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Identificação 'zombie' ou aleatória: Movimentos em Ormuz sugerem táticas de camuflagem de navios para escapar de bloqueio dos EUA

BRCOM by BRCOM
abril 15, 2026
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Identificação 'zombie' ou aleatória: Movimentos em Ormuz sugerem táticas de camuflagem de navios para escapar de bloqueio dos EUA


Um novo padrão de atividade enganosa por parte de algumas embarcações nessa importante via marítima indica que o bloqueio imposto pelos Estados Unidos está alterando o comportamento de navios ligados ao Irã.
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Especialistas em inteligência marítima afirmam que, desde que o bloqueio dos EUA a embarcações que entram e saem de portos iranianos entrou em vigor na segunda-feira, mais navios no Estreito de Ormuz e em seus arredores passaram a adotar estratégias para evitar a detecção.
“Agora, estamos começando a ver embarcações desaparecendo ou usando identificação ‘zumbi’ ou aleatória”, disse Ami Daniel, diretor executivo da Windward, empresa de dados de inteligência marítima, em entrevista na terça-feira.
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Nas semanas após o ataque americano-israelense ao Irã no fim de fevereiro, as exportações iranianas continuaram “sem interrupções” e “quase não precisaram sair do radar”, afirmou Daniel. No entanto, nas últimas 24 horas, houve aumento na manipulação de sistemas globais de monitoramento marítimo, indicando que embarcações ligadas ao Irã estão sendo “um pouco mais cautelosas”.
Pelo direito marítimo internacional, a maioria dos grandes navios comerciais deve operar com um transponder que transmite automaticamente dados como nome, localização e rota. Esse sistema inclui um número de identificação de nove dígitos, que funciona como uma espécie de “impressão digital” da embarcação.
Segundo especialistas, navios no Oriente Médio que tentam ocultar sua localização ou falsificar informações vêm utilizando técnicas semelhantes às empregadas pela chamada “frota paralela” da Rússia para driblar sanções após a invasão da Ucrânia, em 2022.
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“Os navios-tanque da frota paralela têm feito experiências com números de identificação apátridas”, disse John CK Daly, pesquisador não residente do Instituto Ásia Central-Cáucaso, em Washington. “O que os russos têm feito é alterar os números.”
Navios petroleiros na região do Estreito de Ormuz
Giuseppe Cacace/AFP
Quando uma embarcação pratica “spoofing” — ou falsificação de sinal —, seu capitão pode inserir dados falsos sobre origem e destino ou até simular a identidade de outro navio. Também é comum desligar temporariamente o transponder, fazendo com que a embarcação “desapareça” de um ponto e reapareça em outro com informações alteradas.
Essa estratégia permitiu à Rússia manter exportações de energia e financiar sua guerra, gerando até 100 bilhões de dólares por ano.
Agora, segundo especialistas, embarcações ligadas ao Irã parecem adotar métodos semelhantes. Alguns navios simplesmente desaparecem dos sistemas, enquanto outros operam sob bandeiras falsas ou mesmo estando sob sanções, de acordo com relatório da Windward divulgado na terça-feira.
“Nos mecanismos de fiscalização anteriores, incluindo o bloqueio da Venezuela em dezembro, os petroleiros sancionados e apátridas eram os principais alvos de interdição”, afirma o relatório. “A movimentação contínua de embarcações com perfis semelhantes indica que os operadores estão testando os limites práticos da fiscalização em tempo real.”
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Ao manipular os sistemas globais de rastreamento, esses chamados “navios fantasmas” podem aumentar a incerteza sobre o que ocorre no Estreito de Ormuz — mesmo que, na prática, não consigam romper o bloqueio.
“Neste momento, o estreito é um ambiente de informação contestado”, disse Erik Bethel, sócio da Mare Liberum, fundo de investimento em tecnologia marítima.
O uso dessas técnicas pode dificultar o trabalho de identificação e interceptação por forças navais. “Um bloqueio só é eficaz se a inteligência por trás das interdições for sólida”, afirmou Bethel.
O sistema marítimo global, no entanto, é complexo. Uma embarcação pode pertencer a um país, ser operada por outro e navegar sob a bandeira de um terceiro — o que torna “muito difícil” identificar os responsáveis reais por cada operação, segundo o especialista.
Empresas de inteligência marítima e forças armadas recorrem a diversas fontes para monitorar navios, como satélites ópticos, radares e sinais de rádio. Também utilizam dados gerados, às vezes sem intenção, por tripulantes por meio de dispositivos pessoais, como celulares e relógios inteligentes.
Ainda assim, apesar das tentativas de driblar a vigilância, especialistas avaliam que o espaço de manobra é limitado. O Estreito de Ormuz é uma via estreita e estratégica, o que dificulta a passagem sem detecção.
Um oficial americano afirmou que mais de 12 navios militares dos EUA estão posicionados em águas internacionais no Golfo de Omã. Na terça-feira, o Comando Central dos Estados Unidos informou que seis navios mercantes obedeceram ordens transmitidas por rádio e retornaram a portos iranianos.
“Minha expectativa é que a Marinha dos EUA consiga manter sua posição no Golfo de Omã”, disse Ami Daniel. “Não acredito que haja uma maneira de romper o bloqueio.”

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