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Empresas brasileiras miram no mercado de franquias nos EUA; setor projeta faturamento de US$ 921 bilhões em 2026

BRCOM by BRCOM
maio 26, 2026
in News
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Isabel Lima, diretora de operações internacionais do CCLS, braço internacional do CCAA — Foto: Divulgação

Disputar uma fatia do mercado de franquias dos Estados Unidos não é para amadores. São 3.500 marcas que juntas deverão somar 845 mil operações em 2026. Estima-se que o faturamento do setor saltará de US$ 907,3 bilhões no ano passado para US$ 921,4 bilhões, de acordo com o estudo “2026 Franchising Economic Outlook”, divulgado pela International Franchising Association (IFA). A expectativa é da entrada em operação de 12 mil novos negócios franqueados até dezembro, boa parte deles de marcas estrangeiras.

— Apesar de desafiador, o mercado americano é o segundo principal destino das franquias brasileiras em número de marcas, são 66, e o quarto em volume de unidades, abrigando 307 operações — afirma Gustavo Freitas, diretor internacional da Associação Brasileira de Franchising (ABF). — A penetração, porém, já foi maior. Em 2023 eram 76 marcas franqueadoras brasileiras, o que comprova que é preciso uma estratégia muito bem estruturada para se manter ativo.

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Na mão inversa a participação de franquias americanas no Brasil é significativa e não menos desafiadora. Das 122 marcas estrangeiras em operação no país, 47 são dos Estados Unidos. Em 2024 eram 59.

Com 3.300 marcas, 202 mil operações e um faturamento de R$ 301,7 bilhões no ano passado, o franchising brasileiro tem no número de unidades por franqueado uma diferença significativa em relação aos americanos. Enquanto aqui a média é de 60 franquias para uma base de 60 a 70 mil franqueados, lá os cerca de 234 mil operadores têm em média 500 unidades. Segundo levantamento da CommUnit, comunidade de franqueados e multifranqueados, apenas 300 franqueados brasileiros têm mais de 50 franquias, o equivalente a 8% dos operadores. Os 200 maiores franqueadores americanos movimentam US$ 55 bilhões, cerca de 91% do faturamento do franchising no Brasil em 2025.

Isabel Lima, diretora de operações internacionais do CCLS, braço internacional do CCAA — Foto: Divulgação

Presente nos EUA desde 1991, a rede de ensino de idiomas CCAA conta com 9 escolas instaladas na Flórida, Texas, Nova York e arredores, todas voltadas ao ensino de inglês a alunos internacionais com visto de estudante.

— No Brasil crescemos como franquia e nos EUA com licenciamento. Trata-se de uma opção estratégica, por ser mais fácil de operar — diz Isabel Lima, diretora de operações internacionais do CCLS, braço internacional da rede. — Um dos principais desafios no mercado americano é a legislação, que muda de estado para estado, de região para região.

A meta para 2026 é acelerar a expansão com a integração da plataforma de ensino 100% digital a novas operações do CCLS. Com 700 unidades no Brasil e 11 no exterior, o CCAA espera faturar R$ 700 milhões este ano.

— Os Estados Unidos deverão alcançar US$ 11,5 milhões, o equivalente a 85% do faturamento do braço internacional.

Porta de entrada das franquias brasileiras, a Flórida está entre os dez estados americanos com previsão de expansão mais rápida para franquias em 2026, segundo o relatório da IFA.

— Abrimos a primeira loja em 2019, em Orlando, para atender à comunidade latina — afirma Fábio Araujo, diretor-geral da Sodiê Doces. — O primeiro desafio foi acostumar o paladar dos americanos ao tipo de bolo que produzimos, que não leva pasta americana e é bem mais recheado.

Manter a originalidade das receitas também exige esforço. A maioria dos insumos, principalmente leite condensado, é despachada do Brasil.

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Segundo o executivo, foram mais de cinco anos de maturação e aprendizado. Hoje, 20% do faturamento das duas operações dos EUA, estimado em R$ 14 milhões, tem origem nas vendas a consumidores americanos.

— Diante dos resultados, contratamos uma consultoria para mapear todo o território a partir da Flórida — revela. — O resultado apontou capacidade de instalação de 45 unidades. A ideia é expandir via master franqueado para estados com grande presença de latinos.

Com 401 franquias, a Sodiê prevê crescimento de 7% em 2026, atingindo um faturamento de R$ 840 milhões.

Quem também escolheu Orlando para dar início à internacionalização foi a 3,2,1 GO!, agência especializada em experiências completas para os parques de Orlando e destinos nacionais e internacionais. A rede conta com 16 unidades nos EUA — destas, 14 em Orlando —, que respondem por 10% do faturamento, que este ano deverá somar R$ 6 milhões.

— Criamos a franquia em 2019 com o propósito de ser uma empresa de nicho. Em 2025 chegamos aos Estados Unidos, com unidades home based operadas por brasileiros — diz o CEO Marco Lisboa. — Em 2027 iniciaremos a expansão via licenciamento para operadores americanos, respeitando o passo a passo da legislação americana.

Segundo Lisboa, bons resultados num mercado tão concorrido exigem investimentos de longo prazo, atenção à legislação local e um plano de marketing bem estruturado.

— Nossa estratégia inclui participação em feiras e patrocínio de eventos para a comunidade brasileira.

A estratégia adotada por Alexandre Barreiro, CEO da N2 Extreme Gelato para a América Latina, foi desembarcar nos EUA através de uma joint venture firmada com uma empresa americana. A primeira loja, aberta em 2018 em Nova York, atraiu a atenção de investidores, graças ao produto lúdico preparado na hora.

— Somos a única franquia no mundo de gastronomia molecular, apresentamos dois sabores exclusivos por semana, sem repetição — afirma. — Demoramos dois anos para operar no modelo de franquia nos EUA. A expansão é cuidadosa, temos seis unidades, entre Nova York, Flórida e Utah.

A expectativa é que as operações americanas faturem US$ 1,8 milhão. Em 2025 a receita foi de US$ 1,6 milhão.

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