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Vivi para contar: 'Ele tentou arrancar a aliança com o dente', relata médica roubada na Zona Oeste de SP

BRCOM by BRCOM
abril 30, 2026
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Vivi para contar: 'Ele tentou arrancar a aliança com o dente', relata médica roubada na Zona Oeste de SP


Marília Dalprá, médica de 68 anos, é uma das vítimas identificadas pelo mapeamento do GLOBO no Mapa do Crime. Ela foi abordada por dois criminosos enquanto caminhava pela manhã na Avenida Francisco de Paula Vicente de Azevedo no Parque Continental, Zona Oeste de São Paulo, no ano passado. Na tentativa de arrancarem a sua aliança, os assaltantes a agrediram, deixando-a com diversos hematomas, contusão pulmonar e oito fraturas graves nas vértebras e costelas.
CLIQUE AQUI E VEJA NO MAPA DO CRIME A SITUAÇÃO DOS ROUBOS NA SUA RUA
“Eu sou paulistana e moro aqui no Parque Continental há muitos anos. Nesse dia, fui correr como faço todos os dias há mais de 10 anos por volta das 5 horas da manhã. Saí da minha casa e fiz o mesmo caminho de sempre: pego a Avenida Francisco de Paula Vicente de Azevedo, ando uns 300 metros e depois entro num residencial que é praticamente fechado, porque tem guaritas na entrada e na saída. Como corro todo dia nesse residencial, há muitos anos, todos os guardas já me conhecem.
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Nesse dia, fui dez minutos mais cedo que o normal. Saí de casa umas 4h50 e já entrei nessa avenida direto. Nisso eu vi uma moto com dois rapazes e estranhei o farol porque era muito forte, o que me deixou desconfiada. Eles passaram por mim e quando chegaram na esquina, percebi que diminuíram a velocidade e voltaram na minha direção.
Nessa hora já desconfiei que iam me abordar, mas não parei de correr, até que um deles me puxou e eu levei um susto. O rapaz que me abordou pediu meu celular. Expliquei que não tinha, porque estava correndo e não levo. Foi então que ele viu as alianças no meu dedo.
Eram duas alianças, uma do meu casamento e a outra da minha mãe, que quando faleceu pediu para eu guardar no dedo. O homem da garupa falou então pra eu entregar as alianças, e respondi que elas não saíam, que já tinha tentado outras vezes, porque elas realmente estavam presas ao meu dedo. Foi aí que ele pegou a minha mão e tentou arrancar a aliança na dentada.
Foi tudo muito rápido, ele mordeu minha mão inteira várias vezes, tentando tirar a aliança com o dente de tudo que era jeito. Chegou até a entortar uma das alianças e machucou muito a minha mão, mas não conseguiu tirar.
O rapaz que estava dirigindo tinha um copinho acoplado na boca e no nariz, e pensei que ele estava drogado, mas não consegui ver o rosto dele direito justamente por causa desse copinho grudado com uma faixa. Em algum momento ele levantou e me deu uma rasteira. Caí no chão e ele começou a me dar vários pontapés com muita força.
A minha sorte foi que o que mordeu a minha mão agachou na frente da minha cabeça para falar comigo e me ameaçar. Por conta disso, o que estava chutando não conseguiu chutar a cabeça, porque, se ele tivesse chutado, acho que a coisa teria sindo ainda mais grave.
Isso aconteceu em frente a uma das casas. O morador escutou o barulho na câmera e me viu sendo agredida, mas não sabia quem eu era. Ele foi até a garagem e assobiou para assustar os bandidos. Quando ouviram o barulho, recuaram e foram embora.
No momento da agressão, senti muita dor e ouvi o barulho da minha costela quebrando, porque os chutes foram muito fortes. Mesmo assim, consegui levantar e ir embora andando. Quando cheguei em casa, pedi para o meu marido me levar para um pronto socorro e, na tomografia, apareceu uma hemorragia pulmonar. Por causa disso tive que fazer fisioterapia respiratória e fiquei na UTI quatro dias à base de morfina, porque a dor era insuportável. Demorei três meses para me recuperar.
Tive essa hemorragia no pulmão e oito fraturas, sendo quatro vértebras e quatro costelas. A sorte foi que quebrou a vértebra na apófise, que é no bracinho da vértebra, porque se tivesse pegado o corpo da vértebra com a força do chute que ele deu, aí eu poderia ter ficado numa cadeira de rodas o resto da vida.
Como médica, estou acostumada a conviver com a dor alheia e tentar sempre ajudar, nós fortalecemos, de uma certa forma, o nosso emocional para essas questões. Não tenho um trauma em si, mas até hoje eu não gosto de motoqueiros. Meu marido fala assim ‘credo, você está generalizando’, mas insisto que não gosto de motoqueiro. E se tem dois na moto então piorou, fico sempre receosa.
No final, para não perder totalmente o hábito da caminhada, me adaptei e comprei um carro blindado. Agora eu saio às 5 horas da manhã de carro blindado até o residencial fechado e lá dentro eu corro tranquila. Porque pra uma atleta que corre todo dia há muito tempo, ficar cinco meses em recuperação sem poder correr é complicado. Foi a parte mais difícil na minha rotina.
Depois do assalto, fiz o Boletim de Ocorrência e o exame de perícia na delegacia. O médico deu grau máximo de lesão, o que fez com que os criminosos permanecessem mais tempo na cadeia. Sei que um deles, o que me chutou, foi preso, mas não sei se continua. Já o que mordeu a minha mão, eu soube de três versões. Uns falam que ele foi preso e logo solto porque era menor de idade; a segunda versão é que não conseguiram pegar ele porque ele estava numa favela que não é aqui do bairro e que eles estavam negociando a entrega do assaltante com o chefe daquela favela; e a terceira versão foi que ele foi morto. Agora, qual das três versões é a verdadeira, eu não sei.”
Em entrevista à repórter Beatriz Paulino*
O que é o Mapa do Crime de São Paulo?
O Mapa do Crime de São Paulo foi produzido a partir de microdados de 330 mil boletins de ocorrência disponibilizados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) do estado. Ao contrário do Rio, São Paulo torna públicas as coordenadas e os nomes das ruas das ocorrências. O levantamento cobre roubos ocorridos entre 2023 e 2025. Diferentemente do governo paulista, O GLOBO usou a data do fato — e não a do registro na polícia. Assim, um roubo ocorrido em 31 de dezembro e registrado no dia seguinte é contabilizado no ano correto. Erros de grafia e inconsistências nos dados foram corrigidos com auxílio de inteligência artificial.
Disponível no site do jornal, com acesso pelo computador, celular ou tablet, a ferramenta permite navegar por uma compilação inédita de dados de roubos na capital, com filtros sobre tipos, marcas e cores dos bens subtraídos.
Para usá-la, busque o endereço da sua casa, do trabalho ou de qualquer outro ponto da cidade e escolha um dos quatro tipos de crime disponíveis: roubo de celular, de carro, de moto e de rua — esse último inclui carteiras, colares, alianças e relógios levados de pedestres. Cada ponto no mapa corresponde a uma ocorrência e, ao ser clicado, mostra detalhes do crime e dados sobre a rua: total de casos em 2025, série histórica dos últimos três anos, bens mais roubados ali e um mapa de calor com horários e dias de maior incidência. Também é possível refinar as buscas por tipo, marca e cor do bem roubado — para descobrir, por exemplo, quantos HB20 brancos foram roubados em determinada via — ou navegar por um ranking de ruas.
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