De piloto estreante a futuro da Audi na Fórmula 1, Gabriel Bortoleto inicia sua segunda temporada na categoria com outras missões e responsabilidades. Em seu primeiro ano, o piloto recebeu a oportunidade de mostrar serviço aos chefes da então Sauber e garantir seu lugar no cockpit neste ano. Agora, o brasileiro de 21 anos é a peça-chave na engrenagem da nova escuderia.
Ao lado de Nico Hulkenberg, de 38 anos e que se encaminha para o fim da carreira, o jovem começa, no GP da Austrália (de hoje para amanhã, às 1h de Brasília), um desafio que vai além de resultados imediatos: ajudar a construir a base esportiva da montadora alemã em sua estreia na principal categoria do automobilismo mundial.
Tudo isso em uma temporada com clima de recomeço. As mudanças nas regras de 2026, que envolvem novos conceitos aerodinâmicos e unidades de potência mais sustentáveis, são consideradas uma das mais profundas da história recente da Fórmula 1.
— Este ano é praticamente um recomeço para todo mundo. Com o regulamento novo, ninguém sabe exatamente onde cada equipe está. A primeira corrida do ano é sempre um grande teste para entender onde estamos. Todo mundo chega com muitas perguntas e poucas respostas — disse Bortoleto após os primeiros treinos livres em Melbourne.
A Audi também é uma novidade, entrando na categoria com estrutura de fábrica e histórico vencedor em outras competições do automobilismo. Porém, com um grande caminho a percorrer. Por isso, os pés no chão de Bortoleto e de toda a equipe em relação aos primeiros movimentos do novo carro.
Mas o brasileiro não esconde a empolgação de fazer parte do projeto que mira grandes resultados nos próximos dez anos.
— Participar do começo de um projeto de fábrica como esse é algo muito especial para qualquer piloto. Dá para sentir o entusiasmo dentro da equipe. Todo mundo quer fazer parte dessa nova história. Quero ver progresso. Progresso com a equipe e progresso meu como piloto. Se conseguirmos melhorar corrida após corrida, os resultados vão aparecer — afirmou.
Em seu ano de estreia, Bortoleto deixou boas impressões em corridas e qualificações, mas marcou apenas 19 pontos e não foi ao pódio — Hulkenberg terminou em terceiro lugar no GP de Silverstone. Para chegar lá, o desempenho do carro será determinante.
Para o ex-piloto e comentarista da TV Globo Luciano Burti, o talento do brasileiro não se discute, mas o início do projeto vai exigir paciência.
— Acredito que ele vai fazer uma temporada muito boa. Ele é um piloto bem preparado, tem velocidade e já conhece todos os circuitos. Se o carro for razoável, ele vai andar bem. Se for menos que isso, vai ter dificuldade. E isso é a Fórmula 1 — resumiu.
O ex-piloto Felipe Massa aponta que o segundo ano costuma ser um momento importante na evolução de qualquer piloto na Fórmula 1, principalmente em uma temporada com mudanças tão profundas no regulamento. A experiência adquirida no ano de estreia, segundo ele, tende a ajudar.
— O segundo ano fortalece o piloto. Ajuda no jeito de trabalhar e de se preparar. Ele já está na equipe há um ano, sem aquela pressão do primeiro ano. Ali, ou tudo dá certo ou você pode talvez não continuar no ano seguinte. Isso ajuda muito o trabalho do Gabriel dentro da equipe — explicou.
Também comentarista dos canais Globo, Rafael complementa que ele Bortoleto deverá buscar mais regularidade no novo ano.
— Ele precisa ter um pouco mais de consistência, ser um pouco mais regular, ainda mais no ano de mudança do regulamento como a gente teve nessa temporada. É mais difícil, tem um pouco mais de responsabilidade e pressão. Mas acredito que ele vai se dar bem também. Já começou muito bem a temporada fazendo bons testes — aponta.
Dificilmente a corrida deste domingo apresentará um cenário claro em relação ao lugar da Audi no grid da F1.
— É a partir de agora que vamos ver quanto a Audi está atrás das outras equipes. Talvez nem só a primeira corrida seja suficiente. Umas três a cinco corridas devem dar uma ideia mais clara de como a equipe vai estar no campeonato — concluiu Felipe Massa.

