Na época em que o ChatGPT e o Copilot, do GitHub, levaram a inteligência artificial (IA) ao grande público, quatro colegas de turma do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) com formação em ciência da computação e finanças decidiram que queriam participar dessa revolução. O problema é que eles ainda não sabiam exatamente como.
— Tudo começou de um jeito muito ‘solução à procura de um problema’ — contou em junho do ano passado Michael Truell, cofundador e diretor-presidente da Cursor, que acaba de fechar um acordo bilionário para ser incorporada à SpaceX de Elon Musk.
Quatro anos depois de ser criada pelos amigos, a Cursor é uma das ferramentas de programação com IA mais populares do mercado. Agora , essa “solução” transformou todos eles em multibilionários.
A SpaceX concordou formalmente hoje em comprar a Cursor em uma operação integralmente em ações que avalia a empresa em US$ 60 bilhões. Cada um dos cofundadores possui cerca de 9% da participação da Anysphere, nome jurídico da empresa sediada em São Francisco, fatia avaliada em US$ 5,5 bilhões para cada um, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg.
App da Cursor
Bloomberg
Quando a transação for concluída — o que deve ocorrer no terceiro trimestre deste ano — eles receberão ações da SpaceX nesse valor equivalente ao negócio. Com isso, os quatro fundadores, todos na faixa dos 20 e poucos anos, entram para uma lista crescente de bilionários criados pela Space Exploration Technologies, o nome oficial da companhia que tornou Musk trilionário e alguns de seus executivos bilionários, desde que a empresa abriu capital na sexta-feira.
A trajetória deles também simboliza a mudança no caminho para fortunas de dez dígitos entre jovens empreendedores: a euforia em torno da IA e a disparada dos investimentos de capital de risco fazem com que novos bilionários surjam cada vez mais do setor de tecnologia, e não das finanças. Um porta-voz da Cursor não respondeu a pedido de comentário da agência Bloomberg para esta reportagem.
Quem são os novos bilionários?
Os quatro sócios que se tornaram bilionários e sócios da SpaceX são:
Michael Truell;
Sualeh Asif;
Arvid Lunnemark;
e Aman Sanger
Eles eram todos alunos de graduação no MIT quando se conheceram. Os quatro fundaram a Cursor em 2022, inicialmente focados na criação de um copiloto de IA para a indústria de engenharia mecânica. Isso apesar de nenhum deles ter formação formal em engenharia.
Truell, natural de Nova York, estagiou no Google, enquanto Sanger, integrante da equipe de squash do MIT, fez estágio na Bridgewater Associates. Lunnemark, medalhista de ouro em olimpíadas de matemática em sua Suécia natal, trabalhou brevemente como operador quantitativo na Jane Street.
— Éramos muito pouco familiarizados com o setor — disse Truell em um podcast em maio de 2025. —Então havia um pouco daquele problema do cego tentando descrever o elefante desde o início.
Crescimento vertiginoso
Depois de alguns meses, eles mudaram de direção e passaram a desenvolver um agente de programação baseado em IA, mais alinhado à formação da equipe fundadora. Em 2023, o OpenAI Startup Fund apoiou a jovem empresa em uma rodada-semente que levantou US$ 8 milhões entre investidores de capital de risco, segundo dados da PitchBook.
No ano seguinte, a Anysphere captou US$ 60 milhões em uma rodada Série A que avaliou a companhia em US$ 400 milhões. Entre os principais investidores estavam Andreessen Horowitz, Dorm Room Fund e Patrick Collison, cofundador da Stripe (gigante americana do setor de serviços para fintechs).
Em janeiro de 2025, a Cursor atingiu US$ 100 milhões em receita recorrente anual. Em apenas dois meses, esse número dobrou, e a empresa alcançou 1 milhão de usuários diários.
Negócio com a SpaceX
Mesmo com concorrentes maiores, como OpenAI e Anthropic, lançando suas próprias ferramentas de programação baseadas em IA, a Cursor continuou expandindo sua base de usuários, especialmente entre clientes corporativos. A empresa afirma que seus produtos são usados por 64% das companhias da Fortune 500 e que suas ferramentas escrevem mais de 100 milhões de linhas de código por dia para clientes empresariais.
Em abril, a SpaceX anunciou que havia firmado um acordo que lhe dava a opção de adquirir a Cursor por US$ 60 bilhões, mas decidiu adiar a aquisição formal para depois de sua oferta pública inicial (IPO), a fim de minimizar interrupções e evitar burocracia adicional.
Segundo a Bloomberg, o valor representava um prêmio em relação à avaliação de US$ 50 bilhões que a Cursor vinha buscando em uma rodada de captação recente. O acordo também previa uma multa rescisória de US$ 10 bilhões caso a compra não fosse concluída.
A administração da SpaceX tem apresentado a aquisição como peça central da expansão de suas capacidades em inteligência artificial após a fusão, em fevereiro, com a startup de IA de Musk, a xAI.
— A Cursor tem seus próprios modelos, eu acredito, e podemos aprender com eles — disse a presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, em entrevista à CNBC na sexta-feira. — Vamos colaborar de forma muito próxima. Achamos que isso faz muito sentido.

