepwear hidratante”, com tecido infundido com manteiga de karité e óleo de argan, que é liberado suavemente conforme você se movimenta.
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De todo modo, as regras de vestir a bordo mudaram tanto quanto as regulamentações de voo nas últimas décadas. Já se foram os dias em que era possível acender um cigarro em qualquer lugar do avião, levar livremente garrafas de bebida alcoólica na bagagem de mão ou entrar na cabine para bater um papo com o comandante a 30 mil pés de altitude.
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Com a democratização das viagens aéreas e as passagens cada vez mais baratas, veio uma erosão da etiqueta. Hoje, os aeroportos estão repletos de turistas vestidos com roupas despreocupadas enquanto enfrentam voos de longa distância, mochileiros usando sandálias ou chinelos e famílias desfilando por aí com pijamas combinando.
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Uma companhia aérea que está na linha de frente das viagens atuais sem frescura, baratas e pouco animadoras virou todo esse debate de cabeça para baixo. Conhecida por gostar de uma boa piada, a equipe de mídia social da companhia aérea irlandesa de baixo custo Ryanair tem se dedicado a provocar seus próprios clientes sem o menor constrangimento.
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“Reservamos o direito de recusar atendimento a qualquer pessoa usando jeans em um voo de quatro horas”, brincou a Ryanair em uma postagem on-line no mês passado.
Por enquanto, pelo menos, pijamas com a marca Ryanair ainda não chegaram ao mercado.

