O Irã enviou sua resposta à proposta apresentada pelos Estados Unidos para um acordo de cessar-fogo definitivo no Oriente Médio, segundo informou a mídia estatal iraniana, em mais um passo nas negociações indiretas mediadas pelo Paquistão.
A devolutiva iraniana ocorre poucos dias depois de autoridades americanas afirmarem esperar uma posição de Teerã sobre o memorando enviado por Washington — documento que, segundo veículos dos EUA, reúne 14 pontos e abre espaço para conversas mais profundas sobre o programa nuclear iraniano.
Na ocasião, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como “muito boas” as conversas recentes entre os dois países e afirmou que um acordo era “muito possível”.
Do lado iraniano, porém, o tom público vinha sendo mais cauteloso. Enquanto a mídia estatal dizia que a proposta estava sob análise, o porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, chamou o texto de uma “lista de desejos americana”.
Nos bastidores, havia sinais de intensa movimentação diplomática. O Paquistão, principal mediador da atual mesa de negociações, informou na semana passada que uma troca acelerada de mensagens entre Washington e Teerã estava em curso.
Segundo relatos da imprensa americana, caso o Irã aceitasse os termos centrais da proposta, as negociações poderiam ser retomadas já nos próximos dias em Islamabad.
Nuclear e Estreito de Ormuz seguem como pontos centrais
Entre os principais temas da proposta americana estariam a abertura formal de negociações sobre o programa nuclear iraniano e exigências ligadas ao Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa parcela significativa do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo.
De acordo com reportagens publicadas nos Estados Unidos, Washington também teria sinalizado disposição para aliviar por 30 dias o bloqueio a portos iranianos enquanto novas rodadas de diálogo avançassem.
Ainda assim, permanecem entraves importantes, especialmente o destino do urânio enriquecido pelo Irã acima do uso civil e o papel de Teerã na supervisão futura do tráfego no Estreito de Ormuz.

