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Fábrica da Ypê tinha sujeira, e bactéria foi achada em produtos de limpeza duas vezes, dizem fiscais

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maio 7, 2026
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Fábrica da Ypê tinha sujeira, e bactéria foi achada em produtos de limpeza duas vezes, dizem fiscais


A inspeção que motivou o fechamento de uma linha de produção da fábrica da Ypê em Amparo (SP) constatou, pela segunda vez, a contaminação de produtos de limpeza com micro-organismos. Fiscais que participaram do trabalho relatam ter constatado problemas de higiene e investigam a hipótese de contaminação da água por esgoto nas instalações da empresa que produz detergentes, desinfetantes e sabão para roupa.
Segundo o diretor do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS), Manoel Lara, a decisão de interromper a produção foi motivada por uma incapacidade da companhia de resolver de maneira consistente o problema, constatado inicialmente em novembro do ano passado.
Serviço: Veja orientações da Anvisa sobre lote contaminado; ‘suspender imediatamente o uso’
Naquela ocasião, foi detectada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras de produtos feitos no ano passado. Esse patógeno não é altamente contagioso, mas oferece risco porque costuma infectar pessoas com baixa imunidade. É um organismo relativamente comum em casos de infecção hospitalar, afetando sobretudo o pulmão, e particularmente em pacientes com fibrose cística.
— Na inspeção foram detectadas falhas nas boas práticas de processamento de produtos. Tinha tanto falhas documentais quanto falhas relacionadas à questão de higiene e limpeza das áreas de produção — disse Lara. — De alguma forma, essas falhas poderiam estar ligadas a essa contaminação por Pseudomonas.
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Não há certeza ainda sobre como a bactéria entrou nos produtos. Segundo o CVS, está sendo investigada também a hipótese de um rompimento em estrutura para escoamento de esgoto ter contaminado o reservatório de água usada nos produtos. O ambiente de produção, de todo modo, não era adequado, afirma Lara.
— Tinha acúmulo de sujidades no ambiente, no piso, em cima de tubulações e máquinas, com poeira, o que demonstrava uma falha na questão de limpeza — disse.
O CVS afirma que entre a intervenção feita na empresa em novembro e a análise feita agora em abril, alguns lotes saíram aparentemente limpos, tendo passado por testes sanitários. O encontro do micro-organismo nos produtos feitos mais recentemente, porém, reacendeu a preocupação.
Por isso a Agência Nacional de Vigilância (Anvisa), que também participou da fiscalização, determinou desta vez não só a retenção dos produtos, mas também o fechamento das instalações daquele setor da fábrica.
A linha de produção interrompida é grande e tem capacidade para fabricar, anualmente, 23 mil toneladas de detergente e 33 mil toneladas de lava-roupa líquido. A Anvisa não especificou a quantidade de produto que deverá ser recolhida no mercado, mas sabe-se que são unidades envasadas num período de seis meses, de abril a setembro de 2025.
Outros lotes do produto feitos depois disso ficaram retidos na fábrica para análises, após a intervenção da Anvisa em novembro. A Ypê possui mais linhas de produção na fábrica de Amparo e em fábricas em outros lugares do Brasil, que não foram autuadas no caso. O auto de infração de hoje foi lavrado pela prefeitura de Amparo, que tem essa responsabilidade na coordenação com estado e União.
— Agora a empresa tem dez dias para impetrar um recurso, se quiser. Se o recurso não apresentar argumentos suficientes para negar a violação das boas práticas de produçao identificadas pela Anvisa, é possível que se determine uma multa — disse o secretário de comunicação de Amparo, Luiz Crescenzo.
O CVS avalia que ainda há espaço para reverter a decisão, caso a empresa cumpra os requisitos.
— Nesse prazo recursal eles teriam que que fazer uma investigação das possíveis causas para saber se o problema está na qualidade da água, no processo de higienização ou algo como a manipulação pelos funcionários. Depois, precisam apresentar um plano de ação que avalia tudo, incluindo tratamento da água, legislação, boas práticas, treinamento de pessoal. E por fim, precisam apontar as possíveis soluções — afirma Lara. — Enquanto a empresa não resolver esses problemas, ela não vai poder produzir esse tipo de produto nessa linha de produção.
Outro Lado
Em comunicado à imprensa, a empresa afirma ter confiança de que vai conseguir revereter a suspensão de produção em Amparo.
“A Ypê esclarece que possui fundamentação científica robusta, baseada em testes e laudos técnicos independentes, atestando que seus produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido, e desinfetante são seguros e não representam qualquer risco ao consumidor”, diz o comunicado. “A empresa mantém diálogo contínuo e colaborativo com a Anvisa e, com a apresentação de informações e evidências técnicas adicionais, confia plenamente na reversão da decisão no menor prazo possível.”

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