O grupo oficial de WhatsApp do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou publicação que culpa o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelas críticas do governo dos Estados Unidos ao Pix. Ao sugerir a imposição de novas tarifas ao Brasil, nesta terça-feira, o mecanismo de pagamentos foi incluído entre as práticas comerciais citadas pelos americanos como “irracionais”. O tema passou a ser utilizado pela esquerda e por perfis governistas nas redes sociais como forma de rebater a ofensiva americana, que ocorre a quatro meses das eleições presidenciais brasileiras.
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No conteúdo mais recente divulgado no WhatsApp, em grupo divulgado no site oficial do presidente Lula, uma mensagem direcionada para a militância afirma que “a missão de hoje” é defender o Pix, definido como “uma conquista que facilita a vida de milhões de brasileiros”.
A publicação faz alusão à uma charada: “O que é o que é: gratuito e fácil de usar, paixão nacional, bom para pequenos empreendedores, incluiu milhões de brasileiros no sistema e financeiro e o Flávio Bolsonaro quer entregar para o Trump?”.
“Enquanto Flávio Bolsonaro cria polêmicas lá fora, o povo segue usando o Pix todos os dias”, completa a mensagem.
No primeiro discurso após o anúncio da possibilidade de um novo tarifaço, Lula apareceu com um cartaz escrito “o pix é do Brasil”. De acordo com os Estados Unidos, o sistema financeiro cria “vantagens competitivas” em relação a empresas privadas estrangeiras que oferecem serviços de pagamento digital.
— De forma intempestiva, anunciaram o aumento da taxação das coisas brasileiras para 25%. Com base numa mentira. A preocupação dos americanos é que o Pix pode abalar muito a chamadas empresas de cartão de crédito deles — disse Lula, nesta terça-feira, durante agenda em Goiás.
Hoje, conforme mostrou o colunista Lauro Jardim, a campanha de Flávio Bolsonaro reagiu e defendeu a paternidade do sistema de pagamento. Os opisicionistas começaram a usar o slogan “o Pix é do Brasil e do Bolsonaro”, em alusão ao fato de que foi no governo passado que o BC instituiu o Pix. Flávio inclusive fez uma aparição pública em Belo Horizonte, nesta quarta-feira, com um cartaz que exibe a mensagem.
A proposta da taxação de 25% foi consequência da investigação feita pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) e ainda precisa de uma decisão definitiva do presidente Donald Trump para entrar em vigor. Nesta quarta-feira, outra tarifa que pode chegar a 12,5% também foi sugerida para ser aplicada a dezenas de países, incluindo o Brasil.
Como mostrou o GLOBO, governistas repetiram o discurso adotado pelo Planalto e associaram Flávio à proposta dos EUA de aplicar 25% das tarifas sobre as mercadorias nacionais, enquanto o parlamentar nega que tem sido responsável pela mudança.
No X, políticos e perfis de esquerda levaram aos primeiros lugares dos trending topics hashtags como “o pix é nosso”, criado no ano passado depois do anúncio do início das investigações do governo americano sobre as transferências feitas no Brasil e replicado por uma postagem do PT nesta terça-feira.
Outra expressão usada foi “Tariflávio”, mencionada em publicações feitas pelo vice-líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), e o secretário de comunicação do partido, Éden Valadares. Além disso, parlamentares e apoiadores também replicaram a frase “Bolsonaros inimigos do Brasil”.
“O PIX é nosso, veio para ficar e vamos defender essa conquista para o povo brasileiro”, publicou a ex-ministra das Relações Institucionais e deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), também chamando os bolsonaristas de “traidores da pátria, do povo brasileiro”.
Ao reagir à nova proposta dos Estados Unidos, Flávio adotou uma estratégia diferente da utilizada durante a crise comercial de 2025. Se no ano passado suas manifestações associavam as sanções americanas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pela trama golpista, agora o presidenciável tem concentrado seus ataques em Lula, além de buscar reforçar o discurso ligado à soberania nacional e à defesa das empresas brasileiras.
A mudança ocorre em meio à avaliação de aliados de que a crise diplomática do ano passado acabou fortalecendo Lula politicamente ao permitir que o petista se apresentasse como principal defensor da soberania nacional diante das pressões americanas.
Em uma das publicações feita à época, em 11 de julho de 2025, o senador chegou a divulgar um vídeo em que tratava o tarifaço como “taxa Alexandre de Moraes”. Em outra, pediu a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras.
“Obrigado presidente Donald Trump. Faça o Brasil Livre Novamente. Queremos Magnitsky”, escreveu em 9 de julho às vésperas da aplicação de fato da sanção ao ministro do Supremo, no final do mesmo mês.
Já desta vez, Flávio afirmou que pediu diretamente ao presidente norte-americano Donald Trump para que não impusesse tarifas sobre as empresas brasileiras. Ele também enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, defendendo a não adoção das medidas e passou a argumentar que um eventual governo seu em 2027 teria condições de negociar “de igual para igual”.
