Uma auxiliar de limpeza de 44 anos, moradora do Capão Redondo, já presenciou 12 assaltos no bairro que fica na Zona Sul de São Paulo. A mulher é um retrato do tamanho do problema naquela região da cidade. Dados do Mapa do Crime, ferramenta de monitoramento de roubos exclusiva do GLOBO, mostram que um cinturão formado por três distritos num raio de apenas dois quilômetros na Zona Sul é o novo epicentro dos roubos de celular em São Paulo.
Enquanto os casos caíram em quase toda a região do Centro expandido, que antes era o eixo com a maior concentração de ocorrências, os vizinhos Capão Redondo, Jardim Herculano e Parque Santo Antônio, na periferia, sofreram com a explosão de assaltos em 2025: juntos, eles registraram 4.852 roubos, 14% a mais do que no ano anterior — e se consolidaram como principal foco de expansão dos roubos de celular pela cidade.
CLIQUE AQUI E VEJA NO MAPA DO CRIME A SITUAÇÃO DOS ROUBOS NA SUA RUA
Moradora do Parque Fernanda, que fica no Capão, a auxiliar, que pede para não ser identificada, conta a seguir como a sequência de roubos vem impactando a vida dela e da família na região:
“O primeiro assalto que sofri foi em 2017. De lá pra cá, foi um atrás do outro. Foram 12 assaltos desde então. O último foi em setembro de 2025. Roubaram o carro e o celular do meu sobrinho, colocaram a arma na minha filha e em mim também. Eu estava vindo do mercado nesse dia. Eles, os criminosos, estavam descendo a rua a pé, pensei que iam pegar o ônibus, mas não. Vieram na nossa direção.
Na primeira vez que me roubaram levaram o meu celular. Nas outras vezes, já comecei a sair de casa com um celular quebrado. Também já quase roubaram o meu pagamento também. Eu estudava de noite, e indo para a escola, me assaltaram, voltando para casa, me assaltaram também. Outra vez, me roubaram vindo do serviço. Por isso comecei a andar com o celular quebrado.
Os roubos acontecem mais pela noite. Já aconteceram às 19h, 23h, meia-noite. Aqui, durante a noite, não tem segurança nenhuma. Me dá medo de sair de casa, me dá medo que meus filhos saiam de casa.
VEJA TAMBÉM O MAPA DO CRIME DO RIO
Mesmo saindo de Uber, eles assaltam também. Sinto que nós estamos abandonados, no temos segurança nenhuma. Para mim, a cidade não está ficando mais segura, está cada dia pior”.
Procurada pelo GLOBO sobre o aumento de roubo de celulares em bairros da Zona Sul de São Paulo, a Secretaria de Segurança Pública informou que “sempre que são identificadas variações nos indicadores criminais, inclusive em regiões periféricas, há reavaliação operacional, com possíveis reforços de policiamento, ajustes no patrulhamento e intensificação de investigações, conforme a necessidade local”.
O que é o Mapa do Crime de São Paulo?
O Mapa do Crime de São Paulo foi produzido a partir de microdados de 330 mil boletins de ocorrência disponibilizados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) do estado. Ao contrário do Rio, São Paulo torna públicas as coordenadas e os nomes das ruas das ocorrências. O levantamento cobre roubos ocorridos entre 2023 e 2025. Diferentemente do governo paulista, O GLOBO usou a data do fato — e não a do registro na polícia. Assim, um roubo ocorrido em 31 de dezembro e registrado no dia seguinte é contabilizado no ano correto. Erros de grafia e inconsistências nos dados foram corrigidos com auxílio de inteligência artificial.
VEJA TAMBÉM O MAPA DO CRIME DE NITERÓI
Disponível no site do jornal, com acesso pelo computador, celular ou tablet, a ferramenta permite navegar por uma compilação inédita de dados de roubos na capital, com filtros sobre tipos, marcas e cores dos bens subtraídos.
Para usá-la, busque o endereço da sua casa, do trabalho ou de qualquer outro ponto da cidade e escolha um dos quatro tipos de crime disponíveis: roubo de celular, de carro, de moto e de rua — esse último inclui carteiras, colares, alianças e relógios levados de pedestres. Cada ponto no mapa corresponde a uma ocorrência e, ao ser clicado, mostra detalhes do crime e dados sobre a rua: total de casos em 2025, série histórica dos últimos três anos, bens mais roubados ali e um mapa de calor com horários e dias de maior incidência. Também é possível refinar as buscas por tipo, marca e cor do bem roubado — para descobrir, por exemplo, quantos HB20 brancos foram roubados em determinada via — ou navegar por um ranking de ruas.

