BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result
No Result
View All Result
BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result

Black Hawk de R$ 70 milhões entra na mira do governo e pode ter compra suspensa no Rio

BRCOM by BRCOM
maio 4, 2026
in News
0
Modelo de helicóptero da PM durente sobrevoo de monitoramento na praia do Arpoador — Foto: Gabriel de Paiva

O secretário da Casa Civil do Rio, Flávio Willeman, ao analisar o contrato para a compra de um helicóptero Sikorsky UH-60L Black Hawk — o mesmo que aparece em cenas do filme americano Falcão Negro em Perigo —, admite a possibilidade de a licitação não seguir adiante. A informação foi confirmada por ele, por meio de sua assessoria de imprensa. Segundo Willeman, a Casa Civil avalia “questões técnicas e jurídicas” da contratação. Não há prazo definido para uma decisão final.

  • Contrato cancelado: TCE suspende ata de R$ 79,8 milhões com a XPTO, empresa contratada para reconhecimento facial no show de Shakira
  • Onde foi parar: Sumiço de máquina de cigarros da Cidade da Polícia completou três anos e ainda segue sem pistas

A aquisição havia sido anunciada com destaque pelo então governador Cláudio Castro, em 28 de janeiro, durante a cerimônia de formatura de 474 novos soldados no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP), em Sulacap, Zona Oeste. Em vídeo publicado na ocasião em sua conta oficial nas redes sociais, Castro classificou a operação como “uma aquisição histórica” e prometeu que a aeronave estaria no Rio “antes do mês de abril”.

O mês terminou e a expectativa é de que o helicóptero não seja adquirido. Entre as preocupações em discussão na nova gestão está o uso operacional do equipamento em favelas. Segundo fontes, o governador interino, o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), chegou a comentar com Willeman — escolhido por ele para comandar a Casa Civil — sobre a possibilidade de a aeronave destelhar casas de moradores em comunidades. O Black Hawk produz um fluxo descendente de ar — o chamado “rotor wash” — capaz de provocar danos a estruturas leves quando opera em baixa altitude.

Conteúdo:

Toggle
  • Exemplos do uso do helicóptero no exterior
  • Para que serve o Black Hawk?
  • Contrato fechado no apagar das luzes do governo Castro
      • Black Hawk de R$ 70 milhões entra na mira do governo e pode ter compra suspensa no Rio

Exemplos do uso do helicóptero no exterior

Em outubro de 2024, durante uma operação de socorro às vítimas do furacão Helene, na Carolina do Norte, um Black Hawk da Guarda Nacional americana, ao tentar pousar em um centro de distribuição de doações na cidade de Burnsville, gerou um “rotor wash” que destruiu tendas e espalhou suprimentos. A tripulação foi suspensa e investigada pelo comando militar. No livro Black Hawk Down, de Mark Bowden, sobre a operação militar americana em Mogadíscio, na Somália, em 1993, o autor descreve episódios em que o sobrevoo da aeronave arrancou telhados de zinco de casas e provocou ferimentos em moradores.

O uso de helicópteros em operações policiais nas favelas do Rio é objeto da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, conhecida como “ADPF das Favelas”. Ajuizada em 2019 pelo PSB, a ação resultou, em 2020, em decisão cautelar do Supremo Tribunal Federal que restringiu o uso de aeronaves a “casos de estrita necessidade, comprovada por meio da produção de relatório circunstanciado ao término da operação”. Em abril de 2025, o STF concluiu o julgamento de mérito por unanimidade, mantendo o regime restritivo e exigindo que a polícia elabore protocolos para o uso de helicópteros, blindados e drones, com comunicação ao Ministério Público do Rio.

  • De volta ao passado: Grupo Astra, jóqueis e expressões da era do ex-chefe da Polícia Civil Hélio Luz ressurgem após a saída de Castro

O Contrato nº 002/2026 foi formalizado em fevereiro deste ano, decorrente do Pregão Eletrônico Internacional aberto em agosto de 2025 — modalidade prevista no artigo 17, parágrafo 2º, e nos artigos 29 e 52 da Lei nº 14.133/2021. O processo administrativo (SEI-350006/007998/2025) foi iniciado pelo coronel Eduardo Augusto Gonçalves Anjo, então diretor-geral de Apoio Logístico da PMERJ, na qualidade de ordenador de despesas. A homologação do certame foi registrada no Tribunal de Contas do Estado em 22 de janeiro — seis dias antes do anúncio público feito por Castro no CFAP. O contrato foi protocolado no TCE-RJ em 10 de fevereiro, mesma data em que se iniciou o prazo de execução.

