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Esqueleto de tiranossauro de 67 milhões de anos vai a leilão nos EUA e pode ter recorde de valor milionário

BRCOM by BRCOM
maio 30, 2026
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'Gus', esqueleto de tiranossauro rex de 67 milhões de anos pertence a seleto grupo de espécimes excepcionalmente bem preservados — Foto: Divulgação / Matthew Sherman

Não é um evento cotidiano: um dinossauro “aparecerá” em Nova York neste verão (no hemisfério norte). A casa de leilões Sotheby’s colocará à venda em julho o esqueleto de um Tyrannosaurus rex, apelidado de “Gus”, um espécime gigantesco e excepcionalmente bem preservado que pode alcançar entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões (cerca de R$ 101 milhões a R$ 152 milhões na cotação atual). Se isso acontecer, ele se tornará um dos fósseis mais caros já vendidos em leilão.

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Os lances serão dados no dia 16 de julho, como parte do leilão de História Natural da Sotheby’s. Antes disso, o dinossauro ficará em exposição pública nas galerias da empresa em Manhattan, onde promete ser uma das maiores atrações da temporada.

Medindo aproximadamente 11,6 metros de comprimento e quase quatro metros de altura, “Gus” pertence a um seleto grupo de espécimes de T. rex excepcionalmente bem preservados. Segundo a Sotheby’s, ele conserva entre 75% e 80% de sua massa óssea original e é composto por 183 elementos fossilizados. O crânio, que, segundo eles, é uma das partes mais difíceis de recuperar intacto e um dos aspectos mais valiosos para paleontólogos e colecionadores, conserva 82% de seus ossos originais.

“O Tyrannosaurus rex continua sendo o rei indiscutível dos dinossauros”, disse Cassandra Hatton, vice-presidente de ciência e história natural da Sotheby’s, em um comunicado divulgado pela casa de leilões. “Gus é um dos espécimes mais extraordinários que existem, tanto pelo seu tamanho quanto pelo seu nível de preservação”, acrescentou.

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O espécime foi descoberto entre 2021 e 2023 em um rancho na Dakota do Sul, propriedade de Gary “Gus” Licking, de quem herdou o apelido. A escavação foi liderada pelo paleontólogo Thomas Heitkamp e levou anos. Os especialistas encontraram o esqueleto fragmentado enterrado em camadas de rocha sedimentar e tiveram que reconstruí-lo peça por peça.

— Cada osso era como uma peça de um antigo quebra-cabeça — explicou Heitkamp sobre o processo de recuperação.

‘Gus’, esqueleto de tiranossauro rex de 67 milhões de anos pertence a seleto grupo de espécimes excepcionalmente bem preservados — Foto: Divulgação / Matthew Sherman

Além do tamanho, o fóssil apresenta sinais de feridas antigas e cicatrizadas, e possíveis mordidas de outros dinossauros, o que pode fornecer informações sobre o comportamento desses predadores durante o período Cretáceo Superior. Especialistas acreditam que algumas dessas lesões indicam confrontos entre indivíduos da mesma espécie, um aspecto ainda em estudo pelos paleontólogos.

O Tyrannosaurus rex habitou a América do Norte há aproximadamente 68 a 66 milhões de anos, pouco antes da extinção em massa que dizimou os dinossauros. Desde sua descoberta científica no início do século XX, tornou-se um dos animais pré-históricos mais populares do mundo, tanto por seu tamanho — podia pesar até nove toneladas — quanto pela força de sua mordida. A cultura popular consolidou ainda mais sua fama por meio de filmes, documentários e exposições em museus.

O leilão de “Gus” ocorre em um momento de grande prosperidade para o mercado de fósseis. Em julho de 2024, a Sotheby’s bateu recordes com a venda de “Apex”, um estegossauro que alcançou US$ 44,6 milhões (cerca de R$ 226 milhões), superando em muito as estimativas iniciais. Atualmente, ele está emprestado ao Museu Americano de História Natural, em Nova York. Antes disso, o recorde para um dinossauro vendido em leilão pertencia a “Stan”, outro T. rex adquirido em 2020 por US$ 31,8 milhões (cerca de R$ 161 milhões).

Mas o crescimento do mercado também gerou debates na comunidade científica. Muitos paleontólogos questionam o fato de fósseis de enorme valor histórico e científico acabarem em coleções particulares, o que poderia limitar o acesso de pesquisadores e museus. Outros, no entanto, argumentam que os leilões ajudam a financiar escavações e esforços de preservação que, de outra forma, seriam impossíveis de custear.

A Sotheby’s confirma que um grande número desses espécimes acaba em exibição pública.

— Muitos dos fósseis vendidos nas últimas décadas foram emprestados ou doados a instituições — observou Hatton. Ela também afirmou que esse tipo de venda desperta o interesse pela paleontologia entre novas gerações de colecionadores e visitantes.

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