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No Dia Mundial do Acolhimento, as histórias de quem decidiu receber em casa crianças sem lar

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maio 31, 2026
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No Dia Mundial do Acolhimento, as histórias de quem decidiu receber em casa crianças sem lar


Como a decisão de uma pessoa pode mudar a história de mais de 20 vidas? E o que você estaria disposto a fazer se soubesse que pode transformar a vida de uma criança? A técnica de laboratório Laide de Oliveira, há 12 anos, encontrou a resposta para essas perguntas: abriu a sua casa para receber temporariamente crianças e adolescentes tutelados pelo Estado dentro do programa Família Acolhedora.
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— Vi o caso de uma mulher que doou um rim para uma criança acolhida e queria entender a profundidade daquele amor — recorda-se ela. — Na época, meus filhos eram pequenos, e eu e meu esposo decidimos nos inscrever no programa, aceitando crianças da idade deles para facilitar a rotina. A infância não espera o amanhã, ela precisa ser cuidada hoje.
A Família Acolhedora é um programa da Prefeitura do Rio, em parceria com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), voltado ao acolhimento provisório de menores de idade vítimas de violação de direitos e afastados de suas famílias de origem por medida protetiva. Neste domingo, 31 de maio, é celebrado o Dia Mundial do Acolhimento Familiar.
O acolhimento é feito na casa de famílias voluntárias previamente cadastradas e capacitadas, com acompanhamento técnico de assistentes sociais e psicólogos. As famílias recebem um auxílio financeiro para custear os cuidados com a criança. A bolsa é de R$ 1.400 e, em casos de crianças ou adolescentes que demandam cuidados especiais, R$ 2.030.
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— A Família Acolhedora entra como uma família transitória que abraça a criança, mantendo uma vida e o convívio familiar. Naquele ambiente, ela aprende seus limites, potencialidades e aptidões. Ali, ela desenvolverá um autoconhecimento e aprenderá com o exemplo a ter empatia, responsabilidade e afeto — explica a juíza titular da 1ª Vara de Infância e Juventude Protetiva da Capital do Rio, Lysia Maria Mesquita.
O estudante Erick Costa foi motivado pela Família Acolhedora a cursar o ensino superior
Divulgação/TJRJ
‘Ela me motivou a prosseguir’
Erick Costa, de 22 anos, é estudante de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele ficou três anos em uma instituição pública até poder estar na mesma família acolhedora que suas irmãs estavam:
— Quando criança, não me preocupava muito com os meus estudos. Um dia, briguei com um menino na escola porque ele mexeu no meu material. Eu achava que a minha acolhedora iria brigar, me colocar de castigo. Porém, ela sentou comigo e me fez refletir sobre meu comportamento. Aquela conversa foi algo novo para mim. Então percebi: eu não era mais uma criança institucionalizada, era uma criança com uma família. Ela me motivou a prosseguir até eu chegar aonde estou hoje.
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No Estado do Rio, há 1.557 crianças e adolescentes em acolhimento institucional. No entanto, somente 8% estão em famílias acolhedoras, segundo números do Censo Módulo e Criança e Adolescente de 2025, do Ministério Público do Rio. Atualmente, há apenas 121 famílias cadastradas no Serviço Família Acolhedora na Cidade do Rio — destas, 68 famílias acolhem 110 crianças e adolescentes.
Filha e crianças acolhidas da técnica Laide de Oliveira passeiam em shopping
Divulgação/TJRJ
‘Ato de amor’
A servidora estadual na área de segurança pública Alessandra Queiroz é uma daquelas que abriram lar para receber os pequenos durante a pandemia da Covid-19. De lá para cá, ela já recebeu seis crianças, sendo a maioria bebês. Dividindo seu tempo entre o trabalho, a criação do filho e o cuidado com os bebês, ela deu uma dica para quem deseja acolher:
— Acolher é um ato de amor. No entanto, isso exige uma grande responsabilidade. Cada criança tem um jeito e, quando se trata de bebês, os cuidados são ainda maiores. Algumas pessoas têm receio de acolher devido ao apego. Mas, olha, não pense no apego. Pense que seu amor pode salvar aquela criança, dando a ela uma oportunidade de recomeço, de uma nova história.
Na última sexta-feira, dia 29, foi realizada a 27ª Reunião do Conselho das Autoridades Centrais Brasileiras (CACB), para deliberar sugestões e aprovar resoluções para a melhoria do trabalho da rede de promoção da adoção internacional. O encontro ocorreu no Fórum Central do Rio e reuniu membros titulares e suplentes dos tribunais de Justiça estaduais e das Comissões Estaduais Judiciárias de Adoção e Adoção Internacional.
Entre as resoluções do encontro, estão a decisão de consultar o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre a viabilidade de acesso ao cadastro do seu próprio pretendente habilitado no Sistema Nacional de Adoção, com o representante nacional do organismo credenciado; a construção de um formulário padrão a ser disponibilizado no ano que vem para aprovação; e a criação de formulários bilíngues. O objetivo é garantir o cumprimento da Convenção da Haia sobre Proteção das Crianças e Cooperação em Matéria de Adoção Internacional, da qual o Brasil é signatário.

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