O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, situando-a em 14,25%, como esperado pelo mercado. Esse é o segundo corte consecutivo após uma trajetória de sete altas.
Foi o terceiro corte consecutivo dessa magnitude. No entanto, a autoridade monetária não se comprometeu com a continuidade do ciclo de cortes. Preferiu adotar a cautela diante do temor de uma alta generalizada de preços decorrente do choque do petróleo causado pela guerra entre Irã e Estados Unidos e deixou os próximos passos em aberto.
Apesar do anúncio de que o conflito chegou ao fim, ainda há dúvidas sobre quanto tempo os efeitos do conflito vão impactar setores da economia.
A preocupação não é apenas do Brasil, que, apesar das incertezas, reduziu a Selic. Há uma cautela generalizada sobre os juros no mundo, com diversos países decidindo manter as taxas inalteradas ou até mesmo elevá-la antes de o cenário ficar mais claro. Confira:
Estados Unidos
Kevin Warsh, novo presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano
Mandel NGAN / AFP
O Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) manteve hoje os juros entre 3,5% e 3,75% pela quarta reunião consecutiva em uma decisão unânime, na primeira decisão sob a direção de seu novo presidente, Kevn Warsh, indicado por Donald Trump. O Fed não descarta a possibilidade de que possa haver um aumento nas taxas antes do fim do ano.
As autoridades monetárias da maior economia do mundo, cujas decisões têm repercussões globais, afirmaram que a inflação permanece em alta em relação à meta de 2% estabelecida pelo Fomc, o comitê de política monetária dos EUA e reflete, em parte, choques de oferta que elevaram os preços em determinados setores, incluindo o de energia.
Banco Central Europeu
Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu.
Liesa Johannssen/Bloomberg
Em sua reunião de maio, o Banco Central Europeu (BCE) elevou sua principal taxa de juros pela primeira vez desde 2023, em uma decisão motivada pelo avanço da inflação na zona do euro em meio aos efeitos econômicos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
A taxa de depósito, referência para a política monetária do bloco, subiu de 2% para 2,25%. A medida já era amplamente esperada pelo mercado e marcou a primeira reação de um grande banco central ao aumento dos preços de energia provocado pelo conflito no Oriente Médio.
A instituição, liderada pela francesa Christine Lagarde, ex-gerente geral do FMI, destacou que o cenário permanece incerto, com riscos tanto para a inflação quanto para o crescimento econômico da região.
Reino Unido
Sede do BoE, o Banco Central da Inglaterra
Jason Alden / Bloomberg
Espera-se amplamente que o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), o banco central do Reino Unido, mantenha as taxas de juros inalteradas nesta quinta-feira, com o presidente Andrew Bailey argumentando que as autoridades terão tempo para avaliar a ameaça representada pelo aumento nos custos de energia causado pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
Dados divulgados hoje mostraram que a inflação ficou abaixo do esperado em maio, em 2,8%, o que aumentou a pressão sobre os membros mais radicais do Comitê de Política Monetária para que reconsiderem sua posição.
O economista-chefe do Banco da Inglaterra (BOE), Huw Pill, foi o único a votar a favor do aumento das taxas em abril, e a membro externa do comitê de política monetária, Megan Greene, indicou recentemente que considerava haver motivos para se aliar a ele.
Embora um aumento de 13% no teto dos preços da energia no Reino Unido, já definido para julho, venha a agravar a inflação, ele poderá ser compensado pela queda nos custos da gasolina nos próximos meses, à medida que o preço do petróleo desce.
Japão
Banco Central do Japão
Shoko Takayasu / Bloomberg
O Banco do Japão (Boj) elevou a taxa de juros para o maior patamar em 31 anos na terça-feira, marcando mais um passo decisivo na normalização da política monetária, com foco em conter as pressões inflacionárias decorrentes do choque energético causado pela guerra no Oriente Médio.
O aumento foi o primeiro desde dezembro e alinha o Banco do Japão com outros bancos centrais que estão adotando uma política monetária mais restritiva para combater a inflação.
Em um movimento amplamente esperado, os juros passaram de 0,7 % para 1%, levando os custos dos empréstimos a níveis vistos pela última vez em 1995.
O Banco afirmou que o risco de uma deterioração acentuada da economia japonesa devido ao conflito no Oriente Médio diminuiu graças aos avanços na obtenção de fontes alternativas de energia.
Por outro lado, as perspectivas de preços merecem atenção, já que as empresas estavam repassando os custos crescentes do petróleo umas às outras em um “ritmo relativamente rápido”, o que pode elevar os preços ao consumidor em uma ampla gama de itens, afirmou.
China
Banco Central da China
Bloomberg
Em maio, a China deixou inalteradas as taxas referenciais de empréstimos pelo 12º mês consecutivo em 3%, em linha com as expectativas do mercado.
A última vez que a China alterou suas taxas básicas para empréstimos foi em maio do ano passado, quando teve início a guerra tarifária com os Estados Unidos. Agora, outra crise ronda a economia chinesa –a guerra no Irã e a instabilidade no Oriente Médio– , mas o governo decidiu manter uma postura ainda mais conservadora.
O crescimento da China perdeu força em abril, com a desaceleração da produção industrial e as vendas no varejo caindo para mínimas de mais de três anos, já que a segunda maior economia do mundo lutou contra os custos mais altos de energia decorrentes da guerra do Irã e da demanda interna persistentemente fraca.
Suécia
Vista de Estocolmo, capital sueca
Photo by Maja SUSLIN / TT NEWS AGENCY / AFP
O banco central da Suécia manteve as taxas de juros inalteradas pela sexta reunião consecutiva, nesta quarta-feira ao mesmo tempo em que ajustou suas orientações para indicar que está pronto para endurecer a política monetária ainda este ano, em caso de a guerra no Irã provocar um aumento da inflação.
O Riksbank manteve sua taxa básica de juros em 1,75%, nível mantido desde setembro, de acordo com um comunicado. A decisão foi prevista por todos os 16 economistas consultados pela Bloomberg.
Os formuladores de política monetária, liderados pelo presidente Erik Thedeen, afirmaram que há uma chance maior de que precisem aumentar as taxas de juros ainda este ano, citando interrupções no abastecimento que alimentam as pressões inflacionárias. Ainda assim, a inflação subjacente está baixa e a atividade econômica está um pouco mais fraca do que o normal, afirmaram.
Chile
Santiago do Chile
Divulgação
O banco central do Chile, em decisão unânime, manteve a taxa básica de juros em 4,5% ano na reunião de março. No comunicado, o Conselho do BC chileno destacou que a guerra no Oriente Médio aumentou de forma significativa as incertezas sobre o crescimento global e sobre pressões inflacionárias, ao impulsionar os preços do petróleo.
Na época, a autoridade monetária indicou que, se a guerra acabar rápido e os efeitos se dissiparem no médio prazo, a inflação chilena retornará a níveis coerentes com a meta durante 2027. “No entanto, dada a magnitude do conflito, o Conselho estará particularmente atento a sinais de maior transmissão e/ou persistência na inflação dos choques que estão sendo enfrentados”, apontou.

