Um mês depois da interdição pela Anvisa de diversos lotes de 24 produtos produzidos pela Ypê, a empresa tem retardado o ressarcimento para consumidores que tentam sem sucesso devolver os produtos afetados pela medida do órgão.
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No portal ReclameAqui, plataforma que conecta clientes insatisfeitos com produtos e serviços a empresas, a reportagem contou ao menos 230 reclamações somente nos últimos sete dias de clientes que realizaram o pedido de reembolso e também registraram demora no atendimento. Apesar de responder com certa regularidade, a nota da empresa é considerada insatisfatória pela plataforma.
A reportagem também fez a solicitação de reembolso, mas ainda não foi atendida. O GLOBO registrou em 27 de maio o pedido de devolução de uma gama de produtos através da página do SAC da Ypê.
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Os itens foram utilizados pelo jornal para instruir os leitores sobre como identificar os lotes afetados e foram comprados no dia da interdição da fábrica e interrupção das vendas, em 7 de maio. Apenas um e-mail de confirmação da solicitação foi enviado pela Ypê no dia do registro.
Falha nas devoluções
Apesar do volume de reclamações sobre a demora no atendimento, alguns clientes registram sucesso, ainda que parcial. Ao saber do recall, a auxiliar de coordenação pedagógica Larissa Lopes preencheu o formulário na página naquele 7 de maio, mesmo dia da decisão da Anvisa.
Segundo ela, apesar de todos os cinco produtos comprados terem o algarismo 1 no fim do lote, alguns não estavam disponíveis para o preenchimento no site. Dois deles — detergentes e o sabão líquido para roupas Ypê Tixan Primavera — estavam, mas ela só recebeu o estorno dos dois lava louças, e semanas depois.
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— Preenchi o formulário e deixaram sob análise. Dias depois, preenchi mais um formulário por e-mail também. E coloquei meu Pix. Três semanas depois, em 28 de maio, eles mandaram R$ 5,98 dos detergentes, e não voltei mais ao SAC para reclamar — ela conta, afirmando ter pago R$ 25 no lava-roupas líquido.
De acordo com a lista divulgada pela Anvisa, o modelo do sabão para roupas está incluído no recall.
Tentativa de reversão
Enquanto as reclamações escalam, a marca faz testes nos itens do lote suspenso que podem devolver a liberação para comercialização e uso. As análises estão sendo realizadas por laboratórios credenciados pela Anvisa.
Em seu último comunicado, a Ypê orientou os consumidores a guardarem os produtos da lista que possuam o final do lote o número 1 produzidos antes de março. Eles passam por testes laboratoriais que, se ratificados pela Anvisa, podem receber aval para voltarem a serem comercializados e utilizados pelos clientes.
Procurada, a Ypê não respondeu imediatamente aos questionamentos sobre o número de reclamações e qual é a média do intervalo entre o registro pelos clientes e a devolução. A Ypê também não respondeu porque, no caso de Larissa, um dos itens sob recall não foi reembolsado.
O GLOBO tenta, através da assessoria de imprensa, uma resposta institucional da empresa sobre o sistema de devoluções desde 28 de maio, além de ter pedido entrevista com um porta-voz da Ypê. Diante do silêncio da empresa, a reportagem procurou o diretor de Operações da marca, Eduardo Beira, mas o pedido também não foi atendido.
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