O menu do almoço entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o americano Donald Trump, após encontro na Casa Branca nesta quinta-feira, incluiu filé de carne vermelha, ainda que houvesse opções para vegetarianos.
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O fato de que o prato principal incluía uma opção de carne bovina é simbólico. EUA e Brasil são os dois maiores produtores mundiais e possuem os maiores rebanhos.
A brasileira JBS, da família Batista, é dona de frigoríficos americanos — e o tarifaço imposto sobre as exportações brasileiras, que inclui a carne bovina até o fim do ano passado, ajudou a turbinar a inflação da proteína no mercado americano.
Veja os pratos que foram servidos na Casa Branca
Meno do almoço de Trump com Lula
Alexandra Bicca/Especial para O GLOBO
Entrada
Salada de alface-romana com jicama, raiz crocante popular na culinária mexicana, gomos de laranja, abacate e molho cítrico
Prato principal
Filé bovino grelhado
Purê de feijão-preto
Mini pimentões doces
Relish agridoce de rabanete com abacaxi, além de legumes.
Sobremesa
Pêssegos caramelizados e uma torta de panna cotta com mel, acompanhada de sorvete de crème fraîche
Carne, vilã da inflação nos EUA
No ano passado, as carnes substituíram o ovo como vilão da inflação americana. A disparada dos preços durou até o fim do ano passado. Nos últimos meses, houve um alívio. Em março, as carnes em geral registraram queda de 0,9% no acumulado em 12 meses, segundo o CPI americano.
A sobretaxa sobre as exportações de carne do Brasil para os EUA pode ter atrapalhado um pouco. Os americanos são os maiores produtores e os brasileiros, os maiores exportadores. Os EUA não são importadores, mas compram alguns cortes menos nobres do Brasil para complementar, principalmente, a fabricação de carne moída e hambúrgueres.
Em novembro, após pressão dos importadores americanos, a Casa Branca incluiu as carnes e o café na lista de exceções à sobretaxa imposta às exportações do Brasil — em fevereiro deste ano, a maior parte dos produtos seria beneficiada pela decisão da Suprema Corte americana, que considerou inconstitucional a base legal de boa parte do tarifaço.
Apesar do alívio recente, os preços de carne bovina seguem altos nos EUA. Parte do problema tem a ver com o ciclo de produção — o rebanho americano está em queda, encarecendo o boi vivo, e um aumento da oferta demora até que os animais cresçam o suficiente para serem abatidos.
Investigação contra frigoríficos
Mesmo assim, esta semana o Departamento de Justiça americano abriu uma investigação para apurar possíveis violações às regras de concorrência na indústria de processamento de carne dos EUA.
Estão no alvo os principais frigoríficos que atuam nos EUA, como a brasileira JBS e a National Beef, que é subsidiária da brasileira Marfrig, que uniu-se no ano passado à BRF para formar a MBRF. Também estão neste grupo as americanas Tyson e Cargill.
Ao mesmo tempo, Joesley Batista, um dos donos da JBS, ajudou a intermediar a reunião entre Lula e Trump, segundo reportagem da agência Reuters. Embora não integre a comitiva oficial brasileira, o empresário desembarcou na capital dos EUA na quarta-feira, segundo o colunista do GLOBO Lauro Jardim.
* Especial para O GLOBO
