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Entenda por que retirada do Afeganistão permitiu entrada de afegãos nos EUA; ONU alerta contra estigmatização após ataque

BRCOM by BRCOM
novembro 27, 2025
in News
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Afegãos em fuga desesperada invadem aeroporto e se agarram a aviões em Cabul
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Lançada em agosto de 2021, em meio à caótica e mortal retirada americana do Afeganistão após 20 anos de guerra, a Operação Boas-Vindas aos Aliados oferecia um caminho para que centenas de milhares de afegãos considerados em situação vulnerável — pessoas que trabalharam para os EUA ou integrantes de minorias, por exemplo — se reassentassem nos EUA e escapassem da repressão talibã.

Os aprovados receberam uma permissão de residência válida por dois anos, e uma vez lá teriam a chance de mudar seu status migratório: de acordo com o Departamento de Segurança Interna, 40% de todos imigrantes admitidos podiam requisitar permissões permanentes de estadia. Números do Departamento de Estado revelam que, desde 2021, 190 mil afegãos passaram a morar nos Estados Unidos graças à iniciativa, que em 2022 passou a se chamar Operação Boas Vindas Duradouras.

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Entre eles estava Rahmanullah Lakanwal. Ele chegou aos EUA em agosto de 2021, e em 2024 entrou com pedido de asilo, concedido no ano seguinte. No Afeganistão, ele trabalhou com uma “força aliada” da principal agência de inteligência americana, a CIA, responsável por ataques contra os talibãs e acusada de cometer massacres contra civis na região de Kandahar, bastião do grupo no sul do país. As autoridades dos EUA negam as alegações, e dizem que não passam de propaganda talibã.

Afegãos em fuga desesperada invadem aeroporto e se agarram a aviões em Cabul

Em um comunicado lotado de críticas ao governo de Joe Biden, John Ratcliffe, diretor da CIA, confirmou as ligações passadas de Lakanwal com a agência, mas disse que elas chegaram ao fim “após a caótica retirada”. No texto, ele questionou os critérios para admissão no programa, e afirmou que Lakanwal “jamais deveria ter sido aceito”.

Pelas regras do Departamento de Segurança Interna, o processo de avaliação prévia envolve “triagens biométricas e biográficas conduzidas por profissionais de inteligência, aplicação da lei e contraterrorismo” envolvendo várias agências, incluindo a CIA.

“Se alguém não passar nessas verificações enquanto ainda estiver no exterior, não terá permissão para embarcar em um voo para os Estados Unidos. Além disso, todos os afegãos devem passar pelo mesmo processo que outras pessoas que chegam de fora dos EUA: ou seja, inspeção adicional na chegada e uma segunda inspeção, conforme as circunstâncias exigirem”, afirma o departamento.

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Além dos 190 mil afegãos que vivem nos EUA graças ao programa, cerca de 260 mil pessoas aguardam em países como o Paquistão o resultado de seus pedidos de admissão. Mas o ataque de quarta-feira jogou seus destinos em campo desconhecido.

Pouco depois dos disparos perto da Casa Branca, Donald Trump determinou que todos os afegãos que entraram no país durante o governo Biden, não apenas graças ao programa Operação Boas-Vindas Duradouras, sejam reavaliados, e que sejam tomadas “todas as medidas necessárias para garantir a remoção de qualquer estrangeiro de qualquer país que não pertença a este ou não traga benefício ao nosso país”. Segundo a rede CNN, antes do ataque alguns afegãos já estavam sendo entrevistados pelas autoridades migratórias.

Policiais responderam a relatos de um ataque a tiros perto da Casa Branca — Foto: Eric Lee/The New York Times
Policiais responderam a relatos de um ataque a tiros perto da Casa Branca — Foto: Eric Lee/The New York Times

Em uma medida ainda mais contundente, o Serviço de Imigração e Cidadania determinou que “o processamento de todos os pedidos de imigração relativos a cidadãos afegãos está suspenso por tempo indeterminado, aguardando uma revisão mais aprofundada dos protocolos de segurança e de verificação”. Não há previsão para que os pedidos voltem a ser aceitos, tampouco sobre como será o andamento dos processos em curso.

Nesta quinta-feira, Arafat Jamal, chefe da agência da ONU para refugiados (Acnur) em Cabul, afirmou que o ataque contra os militares “é um crime hediondo do qual essa pessoa é acusada e, se for verdade, como parece ser o caso, certamente o condenamos”. Ao mesmo tempo, se disse preocupado com a ênfase na nacionalidade do suspeito, e afirmou esperar que o caso “não afete a outros afegãos, solicitantes de asilo ou refugiados”, ou que i”manche a imagem de muitos afegãos nos Estados Unidos e em outros países que apoiaram lealmente os americanos durante seu tempo no Afeganistão”.

(Com AFP e New York Times)

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