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vídeos mostram ação de PMs presos por atuação durante megaoperação no Rio

BRCOM by BRCOM
novembro 29, 2025
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Vídeo mostra ação de PMs presos por suspeitas de crimes em megaoperação no Alemão

A 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar do Rio de Janeiro começou a ouvir nesta sexta-feira os cinco agentes do Batalhão de Choque suspeitos de terem praticado furtos e ocultado armamentos durante a megaoperação realizada em 28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão. Foram presos o subtenente Marcelo Luiz do Amaral, o 3º sargento Eduardo de Oliveira Coutinho, o 2º sargento Diogo da Silva Souza, o 2º sargento Charles William Gomes dos Santos e o 2º sargento Marcus Vinícius Ferreira Silva Vieira. Eles foram encaminhados ao presídio da PM no Fonseca, em Niterói, após a análise das imagens captadas pelas câmeras corporais.

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O blog obteve os vídeos que embasam a investigação e revelam como parte da tropa atuou no interior do conjunto de favelas. Em uma das gravações, uma Fiat Toro branca roubada por traficantes aparece estacionada em uma das ruas da comunidade. De dentro da viatura, um policial comenta: “Machado, deixa eu olhar essa Toro aqui”. Em seguida, desce e examina a picape. Ele gira em torno do carro, confere faróis, retrovisores e detalhes da lataria e chega a pedir uma “chave 10” para mexer na estrutura da caminhonete.

Vídeo mostra ação de PMs presos por suspeitas de crimes em megaoperação no Alemão

As imagens mostram que os policiais sabiam que a Toro era furtada e circulava livremente dentro do morro. Em vez de apreender o veículo e apresentá-lo à Polícia Civil, os agentes o inspecionam detalhadamente. Um dos agentes abre o capô, examina o motor e comenta que a picape precisava de manutenção. O sargento Eduardo Coutinho aparece destacando o farol dianteiro, capas de retrovisores e a tampa de proteção do motor. Ao seu lado, o subtenente Marcelo Luiz do Amaral acompanha toda a ação. Quando Coutinho afirma que “tem uma pecinha aqui que eu preciso”, Amaral responde: “A hora é essa”, registrando o aval para o furto. Segundo a Corregedoria, a intenção era lucrar com componentes automotivos de alto valor.

O sargento Diogo da Silva Souza — Foto: Reprodução
O sargento Diogo da Silva Souza — Foto: Reprodução

Outro conjunto de vídeos mostra o desvio de um fuzil durante a megaoperação. Nas gravações, o 2º sargento Diogo da Silva Souza aparece recolhendo a arma do chão após uma troca de tiros com criminosos na parte interna da comunidade. A arma deveria ter sido apresentada em uma das delegacias da Polícia Civil, como determina o protocolo, o que nunca ocorreu. De acordo com a PM, a operação daquele dia apreendeu fuzis de sete modelos diferentes, mas o vídeo não permite identificar com precisão qual o tipo do furtado pelo grupo de Diogo.

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Após recolher o armamento, os policiais deixam o Complexo da Penha e se encontram em uma padaria com outros dois PMs, entre eles o subtenente Marcelo Luiz do Amaral. Nenhum deles registra a apreensão de qualquer fuzil. Em diálogos captados pela câmera corporal, os agentes discutem como esconder a arma. Um deles sugere levar o fuzil para “um lugar deserto”. Outro afirma: “Vou montar novamente”. A Corregedoria afirma que houve “conduta dolosa destinada à ocultação do material bélico”. O fuzil desapareceu e não foi reapresentado.

O subtenente Marcelo Luiz do Amaral — Foto: Reprodução
O subtenente Marcelo Luiz do Amaral — Foto: Reprodução

Em outro ponto da mesma megaoperação, ainda dentro do Complexo da Penha, uma segunda equipe do Choque rendeu um grupo de criminosos no interior de uma casa e apresentou 19 fuzis na delegacia. Contudo, dois policiais — os sargentos Charles William Gomes dos Santos e Marcus Vinícius Ferreira Silva Vieira — ficaram responsáveis por entregar um fuzil adicional e uma pistola de calibre nove milímetros. O fuzil novamente não foi apresentado. No áudio das câmeras, eles aparecem combinando a ocultação: “Vê se não tá aparecendo” e, em seguida, “Tá não, vai”.

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A megaoperação de 28 de outubro terminou com 122 mortos, incluindo cinco policiais, e se tornou a ação policial mais letal da história do país. As imagens das câmeras corporais passaram a ser essenciais para reconstruir o que ocorreu em diferentes pontos da comunidade e identificar discrepâncias entre o relato oficial e o que efetivamente aconteceu durante as horas de confronto.

A Polícia Militar afirmou, em nota, que as prisões ocorreram após a análise técnica das câmeras corporais e que a 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar identificou “indícios de cometimento de crimes militares no decorrer do serviço”. A corporação declarou que “não compactua com desvios de conduta” e que todos os mandados de prisão e busca foram cumpridos.

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A defesa de Diogo da Silva Souza, representado pelo advogado Marcos Espínola, afirmou que a prisão é “desnecessária” e que os policiais “estavam no exercício da profissão, em legítima defesa e em prol da sociedade”. Segundo ele, apenas uma perícia das imagens poderá esclarecer os acontecimentos. O advogado disse que não teve acesso completo aos autos e que “várias perguntas precisam ser feitas” antes de qualquer conclusão. “Prender neste momento por quê? Para quê?”, questionou.

Além das cinco prisões, foram cumpridos quinze mandados de busca e apreensão nas casas dos militares investigados. A Corregedoria também vasculhou os armários dos policiais no Batalhão de Choque, no Centro do Rio, em busca de outros itens possivelmente desviados.

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O blog True Crime já havia revelado que furtos semelhantes ocorreram em outra operação no Complexo do Lins. Na ocasião, câmeras corporais flagraram policiais revirando mochilas, cômodos e gavetas de moradores e separando perfumes, caixas de som, tênis e outros objetos de valor. Eles também foram presos após a Corregedoria comprovar o furto durante o serviço.

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