A Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj), que reúne grandes redes supermercadistas fluminenses, orientou o “recolhimento imediato” dos produtos da marca Ypê afetados pela ordem de recall da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nesta quinta-feira, a agência identificou, após uma inspeção em uma fábrica no estado de São Paulo, “risco à segurança sanitária” de mais de 20 produtos e determinou “suspensão imediata do uso” e recolhimento das mercadorias.
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A orientação da Asserj recai tanto sobre produtos nas gôndolas quanto nos estoques dos supermercados, “em prol da segurança dos consumidores”. A recomendação foi enviada aos associados após a repercussão do caso envolvendo lotes da marca.
Em comunicado, o consultor técnico de Segurança Alimentar da entidade, Flávio Graça, afirmou que o comerciante integra a cadeia de fornecimento e “pode responder solidariamente por danos decorrentes da comercialização de produtos que apresentem risco à saúde ou estejam em desacordo com determinações sanitárias”.
Até o momento, porém, supermercados visitados pelo GLOBO no Rio de Janeiro afirmaram não ter recebido orientação formal para recolhimento dos produtos por parte de órgãos reguladores, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ou de defesa do consumidor como o Procon-RJ, nem comunicação direta da fabricante determinando a retirada imediata das mercadorias.
No supermercado Campeão, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, o gerente Jorge Roberto dos Santos disse ter tomado conhecimento da situação apenas após ser procurado pelo repórter. Ao entrar em contato com um superior responsável pelas compras da unidade, recebeu orientação para manter os produtos nas gôndolas. Segundo ele, apesar da repercussão do caso, a rede ainda não havia recebido comunicação oficial da Ypê solicitando o recolhimento.
Também em Vila Isabel, uma unidade da atacadista Assaí mantinha expostos produtos identificados com final de lote 1. No fim da manhã, a gerente Silvia de Carvalho afirmou desconhecer a situação e disse que não havia recebido qualquer orientação sobre retirada das mercadorias das prateleiras.
Em uma unidade do Prezunic, a gerente também informou que não havia recebido orientação para retirar os produtos das prateleiras. Segundo ela, a área jurídica da rede mantinha contato com a Asserj para obter mais informações sobre o caso. Procurada pelo GLOBO, a assessoria de imprensa da rede não se manifestou.
O GLOBO entrou em contato com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), mas a instituição não retornou contato até a publicação desta reportagem.

