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Flávio diz que fez 'mais pelo Brasil' do que Lula após EUA classificarem PCC e CV como terroristas

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maio 28, 2026
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Flávio diz que fez 'mais pelo Brasil' do que Lula após EUA classificarem PCC e CV como terroristas


O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comemorou nesta quinta-feira a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas e tratou a medida como uma vitória política da viagem feita nesta semana a Washington. A decisão, assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio, foi anunciada dois dias após o encontro do parlamentar com o presidente Donald Trump na Casa Branca. Flávio também esteve ontem com Rubio.
Em vídeo, o senador elevou o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que sua viagem de pré-campanha presidencial aos Estados Unidos foi mais efetiva do que os anos de governo do PT no enfrentamento ao crime organizado.
— Em uma viagem como presidenciável, fizemos mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiros do que o PT e Lula em seus 17 anos de mandato. Enquanto Lula foi de joelhos atrás do Trump fazer lobby a favor do PCC e CV, eu fui trabalhar para que fossem tratados como terroristas — afirmou.
Flávio também agradeceu diretamente a Trump e Marco Rubio pela medida e afirmou que o combate às facções será uma das prioridades de sua campanha presidencial.
— Um governo que não tem controle sobre seu próprio território é porque é conivente com o crime organizado. Agradeço a Trump e Rubio por atenderem rapidamente o meu pedido. Agora é com a gente, aqui no Brasil. E a partir de 2027 vamos libertar você — declarou.
Nos bastidores da pré-campanha presidencial do senador, aliados trataram o anúncio como um marco político da viagem aos Estados Unidos e como uma demonstração concreta de alinhamento do bolsonarismo com o trumpismo. Integrantes próximos a Flávio afirmam que a decisão fortalece o discurso de segurança pública da campanha e ajuda o senador a retomar a iniciativa política depois de semanas de desgaste provocadas pela crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master.
A avaliação dentro do PL é que a decisão americana reforça a imagem de Flávio como o nome do bolsonarismo com maior capacidade de interlocução internacional, especialmente junto ao núcleo político de Trump. Auxiliares do senador também enxergam o episódio como uma resposta às discussões internas da direita sobre possíveis alternativas presidenciais ao filho de Jair Bolsonaro, como Michelle Bolsonaro, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).
O Departamento de Estado informou nesta quinta-feira ter designado o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e afirmou que pretende enquadrar os dois grupos também como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), com efeito a partir de 5 de junho de 2026.
“O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais brasileiros, agentes públicos e civis. Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e até o nosso país”, afirmou o Departamento de Estado em nota.
O comunicado acrescenta ainda que o governo Donald Trump “continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo os fluxos de receita que financiam narcoterroristas violentos”.
Durante entrevista concedida após o encontro com Trump, Flávio afirmou que havia pedido pessoalmente ao presidente americano que os Estados Unidos classificassem o PCC e o CV como organizações terroristas.
— Enquanto o Lula veio à Casa Branca fazer lobby para traficante, eu vim fazer exatamente o oposto: pedi enfaticamente ao presidente Trump que designe o quanto antes o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras — declarou o senador na ocasião.
Segundo relatos feitos ao GLOBO, o tema foi tratado como uma das prioridades da viagem desde a preparação da agenda em Washington. Interlocutores ligados ao senador afirmam que Eduardo Bolsonaro e o influenciador Paulo Figueiredo vinham trabalhando o assunto há meses junto a integrantes do entorno republicano e do Departamento de Estado americano.
Flávio também afirmou durante a viagem que as facções brasileiras “corrompem agentes públicos, intimidam testemunhas e coordenam atentados”, e que “quem faz isso não é gangue. É organização terrorista”.
Aliados do senador avaliam que a decisão do governo americano tende a ampliar o espaço da pauta de segurança pública dentro da campanha presidencial de Flávio e reforçar sua associação ao discurso de endurecimento contra o crime organizado, marca central do trumpismo e do bolsonarismo.

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