A Secretaria de Estado de Polícia Militar (SEPM), responsável pela contratação, afirmou em nota oficial que o Contrato nº 002/2026 segue em vigor e que a Blue Air Táxi Aéreo Ltda., contratada para o fornecimento, tem 12 meses, contados da assinatura em fevereiro, para entregar a aeronave.

Para que serve o Black Hawk?

O Sikorsky UH-60L Black Hawk é um helicóptero militar bimotor desenvolvido nos Estados Unidos para missões de transporte tático, infiltração e extração de tropas, evacuação aeromédica e apoio a operações especiais. Tem velocidade máxima de 294 km/h, autonomia de aproximadamente 590 km e capacidade para quatro tripulantes e até 11 soldados equipados.

A versão adquirida pela PMERJ é usada — não nova — e contará com blindagem reforçada. Algumas funcionalidades militares sensíveis, como sistemas de contramedidas para despistar mísseis e a metralhadora lateral, não serão entregues devido a restrições da legislação americana, que reserva esses equipamentos às Forças Armadas. Pilotos do Grupamento Aeromóvel da PMERJ foram enviados aos Estados Unidos para treinamento e inspeções técnicas da aeronave.

O Brasil opera atualmente 26 helicópteros Black Hawk, todos sob comando das Forças Armadas — Aeronáutica, Exército e Marinha. A PMERJ seria a primeira polícia estadual do país a incorporar o modelo. Atualmente, o Grupamento Aeromóvel da corporação opera helicópteros Bell Huey II, Leonardo AW169, AW119 e Airbus/Helibras H125 Esquilo. O Black Hawk seria a aeronave de maior porte e capacidade tática da frota.

Modelo de helicóptero da PM durente sobrevoo de monitoramento na praia do Arpoador — Foto: Gabriel de Paiva

Contrato fechado no apagar das luzes do governo Castro

A aquisição foi um dos últimos atos relevantes do governo Cláudio Castro. O ex-governador renunciou ao cargo em 23 de março para se desincompatibilizar e disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições de outubro. Um dia depois, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o declarou inelegível pelo prazo de oito anos por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, no caso conhecido como “escândalo do Ceperj”. Castro nega as acusações.

Desde então, o cargo de governador vem sendo exercido interinamente pelo desembargador Ricardo Couto, o terceiro na linha de sucessão de Cláudio Castro. Thiago Pampolha, então vice-governador do Rio, renunciou ao cargo em maio de 2025 para assumir uma vaga como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, foi preso pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne.

Esse cenário gerou uma crise sucessória. Douglas Ruas (PL) foi eleito presidente da Alerj em 17 de abril de 2026, mas o ministro Cristiano Zanin (STF) decidiu manter o desembargador Ricardo Couto como governador interino do Rio. A decisão impediu que Ruas assumisse o comando estadual, mantendo a atual interinidade até a definição sobre o mandato-tampão.

Ricardo Couto fez novas mudanças em cargos estratégicos do governo estadual — Foto: Vera Araújo 25/03/2026
Ricardo Couto fez novas mudanças em cargos estratégicos do governo estadual — Foto: Vera Araújo 25/03/2026

O advogado Flávio Willeman assumiu a Casa Civil por escolha de Couto. A pasta foi procurada, por meio de sua assessoria de imprensa, para se manifestar formalmente sobre a análise do contrato e detalhar o que está sendo estudado, mas, por enquanto, o processo segue em andamento.

A Blue Air Táxi Aéreo Ltda. também foi procurada e questionada sobre eventual notificação de revisão do contrato, o estágio atual da aquisição da aeronave e a possibilidade de pagamento parcial, mas ainda não respondeu ao blog Segredos do Crime.

A reportagem também questionou Cláudio Castro, por meio de sua assessoria pessoal, para que se manifestasse sobre eventual revisão do contrato anunciado por ele em janeiro, mas não houve resposta.

Black Hawk de R$ 70 milhões entra na mira do governo e pode ter compra suspensa no Rio

Previous Post

Barcas encalhadas na Barra: entraves ameaçam plano de transporte de passageiros

  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.

No Result
View All Result
  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.