Nada mais brasileiro do que um jogador de futebol com apelido. Mas, nesta Copa do Mundo, o Brasil também aparece de um jeito curioso em outras seleções: no nome de atletas estrangeiros. Entre Egito, Cabo Verde e Curaçao, há jogadores batizados ou apelidados em homenagem a ídolos que marcaram época com a camisa da Seleção ou em clubes brasileiros.
O caso mais curioso está no Egito. A seleção africana conta com um Dunga e um Zico no elenco. Nabil Emad, volante nascido em 1997, adotou o nome Dunga por idolatria ao capitão do tetracampeonato mundial de 1994. Assim como o brasileiro, também atua no meio-campo e tem como uma de suas principais características a força na marcação.
O “Dunga egípcio” vive momento de ascensão na seleção comandada por Hossam Hassan. Reserva bastante utilizado, soma 11 partidas pela equipe nacional e chega à Copa com expectativa de ganhar minutos durante o torneio.
O Egito também tem o seu Zico. Mostafa Mohamed Zaki Abdelraouf ficou conhecido como Mostafa Zico pela admiração ao Galinho de Quintino, ídolo do Flamengo e craque da Seleção Brasileira na Copa de 1982. O atacante, de 29 anos, não viu o brasileiro jogar ao vivo, mas cresceu ouvindo histórias do pai e passou a conhecer o ídolo por vídeos.
— Zico é meu modelo de jogador. Assisti aos vídeos dele, é meu jogador favorito. Meu pai falava muito sobre ele, e eu assisti aos vídeos no YouTube — disse Mostafa Zico ao ge.
A relação com o Brasil ganhou ainda mais força recentemente. Mostafa Zico ficou conhecido por torcedores brasileiros ao defender o Pyramids contra o Flamengo, na semifinal da Copa Intercontinental de Clubes. Pouco depois, estreou pela seleção egípcia com gol, saindo do banco para garantir a vitória em amistoso contra a Rússia.
A lista de homenagens brasileiras na Copa não para no Egito. Em Cabo Verde, o goleiro Vozinha, protagonista do empate por 0 a 0 contra a Espanha, também carrega uma ligação direta com o futebol do Brasil. Seu nome de batismo é Josimar José Évora Dias, homenagem ao lateral-direito Josimar, do Botafogo, destaque da Seleção na Copa de 1986.
A escolha tem contexto histórico. Vozinha nasceu em 3 de junho de 1986, durante o Mundial do México, justamente quando Josimar encantava torcedores com dois golaços pela Seleção Brasileira. Um deles, contra a Irlanda do Norte, entrou para a memória das Copas.
Em Curaçao, a inspiração brasileira aparece nos irmãos Bacuna. Juninho Bacuna confirmou após a derrota para a Alemanha que recebeu o nome em homenagem a Juninho Pernambucano, ídolo do Vasco, do Lyon e da Seleção.
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— Meu nome foi dado em homenagem ao Pernambucano. Minha mãe é uma grande fã do Brasil, adorou o nome e me deu esse nome em homenagem. Leandro também, mas não sei se foi homenagem a algum outro jogador. Temos nomes lindos e agora temos que fazer jus — afirmou Juninho Bacuna à CazéTV.
Nascidos na Holanda, Juninho e Leandro Bacuna escolheram defender Curaçao, país de origem da família e menor nação da história a disputar uma Copa do Mundo. A ligação com o Brasil, no entanto, veio de casa, pela admiração dos pais pelo futebol brasileiro.

