O Domaine Lapierre é uma das vinícolas mais cultuadas da França e uma referência mundial em vinhos orgânicos e de mínima intervenção. A vinícola foi fundada em 1909 em Villié-Morgon. São 18 hectares, majoritariamente na região de Morgon, um importante cru de Beaujolais. Uma das herdeiras da marca, a produtora Anne Lapierre, esteve no Brasil pela primeira vez para apresentar os vinhos do domaine.
— Morei no sul da França por muito tempo; fui dona de um restaurante em Montpellier por 8 anos. Mas seguia a regra da família: podíamos fazer o que quiséssemos da vida, ir para onde quisermos, mas tínhamos que voltar para colher as uvas e fazer o vinho. Era uma regra que não podia ser quebrada. Então sempre trabalhei na propriedade com meu irmão e minha irmã. Somos três irmãos: Mathieu, Camille e Anne, nessa ordem do mais velho para a mais nova. Há 3 anos, decidi que, embora ainda administre um restaurante, me dedico 100% à indústria do vinho, trabalhando com Camille e Mathieu.
Os três são filhos de Marcel Lapierre (1950–2010), cujo trabalho levou o domaine a conseguir reconhecimento internacional. Nos anos 1980, ele teve pioneirismo na elaboração de vinhos sem herbicidas, pesticidas nem fertilizantes químicos e com mínima intervenção. Seu trabalho teve influência do pesquisador e enólogo Jules Chauvet.
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Um dos vinhos mostrados por Anne foi o Raisins Gaulois 2023, feito com uvas de vinhedos jovens, com a proposta de ser um rótulo acessível, e fácil de agradar. Tem notas de frutas vermelhas maduras, notas florais, herbáceos e toques terrosos. Combina com carnes brancas grelhadas, assadas e ensopadas, preparações da culinária mediterrânea, risoto de funghi e queijos amarelos.
— Temos 20 hectares em Morgon, e este vinho é feito com nossas vinhas mais novas. Na verdade, a ideia é fazer um vinho refrescante para beber o ano todo. A escolha para este vinho é usar uma maceração curta para obter algo mais fresco, leve e frutado, como vocês veem no desenho. Em 2023, a safra de Beaujolais foi bastante quente, comparada a 2022. Por isso, fazemos macerações carbônicas muito curtas em safras quentes, para preservar o frescor.
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O M. Lapierre Le Beaujolais 2024 é feito com uvas Gamay de três parcelas em Beaujolais. Ele começou a ser produzido em 2021. Combina maceração carbônica e um curto estágio em grandes tonéis de madeira.Tem notas de frutas vermelhas frescas e especiarias delicadas. Combina com carnes vermelhas grelhadas, pratos com aves grelhadas e assadas, massas com molhos vermelhos, além de polenta com fonduta de queijo, vegetais grelhados e queijos amarelo.
— Temos duas propriedades em uma pequena vila perto de Morgon, a 2 quilômetros de distância. Começamos uma Beaujolais cuvée lá em 2021 porque foi um ano muito difícil por causa da geada. Desde então, o retorno tem sido muito positivo. É um vinho intermediário entre o Raisins Gaulois e o Morgon. Decidimos usar uma maceração um pouco mais longa do que para o Raisins Gaulois, mas um pouco mais curta do que o Morgon, para alcançar um melhor equilíbrio. Estamos falando de 10 a 12 dias. Esses vinhos não são envelhecidos em carvalho; permanecem em tanques de fibra de vidro.
O Domaine La Pierre Morgon Cuvée Camille 2024 é um vinho especial criado por Marcel Lapierre em homenagem ao retorno de sua filha a Morgon em 2013. As uvas são de uma parcela de vinhas velhas. Depois da fermentação semi-carbônica, ele estagia em barricas de carvalho durante 9 meses. Combina com carnes brancas grelhadas, assadas e ensopadas, pratos da culinária mediterrânea, risoto de funghi e queijos amarelos.
— A Cuvée Camille começou a ser feita em 2013. MInha irmã escolheu uvas de uma parcela, que fica em Côte du Py, que é considerada um dos melhores solos do Cru Morgon. É um solo muito diferente, de um vulcão que nunca teve erupção. Essa parte é a rocha-mãe e as vinhas são conectadas diretamente a essa rocha, o que traz esse lado mais mineral e uma fruta que é mais profunda, mais concentrada. O rótulo tem um desenho dos cachos do cabelo de Camille.
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O Morgon 2023 é um dos crus e uma das denominações mais famosas de Beaujolais. Apresenta quatro aromas dominantes: cereja, violeta, framboesa e um toque de alcaçuz. Combina com carnes brancas grelhadas, assadas e ensopadas, preparações da culinária mediterrânea, risoto de funghi e queijos amarelos. Obrteve 90 pontos Robert Parker e 92 pontos Decanter.
— O Morgon 2023 foi uma safra relativamente quente, para mim, significa começar a beber o vinho agora. Ele já está pronto. Precisei dar a eles três anos para evoluírem.
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O Domaine Lapierre Morgon Cuvée Marcel Lapierre só é produzido em anos excepcionais e com uvas dos vinhedos mais antigos da propriedade: os centenárias de Côte du Py e de Le Douby, que fica perto de Fleurie. Esse rótulo é uma homenagem dos filhos a Marcel Lapierre. Apresenta aromas de amoras, mirtilos, além de toques mentolados e de eucalipto. Vai bem com carnes vermelhas grelhadas e assadas, carnes brancas assadas e guisadas, massas com molho de tomate, embutidos e queijos amarelos, como o Gouda.
— Essa é uma receita que a gente não faz todos os anos. A gente faz em anos excepcionais em qualidade e também em volume. A gente fez em 2024, que não foi um ano de volume; e tem sido cada vez mais difícil termos volume. Mas quando é um ano excepcional e que é possível produzir essa cuvée, nós a produzemos.
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Os vinhos são importados para o Brasil pela Wold Wine.

