Enquanto o Irã promete continuar os ataques a navios e manter o bloqueio do Estreito de Ormuz, cerca de oito trabalhadores foram mortos e 20 mil permanecem presos em embarcações no Golfo Pérsico desde o início do conflito, há pouco mais de uma semana. Outros três marinheiros permanecem desaparecidos após o ataque ao graneleiro tailandês Mayuree Naree. As informações são da rede britânica BBC News. Responsável por escoar cerca de 20% da produção mundial de petróleo, a rota têm sido utilizada como uma das moedas mais fortes da resistência iraniana frente à ofensiva conjunta de EUA e Israel.
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A Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) das Nações Unidas promete colocar a segurança dos homens e mulheres que transportam mercadorias por mar em todo o mundo no topo da sua agenda, em uma reunião prevista para a próxima semana. O encontro de emergência em Londres, no Reino Unido, foi convocado por Egito, França, Catar, Marrocos, Emirados Árabes Unidos, além do país sede.
Na avaliação da BBC, fora a pressão diplomática e uma declaração condenando o que está acontecendo, é difícil ver que medidas a IMO pode tomar. Seus regulamentos exigem que os navios tenham “tripulação suficiente e eficiente”. Com isso, embora esteja tentando coordenar esforços para cuidar daqueles que estão presos a bordo com suprimentos e acesso à internet, eles continuam sendo alvos fáceis para novos ataques iranianos.
Em um primeiro pronunciamento em tom desafiador a EUA e Israel, o novo líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou nesta quinta-feira que o Estreito de Ormuz seguirá bloqueado enquanto durar a hostilidade contra o território iraniano. Mojtaba, filho do ex-líder supremo assassinado, aiatolá Ali Khamenei, fez as primeiras declarações por meio de um comunicado divulgado pelos canais oficiais do regime iraniano — quatro dias após sua nomeação ao cargo, em um momento em que dúvidas sobre seu estado de saúde levantaram questionamentos e que as forças militares do Irã ampliaram os ataques contra alvos ligados ao mercado de petróleo na região.
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“Certamente também deve continuar a ser utilizado o instrumento de bloqueio do Estreito de Ormuz”, afirmou Mojtaba no documento. “Estudos também foram realizados sobre a abertura de outras frentes nas quais o inimigo tem pouca experiência e nas quais será altamente vulnerável. A ativação dessas frentes poderá ocorrer caso a situação de guerra continue e conforme as circunstâncias o permitam”.
Há uma semana, o secretário-geral da OMI, Arsenio Domínguez, informou à agência de notícias AFP que cerca de 20 mil marinheiros e 15 mil passageiros estavam retidos em embarcações no Golfo Pérsico, em consequência da guerra no Oriente Médio e a paralisação do Estreito de Ormuz.
— A OMI está pronta para colaborar com todas as partes interessadas para contribuir para garantir a segurança e o bem-estar dos marinheiros — afirmou o panamenho Domínguez.
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Embora tenha mais de 30 quilômetros de largura no ponto mais próximo entre as margens norte e sul, a parte transitável de Ormuz para os gigantescos petroleiros e navios de carga que cruzam a rota naval é consideravelmente menor. As embarcações percorrem dois corredores marítimos definidos, os canais de tráfego, estabelecidos internacionalmente para organizar o fluxo e evitar acidentes.
Cada um dos canais tem apenas três quilômetros de largura, com uma faixa de separação de outros três quilômetros entre eles. Um corredor é utilizado para entrada e outro para saída do Golfo Pérsico, em um sistema de mão dupla semelhante a uma estrada. Ou seja, todo o tráfego comercial global fica ali, naquele trecho, comprimido em seis quilômetros.
A área reduzida e a previsibilidade sobre o trânsito das embarcações tornam toda a região vulnerável às ações iranianas, cujos mísseis e drones são capazes de cortar toda a extensão do Golfo, e que tem a capacidade de instalar minas navais, capazes de avariar severamente e afundar embarcações de uso militar e civil.

