Uma sessão solene no Senado Federal, acompanhada de missa na Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida, em Brasília, no dia 26 de novembro, comemoraram os 80 anos da Confederação Nacional do Comércio (CNC ). As homenagens à data aconteceram também no Rio de Janeiro, onde a Confederação tem sede física, e incluíram ainda o lançamento de um filme institucional nas redes sociais, do livro com a história da CNC, uma edição limitada de selo comemorativo junto aos Correios e a exposição “80 anos da CNC”, na Câmara dos Deputados.
Principal representante do empresariado do comércio de bens, serviços e turismo, a CNC tem acompanhado e influenciado os grandes ciclos da economia brasileira, da reconstrução do pós‑guerra às transformações digitais e ao avanço do e‑commerce. O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, comemora a relevância da entidade na história econômica do Brasil.
“Chegar aos 80 anos com a relevância que a CNC tem hoje significa olhar para trás e ver que caminhamos lado a lado com a história econômica do Brasil. Ao longo desse percurso, trabalhamos para que o comércio e os serviços se tornassem mais competitivos e produtivos, defendendo menos burocracia, mais segurança jurídica e um ambiente de negócios mais favorável aos investimentos e à geração de empregos”, disse Tadros.
Nos dias atuais, a maior preocupação da entidade se volta para a dívida pública brasileira. Estudos recentes elaborados pela própria CNC apontam que, caso mantida a trajetória atual das contas públicas, a economia brasileira pode sofrer um grande prejuízo nas próximas décadas, em razão do avanço descontrolado do endividamento e de seus efeitos sobre juros, investimento e crescimento.
Chegar aos 80 anos com a relevância que a CNC tem hoje significa olhar para trás e ver que caminhamos lado a lado com a história econômica do Brasil
— José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC‑Sesc‑Senac
A entidade defende uma reforma administrativa “com foco em eficiência, revisão de incentivos e racionalização de gastos”, que poderia gerar economia da ordem de R$ 330 bilhões em dez anos, além de aliviar pressões sobre a política fiscal.
“A CNC trabalha por um Estado mais eficiente, com regras claras e melhor uso dos recursos, visando reduzir desperdícios e ampliar investimentos em serviços essenciais. Nesse sentido, a reforma administrativa é a grande pauta a ser proposta em 2026, dialogando com os setores envolvidos, apresentando propostas técnicas e cobrando compromissos públicos com uma agenda de modernização do Estado que sirva melhor à sociedade e ao setor produtivo”, afirma José Roberto Tadros.
Foi no dia 30 de novembro de 1945 que a CNC foi reconhecida como entidade máxima do empresariado comercial brasileiro. O Brasil da época era ainda dependente das exportações de café e tinha um mercado interno restrito. Do cenário pós-Segunda Guerra (1939-1945) até os dias de hoje, o avanço do setor comercial seguiu tendências globais de inovação tecnológica e de sofisticação dos serviços financeiros, de saúde e de comunicação. O comércio enfrentou ciclos de expansão e retração ligados a políticas econômicas, a reformas e à globalização.
“Hoje, quando o comércio físico disputa espaço com o e‑commerce, lojas virtuais e marketplaces, nossa responsabilidade é ainda maior: modernizar o Sistema CNC–Sesc–Senac, investir em transformação digital e garantir que os empresários que representamos tenham voz ativa nas decisões que afetam o emprego, a renda e o futuro do país”, disse Tadros, que assumiu a presidência da CNC em 2018.
O vídeo comemorativo lançado pela CNC mostra um comércio familiar, essência da proximidade entre clientes, colaboradores, empresários e sistema CNC. O conceito representa a perpetuação das boas práticas que se adaptam aos padrões de consumo com o passar das gerações de empresários e clientes. O livro tem 185 páginas, capa dura, páginas em papel couché e será entregue em uma caixa personalizada como presente a parlamentares, parceiros estratégicos, lideranças históricas e amigos da Confederação. Já o selo, elaborado nas cores azul-marinho e mostarda em fundo branco, representa a solidez e a evolução da Confederação. Com detalhes inspirados no movimento Art Déco, o design traz o número “80” com formas geométricas entrelaçadas, grafismo que remete a continuação, equilíbrio e transformação, reforçando a credibilidade e a estabilidade quemarcam a celebração.
Influência nos debates nacionais
Os estudos e as pesquisas feitos pela CNC desde o início de suas atividades são uma espécie de termômetro da economia brasileira. Muitos desses dados chegam ao Congresso, viram leis e, com isso, ajudam a proteger os empresários. Com isso, a entidade ajuda a monitorar e acompanha o que acontece no setor terciário do país.
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Um exemplo é a Reforma Tributária, promulgada em 20 de dezembro de 2023. Durante a tramitação, a CNC alertou para os riscos da substituição tributária, destacando que a complexidade do sistema poderia prejudicar a competitividade das empresas, especialmente as de menor porte. O Congresso acatou o alerta e ajustou o texto da reforma. Em defesa do Simples Nacional, a CNC formou uma coalizão juntamente com outras entidades, destacando que as mudanças propostas poderiam diminuir a competitividade das pequenas empresas e trazer mais complexidade ao regime. A atuação da coalizão levou o Senado Federal a reconsiderar pontos críticos do Projeto de Lei Complementar (PLP) 68 de 2024, que regulamenta e detalha as regras para implementação dos novos tributos.
A entidade também saiu em defesa do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) e defendeu a adoção de medidas regulatórias adicionais para prevenir e reduzir os impactos gerados na sociedade pelas apostas on-line.
Pesquisas CNC: muito além da informação
ICF – Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias
Trata-se de um indicador com capacidade de medir, com a maior precisão possível, a avaliação que os consumidores fazem sobre aspectos importantes da condição de vida de sua família. Em outubro de 2025, o ICF recuou 0,5%, revelando a maior dependência do consumo no crédito, por causa da necessidade desses recursos para a preparação das festas defim de ano.
Peic – Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor
Orienta os empresários do comércio de bens, serviços e turismo que utilizam o crédito como ferramenta estratégica, com informações sobre o nível de comprometimento da renda do consumidor com dívidas, contas e dívidas em atraso, e sua percepção em relação à capacidade de pagamento. Em outubro de 2025, o percentual de famílias que relataram ter dívidas a vencer alcançou 79,5%,o maior percentual dasérie histórica.
Icec – Índice de Confiança do Empresário do Comércio
É um indicador mensal antecedente, apurado entre os tomadores de decisão das empresas de varejo para detectar as tendências das ações do setor, sob o ponto de vista do empresário. A amostra é composta por aproximadamente seis mil empresas situadas em todas as capitais do país, e os subíndices apresentam dispersões que variam de zero a duzentos pontos. O Icec avalia as condições atuais, as expectativas de curto prazo e as intenções de investimento dos negócios do comércio. Em outubro de 2025, o Icec recuou 1,1% em relação a setembro, a quarta queda seguida, descontados os efeitos sazonais. Com isso, o indicador alcançou 95,7, o menor nível desde maio de 2021 (94,7 pontos).

