O corte de parte do manguezal da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio, gerou indignação entre ambientalistas e frequentadores, após denúncias feitas pelo biólogo Mario Moscatelli. Segundo ele, a intervenção, que, desconfia, teria o objetivo de “desobstruir” a vista para a Árvore de Natal que será inaugurada neste sábado, configuraria supressão irregular de vegetação protegida. Trechos de mangue-vermelho, espécie em pleno período reprodutivo, foram cortados.
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Moscatelli relatou que recebeu mensagens de frequentadores alertando sobre a remoção recente da vegetação. Ao chegar ao local, encontrou, segundo ele, uma área totalmente aberta, sem sombra e sem justificativa técnica.
— Fui surpreendido com mensagens de frequentadores denunciando corte de manguezal. Vim rapidamente para cá e identifiquei cortes completamente indevidos numa área onde o manguezal fazia sombra e não oferecia nenhum tipo de perigo para os transeuntes — afirmou. — A gente cuida dessas árvores 365 dias por ano, há 36 anos. Eu mesmo fazia as podas preventivas. E o que encontrei foi um arrasa-quarteirão.
O biólogo destaca que o impacto negativo ficou visível imediatamente:
— Após o corte, o trecho virou uma Avenida Brasil, totalmente exposto, sem qualquer sombra para os pedestres. Portanto, erro técnico, corte em período reprodutivo, sem oferecer perigo algum aos frequentadores, e ainda expondo o passeio ao sol pleno, em pleno verão. Só falta explicar quem ganha com isso.
Além do desconforto aos frequentadores, Moscatelli enfatiza que a intervenção atingiu uma espécie sensível:
— Árvores de manguezal, em área de preservação permanente e em período reprodutivo, nunca poderiam ser cortadas, salvo risco iminente, que não existia. Estamos falando de mangue vermelho em pleno período reprodutivo sendo derrubado.
Diante da situação, ele acionou representantes da prefeitura, da Comlurb e da subprefeitura da Zona Sul para identificar os responsáveis.
— Falei com a prefeitura, com a Comlurb, com a subprefeitura para saber quem foi o irresponsável, o incompetente, que praticou esse crime ambiental. Não dá para aceitar isso depois de 36 anos de trabalho de recuperação, com apoio da imprensa e parceria institucional — criticou.
Moscatelli frisa que a expectativa em torno da Árvore de Natal — evento que dura cerca de um mês — não pode se sobrepor à preservação ambiental.
— Existe um frisson em torno da inauguração, mas o projeto de recuperação da Lagoa já dura 36 anos. Quem fez isso precisa ser identificado e punido. A Lagoa é um ambiente natural delicado e precisa ser cuidada o ano inteiro — afirmou.
O biólogo reforça que espera a responsabilização dos envolvidos e a adoção de medidas urgentes para evitar novos danos ao manguezal da Lagoa Rodrigo de Freitas.
Em resposta, a Comlurb negou que tenha ocorrido corte irregular e afirmou que a ação consistiu em “manejo para cortar ramos pendentes em direção à ciclovia, que estariam impedindo a passagem de pedestres e bicicletas”, classificando o procedimento como técnico, legal e rotineiro. A companhia informou ainda que suas intervenções na Lagoa priorizam a eliminação de conflitos com a iluminação pública, interferências sobre a ciclovia e áreas de circulação, redução de riscos de queda e correções estruturais e fitossanitárias das árvores. Segundo a nota, os serviços foram executados por equipes especializadas, com acompanhamento de engenheiros florestais e respaldo em laudos.
A Comlurb acrescentou que o manejo arbóreo na Lagoa é permanente, realizado ao longo de todo o ano, “sem qualquer relação com inaugurações, eventos ou ações pontuais”, e destacou o “longo histórico de parceria” com Moscatelli na preservação do ecossistema.

