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'Não é para qualquer um': a rotina do último taxidermista em tempo integral de museus nos Estados Unidos

BRCOM by BRCOM
maio 18, 2026
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'Não é para qualquer um': a rotina do último taxidermista em tempo integral de museus nos Estados Unidos


Aos 11 anos, Tim Bovard realizou sua primeira experiência de taxidermia em um animal atropelado. Ele encontrou um gambá azarado e improvisou sua “reanimação” usando um livro de instruções, para espanto dos pais de seus amigos.
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Os próprios pais dele não se incomodaram — seu pai e seu avô eram cientistas e homens ligados à vida ao ar livre — e logo ficou conhecido na comunidade suburbana de Claremont, na Califórnia, como Bovard relembrou recentemente: “O filho do Dr. Bovard era obcecado por animais, diziam. Então, quando encontravam pássaros abandonados, corujas, falcões, peneireiros, corvos, gaios-azuis e scrub jays, levavam para mim, e eu os criava.”
Desde 1984 no museu
Tim Bovard trabalhando numa ave: ‘Nos pássaros, as penas cobrem tudo’
Sasha Arutyunova / The New York Times
Quando chegou à adolescência, ele já costurava as próprias roupas, aprendia a curtir couro e fazia trilhas nas montanhas da Sierra Nevada com seus cães, usando um traje completo de pele de cervo feito por ele mesmo. No ensino médio, começou a trabalhar como aprendiz de um taxidermista local e, quando seus colegas partiram para a faculdade, decidiu trabalhar com ele em tempo integral. (Mais tarde, formou-se em zoologia.)
Bovard sempre soube qual seria seu caminho na vida. Ainda assim, quando visitava amigos em festas universitárias, pedia que evitassem mencionar o que ele fazia em vez de frequentar aulas, percebendo que aquilo causava arrepios em algumas pessoas.
Bovard, ainda exuberante e cheio de energia aos 72 anos, é o último taxidermista em tempo integral de qualquer museu dos Estados Unidos. Continua morando em Claremont, agora com a esposa, dois cães e “dez gatos e meio” (o “meio” gato vive mais ao ar livre), e chega ao Museu de História Natural do Condado de Los Angeles, onde trabalha desde 1984, às 4h30 da manhã. Ele é responsável por manter os animais empalhados que o museu guarda há mais de um século, reformular dioramas para que pareçam mais realistas e criar novas exposições.
Nas gerações passadas, os museus enviavam expedições de caça para adquirir seus acervos de animais, mas Bovard trabalha apenas com doações de zoológicos ou peças vindas de coleções particulares. Assim como na infância, animais atropelados também são uma possibilidade.
Depois que a pele é colocada e a cola seca, ele costura a pelagem, escondendo as emendas.
“A costura em mamíferos precisa ser bem firme”, disse ele, especialmente em leões ou zebras. “Agora, um urso com pelos longos? Não faz tanta diferença. Nos pássaros, as penas cobrem tudo.”
‘Não é pra qualquer um’
Bovard entre os ursos do museu: ‘Sou conhecido por ser um pouco diferente’
Sasha Arutyunova / The New York Times
O cuidado e a preservação dessas peças são uma responsabilidade que ele encara com seriedade e prazer. Frequentemente, ele simplesmente pula o trajeto até em casa e dorme em seu escritório, estendendo um cobertor entre os arquivos que guardam os registros de cada animal da coleção de 111 anos do museu e a “roda de descarnamento” que usa para remover delicadamente tecidos das peles.
“Não é para qualquer um”, disse, sorrindo. “Mas sou conhecido por ser um pouco diferente. E isso é dizendo de forma bem leve.”
Na verdade, ele já dormiu no trabalho por semanas seguidas, como quando reformulava o diorama dos leões do museu e queria ajustar as dobras da pele e as expressões faciais dos felinos a cada poucas horas durante a noite, enquanto a cola secava.
Diferentemente de muitos taxidermistas, Bovard é responsável não apenas pelos animais expostos no museu, mas também por todos os elementos dos dioramas, incluindo árvores, folhas, galhos, flores, neve artificial e corpos d’água. Ele produziu centenas de milhares de folhas por meio de uma técnica chamada vacuum forming — um método industrial em que o plástico é aquecido e moldado sobre uma forma por sucção — usando moldes criados por ele mesmo a partir de plantas coletadas em viagens de pesquisa.
Para realizar esse trabalho minucioso, acumulou um conhecimento enciclopédico do mundo natural. Ele sabe, por exemplo, que um dos segredos para criar uma ave de rapina convincente está na cobertura sobre os olhos. Mas também conhece a postura que ela adotaria pousada em um galho, o tipo de árvore em que estaria, os padrões com que teria arrumado as penas, o tipo de presa que procuraria e como sua presença afetaria o comportamento de todos os outros animais ao redor.
Ao reorganizar uma família de leões, ele quis que duas leoas estivessem encostando as testas — a saudação típica dos grandes felinos — para transmitir sua sociabilidade. Também quis criar uma sensação maior de movimento na cena de onças em um cânion de Sonora, no México, acrescentando pequenas presas, como javalis-do-deserto, saltando para fugir dos felinos.
“Tudo se resume a conduzir o olhar”, disse ele, apontando para o canto mais distante do fundo pintado.
E depois há todas as tarefas rotineiras, aquelas que ele nunca deixará de fazer — pelo menos até se aposentar — como tirar o pó da alcateia de leões do museu, aspirar as orelhas dos elefantes e polir todos os olhos de vidro.
Questionado sobre a possibilidade de aposentadoria no horizonte, ele riu. Ainda dormia no chão do escritório até recentemente, no Ano-Novo. Há um orangotango que ele quer empalhar neste ano, além de dezenas de milhares de folhas para produzir. “Nenhum plano de me aposentar.”

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